2013-08-26

Subject: A ameaça oculta que pode impedir a erradicação global da pólio

 

A ameaça oculta que pode impedir a erradicação global da pólio

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/BIOPHOTO ASSOCIATES/SCIENCE PHOTO LIBRARY

A erradicação global da pólio tem sido um verdadeiro jogo de sempre-em-pé na última década: quando parece que se conseguiu encurralar o vírus para a submissão num último refúgio, ele ressurge noutro local. 

Agora, quando vencer a pólio em todo o mundo voltou a parecer estar ao nosso alcance, outra ameaça insidiosa pode estar à espreita a partir de fontes de infecção escondidas à vista de todos.

O último contra-ataque da pólio são os chamados excretores crónicos, pessoas com sistemas imunitários comprometidos que, tendo engolido vírus enfraquecidos através da vacina oral em criança, geram e libertam vírus vivos pelos seus intestino e vias respiratórias superiores durante anos.

As crianças saudáveis reagem à vacina produzindo anticorpos que bloqueiam a replicação viral, assim ganhando imunidade à infecção mas os excretores crónicos não conseguem completar esse processo e, em vez disso, produzem um fornecimento regular de vírus. Os vírus enfraquecidos da vacina oral podem sofrer mutações e readquirir a capacidade dos vírus selvagens da pólio para paralisar as pessoas que infectam. Após ter chegado ao conhecimento geral em meados da década de 90, a situação chocou os investigadores.

Philip Minor, director-adjunto do Instituto Nacional de Standards Biológicos e Controlo do Reino Unido, descreve este pesadelo biomédico: os vírus da pólio selvagens deixam de circular, logo os países abrandam os esforços de vacinação. Entretanto, um excretor crónico beija um bebé não vacinado e manda-o para a creche. “E pronto", acrescenta ele, "espalha-se por todo o lado, com bebés a babarem-se uns por cima dos outros. Por isso, é possível um cenário em que há um ressurgimento da pólio a partir de um país desenvolvido."

Mas também pode acontecer num país em desenvolvimento. Apesar de em tempos se pensar que os indivíduos imunocomprometidos não conseguiriam sobreviver muito tempo em países com baixos recursos, as circunstâncias estão a mudar com a melhoria das condições de saúde nesses locais.

 

Em 2009 um rapaz indiano de 11 anos imunodeficiênte foi paralisado pela pólio, cinco anos depois de ter ingerido uma dose da vacina oral. Só aí os investigadores o reconheceram como um excretor crónico.

Os excretores crónicos geralmente só são descobertos quando desenvolvem a pólio depois de anos a propagar sub-repticiamente o vírus, situação rara para sorte de todos. De acordo com Roland W. Sutter, o cientista da Organização Mundial de Saúde que lidera a política de investigação da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, a iniciativa está a pressionar o desenvolvimento de medicamentos que possam bloquear a libertação de vírus da vacina e existem algumas opções prometedoras em estudo.

Os medicamentos apenas podem resolver o problema se os excretores crónicos forem identificados, o que não é tarefa fácil. Durante anos, cientistas na Finlândia, Estónia e Israel monitorizaram os esgotos das cidades em busca de sinais da presença de excretores.

Em muitas amostras encontraram vestígios de vírus de excretores crónicos mas não conseguiram localizar os indivíduos. Estes excretores ocultos podem não ser pacientes imunodeficientes clássicos que possam ser identificados através de visitas a imunologistas. Podem muito bem ser pessoas que nem sabem que têm um problema imunológico e não estão a fazer qualquer tratamento: “Sabemos que têm uma espada de Dâmocles sobre eles", diz Sutter. E sobre todos nós, na realidade.

 

 

Saber mais:

Alcançado acordo sobre linhagem celular HeLa

Sequenciada a célula humana mais famosa da ciência

Europa vai pagar direitos sobre gene de cancro

Molécula sintética bloqueia desenvolvimento da tuberculose

Gripe suína partilha muitas características com pandemia de 1918

Cautela com a investigação biológica

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com