2013-08-23

Subject: Emergência da gripe das aves H7N9 indicia ameaça mais vasta

 

Emergência da gripe das aves H7N9 indicia ameaça mais vasta 

 

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@ Nature/CHINA DAILY/Reuters/CorbisO vírus da gripe H7N9 não emergiu sozinho.

Os investigadores seguiram a evolução da mortífera gripe das aves que actualmente se propaga pela China e encontraram evidências de que este vírus se desenvolveu em paralelo com um semelhante, H7N7, capaz de infectar mamíferos.

Apesar de não existirem evidências de que esta estirpe H7N7 possa infectar humanos, os autores de um estudo agora publicado na revista Nature dizem que as suas descobertas reforçam a ideia de que os vírus da gripe das aves H7 se misturam e trocam material genético constantemente, num processo conhecido por rearranjo, nos mercados de aves asiáticos. 

Esta situação aumenta a ameaça de que o H7N7 se rearranje novamente e adquira a capacidade de se propagar entre humanos.

"Os vírus H7 andam pela China e não apenas na forma de H7N9", diz Richard Webby, co-autor do estudo e perito em gripe no Hospital de Investigação Pediátrica St. Jude em Mênfis, Tennessee.

Os patos, em particular, funcionam como misturadoras vivas para os vírus da gripe das aves. As espécies domésticas encontram um vasto catálogo de vírus de aves selvagens, que trocam genes para formar versões que se  podem propagar para as galinhas e para os humanos.

É necessária uma melhor vigilância das populações de aves chinesas para seguir a emergência de vírus perigosos como o H7N9, diz o autor principal do artigo Yi Guan, perito em gripe na Universidade de Hong Kong. Na China, o vírus já infectou 135 pessoas e resultou em 44 mortes desde Fevereiro. "Este é um ecossistema muito diferente de outros países para a gripe", diz Guan.

A equipa de Guan obteve amostras de aves selvagens e de mercados de aves domésticas na zona de Xangai em Abril, semanas o surto de H7N9 lá ter começado. Os investigadores recolheram esfregaços da garganta e dos intestinos de 1341 aves, incluindo galinhas, patos, gansos, pombos, perdizes e faisões, para além de 1006 amostras de água e fezes de mercados de aves. Cerca de 10% das amostras testaram positivas para a presença do vírus da gripe e, dessas, 15% pertenciam a vírus H7.

Quando a equipa sequenciou o genoma dos dois vírus e os comparou com outras estirpes de gripe das aves, descobriu que os H7N9 e H7N7 eram híbridos de estirpes de galinhas de água eurasiáticas selvagens, como os H7N3 e H11N9. 

 

Os cientistas pensam que esses vírus trocaram genes em patos domésticos antes de se propagarem às galinhas, onde trocaram genes com um vírus vulgar das galinhas, o H9N2. Estes rearranjos melhoraram a capacidade dos vírus para se propagar em galinhas, que vivem em contacto próximo com os humanos.

Até agora, a última estirpe de H7N7 ainda não infectou humanos mas Guan e a sua equipa descobriram que os furões podem ser infectados com o vírus, sugerindo a possibilidade de uma propagação aos humanos.

"Realmente mostra que a emergência deste tipo de vírus pode acontecer a qualquer momento", diz Camille Lebarbenchon, ecologista viral na Universidade da Ilha da Reunião em St Denis, França, que também estudou a evolução do H7N9 através de sequências virais de arquivo.

David Morens, investigador da gripe e conselheiro-sénior dos Institutos Nacionais de Saúde em Bethesda, Maryland, diz que o percurso evolutivo que os vírus seguiram sugere que melhores vigilância e práticas sanitárias nos mercados de aves são cruciais na monitorização dos riscos para a saúde humana.

Mas Ian Lipkin, epidemiologista na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, diz que a vigilância não é uma solução infalível: "É inevitável que alguma coisa escape."

 

 

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