2013-08-21

Subject: Insecto taitiano evita sexo perfurante

 

Insecto taitiano evita sexo perfurante 

 

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@ DiscoverLifeSe vivesse numa ilha exótica onde o sexo não seguro fosse demasiado comum, encontraria certamente formas de afastar atenções indesejadas. 

Pois no Taiti, as fêmeas de duas espécies aparentadas de insecto tiveram de deslocar os seus genitais para diferentes lados do corpo e até personificam o sexo oposto, tudo para evitar serem perfuradas no abdómen pelos órgãos sexuais dos machos errados, relatam os biólogos.

Os dois insectos, que vivem lado a lado na ilha do Pacífico do Taiti e se alimentam das mesmas plantas, são o Coridromius tahitiensis e o Coridromius taravao. Ambas as espécies seguem a prática da inseminação traumática: com o seu órgão genital que nos faz lembrar uma agulha hipodérmica, o macho perfura a fêmea lateralmente e injecta esperma no seu abdómen.

O ritual, partilhado por um número de outros invertebrados, incluindo os percevejos Cimex lectularius, pode causar ferimentos e infecções nas fêmeas. Mais ainda, os insectos que usam este tipo de método reprodutivo não são particularmente cuidadosos na escolha dos parceiros, logo o macho de uma das espécies pode tentar acasalar com outro macho, ou mesmo com um membro de outra espécie.

Esses acasalamentos entre espécies diferentes têm custos para ambas as espécies, em termos de tempo, energia e esperma perdidos, explica Nikolai Tatarnic, biólogo que é actualmente curador para os insectos do Museu da Austrália Ocidental em Welshpool.

Com o seu colega Gerasimos Cassis, ecologista comportamental na Universidade da Nova Gales do Sul, Tatarnic examinou 152 indivíduos C. tahitiensis (66 machos e 86 fêmeas) e 39 indivíduos C. taravao (6 machos e 33 fêmeas). Escrevendo na última edição da revista The American Naturalist, os autores descrevem como o acasalamento em C. tahitiensis é geralmente instigado pelos machos e não envolve nada remotamente parecido com consentimento mútuo.

Durante o acasalamento, as fêmeas C. tahitiensis são inseminadas do lado direito do abdómen através de genitália que parece ter evoluído para facilitar o processo, apesar de os machos as perfurarem no abdómen nas mesma. 

Os investigadores não observaram qualquer tipo de tentativa de acasalamento por parte dos C. taravao, mas descobriram que as fêmeas dessa espécie têm estruturas anatómicas, que podem ser, ou não, genitália, que podem facilitar a inseminação do lado esquerdo, bem como reforços estruturais que podem desencorajar tentativas de inseminação do lado direito (onde um macho C. tahitiensis poderia vir apalpar).

Os investigadores inferiram que as duas espécies podem ter desenvolvido pelo menos duas formas de evitar acasalamentos indesejáveis, e mesmo perigosos, entre espécies diferentes. 

 

Os órgãos genitais das fêmeas de ambas as espécies deslocaram-se literalmente para lados opostos do seu corpo e tanto os machos como as fêmeas de C. taravao desenvolveram uma forma de se disfarçar de machos C. tahitiensis, exibindo a coloração e pêlos no lado direito do abdómen que os machos C. tahitiensis apresentam. Pensa-se que este 'disfarce' reduza as probabilidades de os machos C. tahitiensis virem importunar.

A imitação que os C. taravao fazem dos machos de C. tahitiensis “é o primeiro caso documentado de uma interacção tão extraordinária", diz Gregory Holwell, biólogo na Universidade de Auckland na Nova Zelândia. Luke Holman, biólogo evolutivo na Universidade Nacional da Austrália em Camberra, apelida a situação de uma variação interessante na bem conhecida abordagem em que duas espécies aparentadas de perto evitam os cruzamentos tornando os seus sinais sexuais mais diferenciados.

Mas o estudo não é conclusivo: “A história não está completamente percebida mas é muito sugestiva”, diz Locke Rowe, biólogo evolutivo na Universidade de Toronto no Canadá.

Ann Hedrick, bióloga comportamental na Universidade da Califórnia, Davis, gostaria de ver evidências de que o acasalamento entre as duas espécies não produz descendência viável e que a imitação e a diferente localização da genitália não ocorre se as duas espécies não viverem em proximidade.

Tatarnic concorda: “O que realmente precisamos de fazer agora é voltar ao Taiti e testar a nossa hipótese", diz ele.

 

 

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