2013-08-20

Subject: Níveis 'seguros' de açúcar danosos para ratos 

 

Níveis 'seguros' de açúcar danosos para ratos 

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/JGI/Jamie Grill/Blend Images/Corbis

Demasiado açúcar faz-nos mal mas que quantidade, exactamente, é demasiado? Um estudo em ratos descobriu que a saúde e a capacidade de competir dos animais pode ser reduzida por uma dieta com níveis de açúcar equivalentes aos consumidos actualmente por muito norte-americanos.

As dietas ricas em açúcares estão associadas não só a obesidade e diabetes, mas também a outras doenças humanas, como a doença coronária. No entanto, as ligações causais exactas para muitas destas doenças ainda não foram estabelecidas.

Quando se realizam estudos em ratos com o objectivo de avaliar os efeitos obre a saúde do açúcar, as doses fornecidas são frequentemente tão elevadas e fora dos intervalos do que seria equivalente ao consumo humano que é difícil dizer, de forma conclusiva, se os resultados são relevantes para o Homem. “Ninguém foi ainda capaz de demonstrar efeitos adversos a níveis relevantes para o Homem", diz Wayne Potts, biólogo evolutivo na Universidade do Utah em Salt Lake City.

Mas num estudo agora publicado na revista Nature Communications, Potts e os seus colegas analisaram o que acontecia em condições comparáveis com o estilo de vida de um número substancial de pessoas nos Estados Unidos.

Os investigadores criaram um par de ratos selvagens, capturados por Potts numa padaria, e alimentaram a sua descendência com uma dieta em que 25% das calorias provinham do açúcar. Este é o nível máximo 'seguro' recomendado pelas Academias Nacionais americanas e pelo Departamento de Agricultura americano, correspondendo à dieta consumida por cerca de 13 a 25% da população americana. O nível seguro é mais ou menos equivalente a beber três latas de bebidas açucaradas por dia, mantendo o resto da dieta livre de açúcares.

Após 26 semanas sob este vício de açúcar, os ratos foram libertados num grande habitat que imitava o seu ambiente natural e deixados para competirem por alimento e território com um número igual de ratos de controlo, que tinham recebido uma dieta saudável.

Os comedores de açúcar não se safaram bem. Ao longo das 32 semanas de duração da experiência, as fêmeas alimentadas com açúcar morreram praticamente a uma taxa duas vezes superior à das fêmeas controlo e os machos controlavam cerca de um quarto menos de território e produziam um quarto menos de descendentes do que os seus parceiros controlo.

 

A equipa seguiu sete marcadores de saúde metabólica, incluindo peso corporal e níveis de insulina, e cinco desses marcadores não revelaram qualquer diferença entre os ratos experimentais e os controlo. No entanto, Potts diz que a imitação da intensa competição nas colónias naturais de ratos permitiu aos investigadores verificar os efeitos de uma dieta com níveis elevados de açúcar, mesmo sem evidências metabólicas de danos. “Os ratos podem realmente dizer-nos 'não, não estou a 100%’", diz Potts, mesmo se a tecnologia actual não conseguir detectar nada de estranho em vias metabólicas específicas.

Walter Willett, epidemiologista e presidente do departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard em Boston, Massachusetts, considera que o estudo veio acrescentar evidências de que os níveis de açúcar consumidos por milhões de pessoas nos Estados Unidos são perigosos. No entanto, também considera que seria útil se a equipa tivesse sido capaz de determinar o que estava a matar as fêmeas e associar isso a uma doença humana: “Duvido que esses ratos estivessem a morrer devido a problemas cardíacos", diz ele.

James Ruff, biólogo no laboratório de Potts e co-autor do estudo, refere que não foi possível recolher as fêmeas mortas com uma frequência suficiente para estudar a sua causa de morte sem perturbar as condições da experiência e alterar outros resultados: “Foi um equilíbrio entre vantagem e inconveniente."

Mas Potts e Ruff pensam que os seus resultados são suficientes para indicar que há um problema e que o nível seguro recomendado de açúcar na dieta deve ser reduzido. “Se demonstro que uma coisa está a fazer mal a ratos, queres mesmo tê-la no teu corpo antes de determinarmos se é um problema exclusivo dos ratos?", questiona Potts.

 

 

Saber mais:

Se a fome não te matar, não te faz mais forte

Bactéria intestinal pode combater obesidade e diabetes

Restrição de calorias falha no longo prazo

Dez razões (estúpidas) para não ser vegan

Pais obesos prejudicam saúde das filhas

Macacos rejeitam vegetarianismo

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com