2013-08-19

Subject: Colheitas geneticamente modificadas transferem benefícios para as ervas daninhas

 

Colheitas geneticamente modificadas transferem benefícios para as ervas daninhas 

 

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@ Nature/Xiao Yang

Foi demonstrado que uma técnica de modificação genética para tornar colheitas agrícolas resistentes a herbicidas largamente usada confere vantagens a uma forma selvagem de arroz, mesmo na ausência do herbicida. As descobertas sugerem que os efeitos desse tipo de modificação têm o potencial para se estenderem para além das quintas e para a natureza.

Vários tipos de colheitas foram geneticamente modificadas para se tornarem resistentes ao glifosato, um herbicida comercializado pela primeira vez com o nome comercial Roundup. Esta resistência ao glifosato permite aos agricultores dizimar a maioria das ervas daninhas e do capim dos campos sem danificar as suas plantações.

O glifosato inibe o crescimento vegetal ao bloquear uma enzima conhecida por EPSP-sintase (5-enol-piruvil-shiquimato-3-fosfato-sintase), envolvida na produção de certos aminoácidos e outras moléculas, que representam até 35% da massa corporal das plantas. 

A técnica de modificação genética, usada, por exemplo, nas chamadas culturas 'Roundup Ready' ou RR produzidas pela gigante da agroquímica Monsanto sediada em St Louis, Missouri, tipicamente envolve a inserção de genes no genoma de uma dada colheita com o objectivo de aumentar a produção da EPSP-sintase, permitindo à planta suportar os efeitos do glifosato. Os genes são geralmente obtidos a partir de bactérias que infectam plantas.

Os laboratórios de biotecnologia também têm sido tentados a usar genes de outras plantas em vez de genes bacterianos para estimular a produção da EPSP-sintase, em parte para explorar uma falha na legislação americana que facilita a aprovação por parte das entidades reguladoras da comercialização de organismos que transportem transgenes não derivados de pragas bacterianas.

Poucos estudos testaram se transgenes como aqueles que conferem resistência ao glifosato podem, uma vez que atinjam parentes selvagens ou infestantes através da polinização cruzada, tornar essas plantas mais competitivas em termos de sobrevivência e capacidade reprodutiva. “As expectativas tradicionais são que qualquer tipo de transgene confira, na natureza, desvantagens pois na ausência da pressão selectiva adequada a maquinaria metabólica acrescida reduzirá a aptidão", diz Norman Ellstrand, geneticista vegetal na Universidade da Califórnia, Riverside.  

Mas agora, um estudo liderado por Lu Baorong, ecologista na Universidade Fudan de Xangai, desafia essa perspectiva: mostra que uma forma infestante do arroz vulgar, Oryza sativa, obtém um aumento significativo de aptidão da resistência ao glifosato, mesmo quando o herbicida não é aplicado.

No seu estudo, publicado na última edição da revista New Phytologist, Lu modificou geneticamente a espécie cultivada de arroz para expressar em excesso a sua própria EPSP-sintase e cruzou-a com uma parente infestante.

Seguidamente, a equipa permitiu que a descendência cruzada se reproduzisse entre si, criando híbridos de segunda geração geneticamente idênticos entre si, excepto no número de cópias do gene que codifica a EPSP-sintase. 

 

Como seria de esperar, aquelas plantas com mais cópias do gene expressavam níveis mais elevados da enzima e produziam mais do aminoácido triptofano do que as suas companheiras não modificadas.

Os investigadores também descobriram que os híbridos transgénicos tinham taxas superiores de fotossíntese, cresciam mais ramos e flores e produziam 48 a 125% mais sementes por planta do que os híbridos não transgénicos, sempre na ausência do glifosato.

Tornar o arroz infestante mais competitivo pode exacerbar o problema que esta planta causa aos agricultores de todo mundo, cujos talhões são invadidos por esta praga, diz Lu.

“Se o gene da EPSP-sintase passa para as espécies selvagens de arroz, a sua diversidade genética, que é muito importante preservar, pode estar ameaçada pois o genótipo contendo o transgene seria mais competitivo que as espécies normais", diz Brian Ford-Lloyd, geneticista vegetal na Universidade de Birmingham, Reino Unido. “Este é um dos exemplos mais claros dos efeitos extremamente danosos plausíveis das culturas geneticamente modificadas sobre o ambiente."

O estudo também desafia a percepção pública de que as colheitas geneticamente modificadas que transportam cópias extra dos seus próprios genes são mais seguras do que aquelas que transportam genes de outros organismos: “O nosso estudo mostra que isso não é necessariamente verdade", diz Lu.

As descobertas apelam a um repensar das futuras regulamentações sobre culturas agrícolas geneticamente modificadas, dizem alguns investigadores. “Algumas pessoas estão agora a dizer que as regulamentações de biossegurança podem ser relaxadas porque temos um nível elevado de conforto com duas décadas de engenharia genética", diz Ellstrand. “Mas este estudo mostra que os novos produtos continuam a precisar de uma avaliação cuidadosa."

 

 

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