2013-08-18

Subject: Fóssil revela características da linhagem de mamíferos que sobreviveu aos dinossauros

 

Fóssil revela características da linhagem de mamíferos que sobreviveu aos dinossauros 

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/April Isch, Univ. Chicago

Os mais antigos membros conhecidos do grupo de mamíferos que sobreviveram durante 130 milhões de anos já apresentavam as características anatómicas que permitiram aos animais florescer na sombra dos dinossauros, e mesmo sobreviver à sua extinção em massa.

Um esqueleto praticamente completo foi descrito pelos paleontólogos como pertencendo a um mamífero que viveu há cerca de 160 milhões de anos no é actualmente o nordeste da China. O animal foi um dos primeiros multituberculados, mamíferos semelhantes a roedores conhecidos pelos seus característicos dentes com muitas cristas, que dão ao grupo o seu nome vulgar.

Durante a maioria da sua existência de 130 milhões de anos, uma das mais longas conhecidas para qualquer linhagem de mamíferos, estes animais tão diversificados foram mamíferos dominantes e ocuparam muitos nichos ecológicos, diz Zhe-Xi Luo, paleontólogo de vertebrados na Universidade de Chicago. Alguns multituberculados viveram nas árvores, muitos no solo e alguns até subterrâneos. “Antes de os roedores terem surgido, os multituberculados desempenhavam o mesmo tipo de papel" que estes iriam reclamar nos seus ecossistemas, diz ele.

Escrevendo na última edição da revista Science, Luo baptizou esta espécie Rugosodon eurasiaticus: 'Rugosodon' refere-se à rugosidade dos dentes de forma muito característica. Pensa-se que o animal pesaria entre 65 e 80 gramas, mais ou menos o tamanho de um esquilo médio.

Anteriormente, os primeiros multituberculados eram conhecidos apenas a partir de fragmentos de crânio, ossos de mandíbulas e dentes mas este último fóssil está mais de dois terços completo, revelando um conjunto de características anatómicas que até agora apenas tinham sido vistas em membros mais recentes da linhagem.

Por exemplo, o Rugosodon tinha um tornozelo espantosamente flexível que permitia a hiperextenção do pé para baixo, como uma bailarina em bicos, e rodar em movimentos muito variados. Essa flexibilidade, bem como dígitos altamente móveis análogos aos do dedo grande do pé humano, terá permitido ao animal, provavelmente de vida no solo, mover-se eficientemente em terreno agreste. Esta característica é observada nos multituberculados mas não nas outras linhagens de mamíferos dessa era.

O Rugosodon também tinha uma coluna vertebral incrivelmente flexível, dando-lhe grande capacidade de rodar da direita para a esquerda e de se dobrar para a frente e para trás pela cintura. A forma e o arranjo dos dentes dos animais sugerem que, na base de comparações com mamíferos modernos, o Rugosodon consumia uma mistura de frutas, sementes e animais, incluindo vermes, insectos e mesmo pequenos vertebrados.

 

A flexibilidade dos multituberculados, tanto fisicamente, como em termos de dieta, foi o que os tornou tão bem sucedidos evolutivamente, diz Brian Davis, paleontólogo de vertebrados na Universidade de Louisville no Kentucky. O papel do grupo nos ecossistemas antigos é subestimado, acrescenta ele. “As pessoas esquecem-se frequentemente deles por não terem deixado descendentes."

Ainda na semana passada, investigadores descreveram dois novos fósseis da mesma era e da mesma zona do mundo. Apesar dos autores terem colocado os animais no grupo dos haramiideos, Guillermo Rougier, paleontólogo de vertebrados na Universidade de Louisville no Kentucky, sugere que um deles, o Arboroharamiya, pode na realidade ser um multituberculado. Agora Rougier considera que comparações detalhadas entre o Rugosodon e o Arboroharamiya iriam ajudar a clarificar de que forma todos estes animais se relacionam uns com os outros.

“O esqueleto e o crânio deste fóssil dão-nos uma visão mais clara dos primeiros membros desta prolífica linhagem", diz Gregory Wilson, paleontólogo de vertebrados na Universidade de Washington em Seattle. E vão ajudar os investigadores a posicionar melhor o ramo dos multituberculados na árvore filogenética dos mamíferos, acrescenta ele. Possivelmente mais importante, dá aos paleontólogos uma melhor ideia de como seria o aspecto dos percursores evolutivos dos multituberculados, ideias que só podem ser confirmadas por futuras descobertas de fósseis.

Os multituberculados foram tão bem sucedidos como grupo que sobreviveram ao evento de extinção em massa que matou os dinossauros não avícolas e cerca de 75% das espécies vivas à data, há cerca de 66 milhões de anos. Por razões ainda desconhecidas, a linhagem dos multituberculados desapareceu há cerca de 35 milhões de anos, por volta do momento em que os roedores emergiram na cena evolutiva, o que possivelmente não foi coincidência, diz Luo.

 

 

Saber mais:

Fósseis desarranjam árvore filogenética dos mamíferos

Cara a cara com o mais antigo ancestral dos placentários

Predadores dinossauros caçavam no escuro

Excentricidades dos dentes à cauda

Dinossauros mantinham a cabeça levantada?

Répteis e aves têm genes para pêlo

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com