2013-08-12

Subject: Artefactos preenchem lacunas na história ecológica do Egipto

 

Artefactos preenchem lacunas na história ecológica do Egipto

 

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@ Nature/Charles Edwin Wilbour Fund, Brooklyn Museum

Antigas inscrições em rochas egípcias encontradas em túmulos de faraós relatam a presença de órixes e outros antílopes de grande porte que floresciam na região há mais de 6 mil anos. Os investigadores puderam agora demonstrar que essas populações de mamíferos se tornaram instáveis ao mesmo tempo que ocorriam alterações significativas no clima do Egipto.

A descoberta baseia-se numa nova interpretação do registo arqueológico e paleontológico dos antigos mamíferos egípcios, construído há mais de uma década pelo zoólogo Dale Osborn. Trinta e oito mamíferos de grande porte vivam no Egipto mais ou menos há seis milénios, comparados com as oito espécies que restam actualmente.

“Existem histórias interessantes enterradas nos dados, na congruência do registo artístico e escrito", diz Justin Yeakel, ecologista na Universidade Simon Fraser em Vancouver, Colúmbia Britânica, que apresentou a pesquisa esta semana no encontro anual da Sociedade Americana de Ecologia em Minneapolis, Minnesota. Por exemplo, o filósofo Aristóteles disse há 2300 anos que havia leões, ainda que raros, na Grécia. Pouco tempo depois, os animais surgiram pela última vez no registo artístico local, diz Yeakel.

Sobrepondo os registos de clima e ocorrência de espécies ao longo do tempo, a sua equipa descobriu que três dramáticos declínios na razão predador/presa no Egipto coincidiam com alterações climáticas abruptas em direcção a condições mais áridas.

O momento destes acontecimentos em direcção a um clima mais árido também correspondem a importantes alterações nas populações humanas no final do período húmido africano, há cerca de 5500 anos, mas também durante o colapso acadiano, há cerca de 4140 anos, no que agora é o Iraque, e há cerca de 3100 anos, quando a civilização Ugarítica entrou em colapso no que actualmente é a o território sírio.

Uma vez encontrada a correlação climática, Yeakel e Mathias Pires, modelador ecológico na Universidade de São Paulo, Brasil, examinaram as consequências dessas extinções antigas na estabilidade da cadeia alimentar.

Os investigadores adaptaram um método de realização de modelos de interacções na cadeia alimentar usando uma quantidade limitada de dados. Simularam milhões de interacções potenciais entre predador e presa usando dados sobre o tamanho do corpo das espécies. Testes usando dados das teias alimentares do Serengeti moderno sugerem que o modelo prevê de forma correcta 70% das interacções predador/presa.

 

Normalmente, à medida que as teias alimentares se tornam mais pequenas ficam mais estáveis, diz Yeakel. Mas as suas simulações mostraram que a proporção de teias alimentares estáveis no Egipto se reduziu ao longo do tempo, com a maior queda na estabilidade a ocorrer nos últimos 200 anos.

“As teias alimentares são enormes e confusas redes de interacções", diz Carl Boettiger, ecologista computacional na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, que não esteve envolvido neste estudo. “Esta abordagem é uma maneira poderosa de inferir a estabilidade da teia alimentar sem saber especificamente quem come quem, e muito menos saber toda a estrutura da rede."

Yeakel confirmaram que os padrões de extinção no Egipto não podem ser explicados por acontecimentos aleatórios. Também descobriram que a presença ou ausência de uma única espécie não parecia ter muito impacto na teia alimentar, um forte contraste com as actuais condições em muitas paisagens, possivelmente devido às alterações rápidas causadas pela colonização humana.

“Perdemos a redundância nos ecossistemas", diz Yeakel, “e essa é a razão porque a ausência de qualquer espécie por si só pode alterar a estabilidade do sistema."

 

 

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