2013-08-11

Subject: Fósseis desarranjam árvore filogenética dos mamíferos

 

Fósseis desarranjam árvore filogenética dos mamíferos

 

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Megaconus @ Nature/April Isch, University of Chicago/Zhe-Xi Luo et al

Dois fósseis deixaram os paleontólogos a coçar a cabeça sobre onde colocar, na árvore filogenética dos mamíferos, um enigmático grupo de animais. Uma equipa que analisou um dos fósseis sugere que o grupo pertence aos mamíferos mas os investigadores que analisaram o outro fóssil propõem que o seu clã evolutivo é anterior aos verdadeiros mamíferos. A situação pede mais análises, mais fósseis ou ambos, concordam os peritos.

Os fósseis representam espécies desconhecidas até ao momento e agora descritas na revista Nature. Ambas são membros dos Haramiyida, um grupo de animais que surgiu há cerca de 212 milhões de anos e reconhecido pelos investigadores pela primeira vez na década de 1840. Até agora, os animais apenas tinham sido conhecidos através de exemplos isolados dos seus dentes característicos, com características semelhantes aos dos roedores, e de um único maxilar fragmentado. Mas ambos os fósseis descritos agora, incluem não só os dentes mas também vértebras e ossos dos membros, patas e caudas.

“É espantoso, para um grupo tão incrivelmente obscuro, obter dois esqueletos relativamente completos a serem descobertos ao mesmo tempo", diz Richard Cifelli, paleontólogo de vertebrados no Museu de História Natural do Oklahoma em Norman. “Estes novos fósseis mudam tudo."

Um dos haramiideos viveu há cerca de 160 milhões de anos no que é agora o nordeste da China e estava bem adaptado à vida nas árvores (ver reconstrução na imagem em baixo). Tinha membros relativamente pequenos mas com dígitos excepcionalmente longos, diz o co-autor Jin Meng, que estuda mamíferos antigos no Museu Americano de História Natural em Nova Iorque. Proporcionalmente, os seus dígitos eram ainda mais longos que os de muitos mamíferos arborícolas actuais e algumas características da sua cauda indicam que poderá ter sido preênsil. Meng colocou o animal num novo género, a que chamou Arboroharamiya.

Arboroharamiya @ Nature/Zhao Chuang/Jin Meng et al.A forma dos dentes do animal e a forma como funcionavam durante a mastigação sugerem que o Arboroharamiya ou se alimentava de sementes ou era omnívoro, diz Meng. Cada lado do seu maxilar inferior era composto por apenas um osso, o que o torna mais parecido com o maxilar dos mamíferos modernos que com o dos répteis, que têm mais ossos que nos mamíferos se tornaram nos ossos do ouvido interno. Isto sugere que o Arboroharamiya provavelmente tinha um ouvido com estrutura semelhante ao dos mamíferos (não foram encontrados ossos do ouvido no espécime mas estes ossos minúsculos raramente são preservados nos fósseis de mamífero).

Para investigar as relações evolutivas do animal, a equipa analisou mais de 400 características anatómicas de mais de 50 espécies diferentes de mamíferos antigos, a maioria com idades entre os 250 e os 100 milhões de anos. Os seus cálculos colocam o Arboroharamiya bem no interior da árvore filogenética dos mamíferos e sugerem que os mamíferos, enquanto grupo, terão surgido algures entre os 228 e os 201 milhões de anos.

 

Já o haramiideo descrito no segundo artigo publicado pela revista Nature foi encontrado em rochas do interior da Mongólia, China, que datam de há 165 a 164 milhões de anos. O animal apresentava uma crista particularmente grande no primeiro dente pré-molar, logo os investigadores colocaram-no num novo género, Megaconus.

Ao contrário do Arboroharamiya, este animal provavelmente vivia no chão da floresta: cada pata traseira tinha os dois ossos inferiores fundidos no topo e no fundo, tal como acontece com os actuais tatus (ver reconstrução na imagem ao lado). O animal pesava cerca de 250 gramas e provavelmente tinha um andar gingão, diz Thomas Martin, paleontólogo na Universidade de Bona, Alemanha.

Ele e a sua equipa desenharam a árvore filogenética do Megaconus com base em comparações com animais de mais outros 100 grupos. Os resultados sugerem que o ancestral comum a todos os mamíferos extintos viveu há cerca de 180 milhões de anos e que os haramiideos, incluindo o Megaconus, divergiram do tronco principal da árvore filogenética cerca de 40 milhões de anos antes dos verdadeiros mamíferos terem surgido.

Infelizmente, nenhuma das árvores filogenéticas é inteiramente consistente com os dados. Cifelli diz que a confusão apenas pode ser esclarecido com novos fósseis, de preferência fósseis que incluam todo ou parte significativa do crânio, cujas características anatómicas são particularmente instrutivas para a compreensão das relações evolutivas. “Para desatar este nó precisamos de mais informação."

Mas há outra possibilidade, diz Guillermo Rougier, paleontólogo de vertebrados na Universidade de Louisville no Kentucky. O Megaconus e o Arboroharamiya “foram colocados no mesmo grupo mas são animais muito diferentes", diz ele. 

De facto, acrescenta ele, o Arboroharamiya, a mais avançada das duas espécies em termos de osso do maxilar e outras características, pode muito bem pertencer ao grupo bem sucedido mas agora extinto de mamíferos chamados multituberculados, um realinhamento que pode explicar a disparidade entre as árvores filogenéticas criadas por cada um dos estudos.

Uma coisa certamente a fazer agora, sugere ele, é realizar uma análise única que inclua ambas as novas espécies e ver então que aspecto terá a árvore filogenética dos mamíferos daí resultante.

 

 

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