2013-08-08

Subject: Se a fome não te matar, não te faz mais forte

 

Se a fome não te matar, não te faz mais forte

 

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@ Nature/Virpi Lummaa

Pessoas subnutridas durante a infância ou durante o desenvolvimento embrionário são menos resistentes a períodos de fome mais tarde na vida, têm expectativa de vida inferior e menor probabilidade de se reproduzirem do que aqueles que foram bem alimentados, descobriu um estudo realizado com registos da igreja finlandesa durante o século XIX. 

Os resultados contradizem uma hipótese frequentemente citada sobre os efeitos da malnutrição pré-natal.

A hipótese da resposta adaptativa preditiva (vulgarmente conhecida pelas suas iniciais inglesas, PAR) propõe que pessoas privadas de alimento durante o desenvolvimento pré-natal ou na infância compensam fisiologicamente, armazenando gorduras e usando açúcares de forma mais eficiente. Por sua vez, considera-se que isto as tornaria mais capazes de suportar a escassez de alimentos mais tarde na vida e tem sido sugerido que estas características seriam inclusivé passadas à sua descendência.

A hipótese PAR pode oferecer uma explicação para a alta taxa de doenças metabólicas, como a tensão alta, obesidade e diabetes, entre pessoas que sofreram carências alimentares no início da vida. Esta propõe que se esses indivíduos encontrarem abundância de recursos alimentares quando são mais velhos têm maior capacidade de acumular gordura abdominal e ganhar peso, conduzindo a uma pletora de perturbações metabólicas.

Em vez disso, o estudo finlandês, que aparece esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, conclui que pessoas que sofreram de malnutrição durante o desenvolvimento inicial são menos capazes de lidar com fomes enquanto adolescentes ou adultos.

“Muitos estudos ecológicos com animais demonstraram que um mau começo de vida, como pouco alimento ou elevada densidade populacional durante o desenvolvimento, é essencialmente mau para a saúde", diz Adam Hayward, ecologista evolutivo na Universidade de Sheffield, Reino Unido, e primeiro autor do estudo. “E os humanos aparentemente são muito semelhantes nesse aspecto."

Hayward e a sua equipa usaram registo da igreja finlandesa da era pré-industrial, contendo detalhes sobre nascimentos, mortes e estatuto socioeconómico para conhecer a história de vida de 3236 indivíduos de duas populações agrícolas do século XIX. Estas pessoas tinham pouco acesso a transportes e dependiam fortemente das suas colheitas de trigo e cevada num clima pouco favorável aos crescimento.

 

Os investigadores analisaram dados sobre resultados das colheitas ao longo de um período de 50 anos que culminou com uma fome severa na década de 1860, que foi marcada por elevadas taxas de mortalidade devidas a doenças como a varíola, tifo e tosse convulsa. Eles investigaram de que forma as colheitas obtidas por volta do tempo do nascimento afectaram a taxa de sobrevivência e o sucesso reprodutivo das pessoas durante a fome. Aqueles que tiveram colheitas mais abundantes quando nasceram tiveram maior probabilidade de sobreviver à fome e ter filhos, descobriram os investigadores.

“O estudo de Hayward et al. é um dos poucos à data a testar empiricamente alguns dos pilares chave da hipótese PAR", diz Jonathan Wells, perito em nutrição pediátrica no University College de Londres, que não esteve envolvido na pesquisa.

Chris Kuzawa, antropólogo biológico na Universidade Northwestern em Evanston, Illinois, considera que o estudo dá um contributo importante mas “não é um caso encerrado" contra a ideia PAR. Como a principal causa de morte durante a fome finlandesa foram as doenças infecciosas, situação que a hipótese PAR não coloca, as implicações das descobertas para a hipótese são “algo nebulosas”, diz Kuzawa. 

Um teste mais directo da hipótese, diz ele, seria se a malnutrição no início da vida protegesse as populações finlandesas contra a fome ou malnutrição mais tarde na vida. Ainda assim, diz Kuzawa, o estudo sublinha a “incrível importância" da nutrição durante o desenvolvimento inicial.

 

 

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