2013-08-02

Subject: Sentido do olfacto está nos genes

 

Sentido do olfacto está nos genes

 

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@ Nature/Wild Wonders of Europe/Bartoch/naturepl.com

Quando se trata do sentido do olfacto, cada um de nós experimenta o mundo de formas muito diferentes.

Os cientistas já sabiam que a sensibilidade humana a moléculas odoríficas varia consideravelmente de pessoa para pessoa (ver 'Soapy taste of coriander linked to genetic variants'), mas evidências de que as variações genéticas, e não hábitos, cultura ou outros factores, estão na base dessas diferenças têm sido difíceis de obter.

O geneticista Richard Newcomb, do Instituto de Investigação Vegetal e Alimentar da Nova Zelândia em Auckland, procurou os genes olfactivos testando a sensibilidade de 187 pessoas a dez moléculas químicas que podem ser encontradas todos os dias em alimentos, incluindo as moléculas que dão os distintos cheiros ao queijo azul, maçãs e violetas. 

Ele e a sua equipa de investigadores descobriram que, como esperavam, as capacidades olfactivas das suas cobaias variavam. Seguidamente, a equipa sequenciou os genomas de todos os indivíduos em busca de diferenças que pudessem prever a capacidade de cada um para detectar cada molécula química através do olfacto.

Para quatro das dez moléculas, os investigadores identificaram grupos de genes que previam de forma convincente a capacidade olfactiva, como relatam na última edição da revista Current Biology. O estudo não conseguiu concluir se existem associações genéticas semelhantes para os outros seis compostos químicos ou se outros factores para além dos genes desempenham um papel nesses casos.

Anteriormente, apenas cinco regiões do genoma tinham demonstradamente revelado afectar a capacidade olfactiva quando sofrem mutações, pelo que o estudo de Newcomb praticamente duplicou o número de associações genéticas que se sabe influenciarem o sentido do olfacto. 

Dado que não há nada de especial sobre as moléculas químicas que a equipa estudou, Newcomb considera lógico assumir que as descobertas se estenderão a muitos outros odores, significando que as pessoas experimentam a pletora de moléculas químicas à sua volta em infinitas formas diferentes.

“Todos estes genes estão em diferentes cromossomas, agem independentemente, logo todas estas pessoas diferentes, mesmo para apenas estes quatro compostos, têm experiências totalmente diferentes do mundo químico através do seu sentido do olfacto", explica Newcomb.

 

Newcomb também salienta que saber como os genes determinam o olfacto pode conduzir à criação de receitas para alimentos, ou outros produtos, especificamente criadas para se adequarem aos perfis moleculares odoríficos de cada indivíduo.

O geneticista Doron Lancet, do Instituto de Ciência Weizmann em Rehovot, Israel, há muito que defende a ideia de que os genes conduzem um sentido do olfacto personalizado e considera que o estudo de Newcomb fornece “provas convincentes e altamente reveladoras" de que assim é. “Há vinte anos que digo que, um dia, sabendo a consistência genética de uma pessoa, poderá ser possível desenhar um odor que melhor se lhe adeqúe", diz Lancet.

No caso de um dos compostos químicos, a β-ionona, responsável pela fragrância das violetas, a equipa de Newcomb conseguiu mesmo identificar um único gene que pode activar ou desactivar a capacidade de uma pessoa para a sentir. Esta foi apenas a terceira vez que um receptor olfactivo foi seguido até um único gene. Os outros genes olfactivos conhecidos codificam receptores para a androstenona, uma feromona dos suínos, e para um composto químico com odor a relva.

A descoberta da equipa do gene que codifica os receptores para a β-ionona será um início para os investigadores que tentam resolver o espinhoso problema de como os receptores nasais se ligam às moléculas odoríferas e como produzem a sensação do olfacto. “Não sabemos quase nada sobre a forma como os receptores olfactivos funcionam", diz Newcomb.

 

 

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