2013-08-01

Subject: Estudos contraditórios reacendem debate sobre monogamia

 

Estudos contraditórios reacendem debate sobre monogamia

 

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@ Nature/ANDY ROUSE/NATUREPL.COM

Há décadas que os cientistas debatem a explicação evolutiva para a razão porque algumas espécies praticam a monogamia social, ou seja, o viver a vida toda com um único parceiro. Dois estudos publicados esta semana vieram recomeçar a argumentação.

Existem duas teorias genéricas sobre o motor da monogamia. alguns investigadores consideram que em certas espécies as fêmeas se dispersam tanto que seria difícil para os machos monopolizar uma área suficientemente grande para terem múltiplas parceiras. Outros pensam que a monogamia evoluiu em resultado da permanência dos machos junto da fêmea, com o objectivo de proteger a sua descendência, especialmente de ser morta por rivais.

Christopher Opie, antropólogo no University College de Londres identificou agora potenciais motores da monogamia em 230 espécies de primatas, até um ancestral comum com 75 milhões de anos. Os investigadores compilaram informação sobre a forma como cada uma das espécies se comporta, como a dimensão dos territórios das fêmeas ou se os machos cuidam das crias e protegem as parceiras, e seguidamente correram simulações de computador sobre o processo evolutivo.

“Estamos efectivamente a fazer correr a história milhões de vezes para ver de que forma esses comportamentos teriam evoluído para que chegássemos onde estamos agora", explica Opie.

Os investigadores descobriram que as relações de acasalamento co-evoluíram com diversos comportamentos. “Quando se altera o sistema de acasalamento, o comportamento também se altera", diz Opie. 

Mas de todos os comportamentos, o infanticídio por machos rivais foi o único que consistentemente precedia a mudança para o acasalamento monogâmico, relata ele na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. O medo do infanticídio pode, por si só, ser postulado como a causa da monogamia em primatas, diz Opie, os outros comportamentos são consequências.

No entanto, as águas voltaram a ficar turvas com o artigo publicado na última edição da revista Science. Este estudo considera as origens mais vastas da monogamia em mamíferos: enquanto quase um terço das espécies de primatas são monogâmicas, menos de um décimo dos mamíferos o são.

Tim Clutton-Brock e Dieter Lukas, ambos zoólogos na Universidade de Cambridge, Reino Unido. usaram uma árvore filogenética detalhada anteriormente publicada com 2288 espécies de mamíferos e descobriram que, com excepção de uma, todas as transições evolutivas para as parcerias monogâmicas surgiram de cenários em que as fêmeas eram solitárias. 

 

Impossibilitados de acasalar com mais do que uma fêmea, os machos provavelmente passaram a guardar a sua descendência como forma de maximizar o seu número e qualquer aumento dos cuidados parentais terá sido “uma consequência e não a causa", diz Lukas.

Lukas e Clutton-Brock também realizaram a análise apenas para primatas mas, ao contrário de Opie e seus colegas, não encontraram qualquer associação com o infanticídio. Clutton-Brock considera que a discrepância pode ser o resultado de diferentes formas de categorizar os comportamentos: “Claramente, temos que nos reunir com Opie para deslindar isto."

Opie apelida o estudo de Cambridge de “interessante e ambicioso" e considera que os seus resultados para os primatas devem ser um subconjunto peculiar. Para ele, o interesse último é sondar as origens da monogamia humana: “Pela minha experiência é um trabalho duro, logo por que razão tantos primatas o fazem?"

“Somos muito cautelosos em estender as nossas conclusões ao Homem", diz Clutton-Brock. “Os humanos são muito invulgares devido a terem cultura, isso muda muitas coisas."

Enquanto o trabalho de Opie indica que a necessidade de longos períodos de cuidados parentais terá dado origem à monogamia, Lukas e Clutton-Brock vêm essa necessidade apenas como um subproduto do acaso evolutivo.

“Ambos os artigos foram cuidadosamente investigados e serão debatidos durante um bom tempo", diz Phyllis Lee, ecologista comportamental na Universidade de Stirling, Reino Unido.

 

 

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