2013-07-24

Subject: Perda de uma única espécie polinizadora danosa para plantas

 

Perda de uma única espécie polinizadora danosa para plantas

 

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A remoção de uma única espécie de abelha de um ecossistema tem efeitos sérios na reprodução das plantas, revela um estudo de campo.

As populações de abelhas estão em declínio severo no Reino Unido e nos Estados Unidos, possivelmente devido ao uso de pesticidas mas as simulações tinham previsto que a redução do efectivo dos insectos não teria um efeito importante na reprodução das plantas até quase todas as espécies polinizadoras desapareceram.

Brandindo a sua rede para caçar borboletas, o ecologista Berry Brosi, da Universidade Emory de Atlanta, Georgia, decidiu testar estes modelos no campo, juntamente com a sua colega Heather Briggs, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz. 

Brosi e Briggs prepararam 20 talhões de terreno, cada um do tamanho de um campo de ténis, no sopé das Montanhas Rochosas no Colorado. Primeiro monitorizaram os talhões no seu estado natural, identificando as espécies mais abundantes de abelhões (do género Bombus) em cada um. Com a ajuda de voluntários, seguidamente recolheram exaustivamente as abelhas deste grupo com redes e removeram-nas.

Os investigadores contaram quantas espécies diferentes de plantas os abelhões visitaram, estudando 736 insectos individuais no total. Também recolheram cuidadosamente as abelhas no momento em que estavam a polinizar a angiospérmica Delphinium barbeyi e anestesiaram-nos, registando os diferentes tipos de pólen que transportavam.

Escrevendo na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, Brosi e Briggs descobriram que depois de terem removido a espécie dominante de abelhão de um dado talhão, as outras espécies tornavam-se menos esquisitas, como revelava o leque mais alargado de pólen que transportavam. O número de abelhas transportando pelo menos dois tipos de pólen aumentou 17,5%.

O facto de as abelhas escolherem menos pode ser um factor de preocupação, pois as plantas apenas podem ser fertilizadas pelo pólen da sua própria espécie. De facto, os investigadores descobriram que depois da sua operação de remoção de abelhas, menos flores receberam o seu tipo de pólen. Em resultado, cada flor produziu menos um terço de sementes, em média.

 

“Este estudo é espectacularmente interessante", diz a ecologista Jane Memmott, da Universidade de Bristol, Reino Unido. Memmott foi co-autora dos estudos de simulação que este último vem agora contradizer mas afirma estar satisfeita por ter sido corrigida.

“Estávamos a tentar pela primeira vez a nossa rede de simulações, estas não incorporavam nenhuma relação dinâmica porque isso é muito complicado", diz ela. "Agora que temos esta prova, a teoria precisa de acompanhar as observações.

Mas Memmott também salienta que este último estudo não analisou todo o ecossistema e não deve servir de base para afirmações abrangentes. O estudo de Brosi mediu a produção de semente apenas na Delphinium barbeyi polinizada por várias espécies de abelhão. Memmott diz que também seria interessante ver o que a remoção de abelhas faz a outras plantas, bem como a outros polinizadores que não abelhas.

Brosi diz que este trabalho acrescenta peso ao argumento de que a sociedade deverá ser mais activa na protecção dos polinizadores. Nos Estados Unidos, “parece-me que se acha que um pesticida é seguro até prova em contrário”, diz ele. Mas dada a sensibilidade das plantas à remoção dos polinizadores “pode ser tempo de repensar este tipo de política".

 

 

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