2013-07-23

Subject: Plantas herbáceas necessitam urgentemente de conservação

 

Plantas herbáceas necessitam urgentemente de conservação

 

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Perante as alterações climáticas, os criadores de plantas estão cada vez mais a virar-se para os genomas dos parentes herbáceos selvagens das culturas agrícolas em busca de características como a tolerância à seca e a resistência a doenças. 

Mas uma análise global de 455 parentes selvagens de culturas agrícolas revelou que 54% deles estão sub-representados nas colecções de bancos de genes e que muitos, incluindo aqueles em risco de extinção, nunca foram recolhidos.

As descobertas, publicadas ontem pelo Centro Internacional para a Agricultura Tropical (CIAT), sediado em Palmira, Colômbia, vão conduzir a maior iniciativa internacional alguma vez feita para conservas os parentes selvagens das culturas agrícolas. O esforço, que está a ser liderado pelo Fundo Global de Diversidade de Culturas Agrícolas, sediado em Roma, em parceria com o Banco de Sementes do Milénio, dos Jardins de Kew em Londres, é considerado urgente num momento em que uma em cada cinco espécies de planta enfrenta a extinção.

Os criadores de plantas estão muito interessados em garantir a sobrevivência da diversidade genética necessária para criar novas variedades que suportem as secas e temperaturas elevadas que são de esperar no futuro, em resultado das alterações climáticas. Os parentes selvagens das culturas agrícolas são um dos recursos genéticos mais valiosos para melhorar as culturas mas estão ameaçados pela perda de habitat e pelo fluxo genético com as plantas domesticadas através da polinização cruzada, diz Paul Gepts, criador de plantas da Universidade da Califórnia, Davis.

A análise identificou culturas agrícolas, entre elas a batata, maçã, beringela, cenoura e girassol, que têm um número elevado de parentes selvagens que ainda não foram recolhidos e identificou algumas outras culturas, como o sorgo e as bananas, que praticamente não têm parentes selvagens salvaguardados nas colecções.

Muitos dos países que albergam o maior número de parentes selvagens não recolhidos, incluindo Chipre, Turquia, Bolívia e Índia, estão localizados em regiões onde a agricultura teve origem. São duas notáveis excepções a Austrália e os Estados Unidos, que também são lar de muitas espécies em necessidade de serem recolhidas.

A análise e os mapas da localização das plantas herbáceas realizados pelo CIAT “vão ajudar-nos a hierarquizar as espécies de interesse e usar os escassos recursos disponíveis para encontrar importantes novas fontes de diversidade", diz Susan McCouch, geneticista do arroz na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.

Para criar prioridades para a conservação destas espécies, os investigadores do CIAT começaram por identificar todos os parentes selvagens conhecidos de 29 culturas agrícolas globalmente importantes. Seguidamente, a equipa passou dois anos a passar os bancos de dados, os herbários e os museus a pente fino para documentar o que está actualmente em colecções e para recolher outros dados, como os avistamentos na natureza. A partir desses dados, a equipa identificou espécies que têm uma prioridade elevada para recolha e onde os conservacionistas devem focar esses esforços.

 

“É de longe a maior e mais abrangente base de dados de informação sobre a distribuição de parentes selvagens de culturas por todo o mundo", diz Colin Khoury, da Universidade de Wageningen na Holanda, que co-liderou a pesquisa. A equipa tenciona analisar os parentes selvagens de mais 60 culturas agrícolas, incorporando basicamente todos os grupos agrícolas principais, até ao final do ano.

O Fundo Global de Diversidade de Culturas Agrícolas irá usar os mapas daí resultantes, que ilustram onde os parentes selvagens destas 29 culturas têm maior necessidade de serem recolhidos, para criar parcerias com organizações conservacionistas em países como Portugal e Itália, bem como em regiões minadas por conflitos, como o Paquistão e o Sudão. parceria.

Ehsan Dulloo, chefe de conservação na Biodiversity International, um centro de investigação agrícola em Roma, diz que assegurar amostras para serem colocadas em bancos de genes é importante para a protecção das espécies, por exemplo contra a destruição via calamidades naturais ou guerras.

Khoury salienta, por exemplo, que os parentes selvagens do feijão faba, que apenas existem da Síria devastada pela guerra civil, são uma preocupação de conservação e que a destruição de habitat ameaça o milho selvagem no México. Dulloo acrescenta que esforços complementares para conservar as plantas nos seus habitats nativos não devem ser deixados para trás, de forma a permitir a essas espécies continuar a evoluir, protegendo assim o potencial de emergência de ainda mais variedade genética.

Uma barreira, diz Dulloo, é a eliminação da barreira que existe entre os interesses ambientalistas e agrícolas: “O problema é que a conservação dos parentes selvagens das culturas agrícolas na natureza está sob a jurisdição de ambientalistas mas tem muito mais interesse para os agricultores, embora os dois lados raramente falem um com o outro", diz ele. Por isso, ele está a liderar uma iniciativa de dois anos para juntar estes dois interesses, de forma que possam identificar estratégias de conservação de plantas herbáceas em

 

 

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