2013-07-22

Subject: Células estaminais reprogramadas apenas com auxílio de químicos

 

Células estaminais reprogramadas apenas com auxílio de químicos

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Andrew Brookes/Corbis

Os cientistas demonstraram uma nova forma de reprogramar tecidos adultos de forma a que as suas células se tornem tão versáteis como as células estaminais embrionárias, sem a adição de genes extra que possam aumentar o risco de mutações perigosas ou de cancro.

Desde 2006 que os investigadores tentam alcançar este objectivo, momento em que as chamadas células pluripotentes induzidas (iPS) foram relatadas pela primeira vez. Anteriormente, os cientistas já tinham conseguido reduzir o número de genes necessários usando compostos químicos de pequena dimensão mas estas tentativas nunca conseguiram impedir que pelo menos o gene Oct4 fosse necessário.

Agora, escrevendo na última edição da revista Science, os investigadores relatam sucesso na criação de células iPS apenas com a ajuda de compostos químicos, o que chamaram células CiPS.

Hongkui Deng, biólogo de células estaminais na Universidade de Pequim, analisou 10 mil pequenas moléculas para encontrar substitutos químicos para o gene. Enquanto outros grupos procuraram compostos que ocupassem directamente a posição do Oct4, a equipa de Deng seguiu uma abordagem indirecta: procuraram compostos com moléculas pequenas que pudessem reprogramar as células em presença de todos os genes habituais excepto o Oct4.

De seguida surgiu a parte mais difícil. Quando o grupo juntou os substitutos do Oct4 com os substitutos dos outros três genes, as células adultas não se tornaram pluripotentes ou mesmo capazes de se transformar em qualquer tipo de célula, diz Deng.

Os investigadores ajustaram as combinações de compostos químicos durante mais de um ano, até que finalmente encontraram uma que produzia algumas células nos primeiros estádios de reprogramação. Mas essas células ainda não mostravam os genes indicativos da pluripotência. 

Ao acrescentarem DZNep, um composto conhecido por catalisar as etapas finais da reprogramação, conseguiram finalmente células completamente reprogramadas mas apenas em número reduzido. A adição de mais um composto químicos aumentou a eficiência 40 vezes e finalmente, usando um cocktail de sete compostos, o grupo foi capaz de obter 0,2% de células para converter, um resultado comparável ao das técnicas vulgares de produção de células iPS.

A equipa provou que as células eram pluripotentes introduzindo-as em embriões de rato em desenvolvimento. Nos animais que daí resultaram, as células CiPS tinham contribuído para a formação de todos os grandes grupos celulares, incluindo do fígado, coração, cérebro, pele e músculo.

"As pessoas sempre se questionaram sobre se seria possível substituir todos os factores por pequenas moléculas. O artigo vem mostrar que podem", diz Rudolf Jaenisch, biólogo celular no Instituto Whitehead de Investigação Biomédica de Cambridge, Massachusetts, que foi dos primeiros investigadores a produzir células iPS. Outros estudos das células CiPS podem dar uma melhor ideia dos mecanismos de reprogramação, diz Jaenisch.

A proeza pode mesmo ajudar os biólogos da regeneração a compreender de que forma os anfíbios são capazes de fazer crescer novos membros. O grupo de Deng descobriu que um gene indicador de pluripotência, o Sall4, era expressado muito mais cedo no processo de reprogramação das células CiPS do que no processo das iPS. 

 

O mesmo envolvimento do Sall4 pode ser observado em rãs que regeneram membros perdidos: antes da regeneração, as células do membro 'des-diferenciam-se', um processo semelhante à reprogramação, e o gene Sall4 activa-se cedo nesse processo.

A descoberta “fornece um quadro de referência importante para decifrar as vias de sinalização que conduzem à expressão do gene Sall4” na regulação da regeneração de membros, diz Anton Neff, que estuda a regeneração de órgãos na Universidade do Indiana em Bloomington.

Sheng Ding, investigador de reprogramação celular nos Institutos Gladstone em San Francisco, Califórnia, diz que o estudo marca um “progresso significativo" no campo mas salienta que é improvável que a reprogramação química seja largamente utilizada até que a equipa possa demonstrar que funciona com células humanas e não apenas de rato. 

Outras estratégias, incluindo a que usa RNA, podem completar a reprogramação com menos risco de perturbação dos genes do que o método original de criação de iPS e estão prontas a ser usadas em humanos. De facto, os testes clínicos com células iPS derivadas por esses meios já estão em fase de planeamento.

Deng fez alguns progressos em direcção à utilização deste método em células humanas mas ainda precisará de ajustes: ”Talvez sejam necessárias algumas moléculas mais", diz ele.

Se a técnica se revelar segura e eficaz em humanos, pode ser útil na prática clínica. Não se arrisca provocar mutações e os compostos parecem ser seguros por si só, de facto, quatro deles já estão em uso clínico. As suas pequenas moléculas passam facilmente através da membrana celular, logo podem ser lavados após terem iniciado o processo de reprogramação.

 

 

Saber mais:

Autor reconhece erros em artigo sobre clonagem de células estaminais

Células estaminais criadas por clonagem

Alegado transplante de células estaminais desacreditado

Reprogramação de células ganha Nobel

Células reprogramadas desencadeiam reacção imunitária em ratos

'Circuitos' genéticos personalizados reprogramam células humanas

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com