2013-07-21

Subject: Vírus gigantes abrem caixa de Pandora

 

Vírus gigantes abrem caixa de Pandora

 

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@ Nature/Chantal Abergel/Jean-Michel ClaverieO organismo foi inicialmente apelidado NLF, como em “new life form”, ou seja, nova forma de vida. 

Jean-Michel Claverie e Chantal Abergel, biólogos evolutivos na Universidade de Aix-Marseille, França, descobriram-no numa amostra de água recolhida ao largo da costa do Chile, onde parecia estar a infectar e matar amebas.

Visto ao microscópio, parecia um ponto escuro e grande, mais ou menos do tamanho de uma célula bacteriana pequena.

Mais tarde, depois de os investigadores terem descoberto um organismo semelhante num lago australiano, aperceberam-se que ambos eram vírus, os maiores encontrados até à data.

Cada um desses vírus tem cerca de 1 micrómetro de comprimento e 0,5 micrómetros de largura e os seus genomas contêm 1,9 milhões e 2,5 milhões de bases, o os torna maiores que os de muitas bactérias e até mesmo de algumas células eucarióticas.

Mas estes vírus, descritos na última edição da revista Science, são mais do que meros batedores de recordes, eles também indiciam partes desconhecidas da árvore da vida, pois apenas 7% dos seus genes podem ser encontrados nas bases de dados existentes.

“O que raio se passa com os outros genes?", pergunta Claverie. “Isto abre uma caixa de Pandora. Que tipos de descobertas surgirão de estudarmos o seu conteúdo?" Por esta razão, os investigadores resolveram chamar a estes vírus gigantes 'pandoravírus'.

“Isto é uma descoberta fenomenal que expande substancialmente a complexidade dos vírus gigantes e confirma que a diversidade viral está largamente inexplorada", diz Christelle Desnues, virologista no Centro Nacional de Investigação Científica de Marselha, que não esteve envolvida no estudo.

Claverie e Abergel ajudaram a descobrir outros vírus gigantes, incluindo o pimeiro, baptizado Mimivírus, em 2003, e o Megavirus chilensis, que permanece o maior vírus conhecido, em 2011. O Pandoravirus salinus foi descoberto na mesma amostra de água chilena que o M. chilensis. Claverie recolheu o segundo pandoravírus, o P. dulcis, num lago perto de Melbourne, onde estava a assistir a uma conferência.

A presença dos vírus em continentes separados ajudou a estabelecer que não se tratava de artefactos de células conhecidas e sugere também os pandoravírus estão largamente disseminados, diz Claverie.

De facto, outros cientistas já os tinham erradamente confundido com bactérias parasitas ou simbióticas. Rolf Michel, parasitologista do Instituto Central do Serviço Médico de Bundeswehr em Koblenz, Alemanha, descobriu um em 2008 numa ameba que vivia na lente de contacto de uma mulher com queratite. “Ao ler este espantoso artigo, reconheço que tanto o P. salinus como o P. dulcis são praticamente idênticos ao que descrevemos há uns anos", diz ele. “Não tínhamos nenhuma ideia de que estes organismos gigantes pudessem ser vírus."

 

Os investigadores mostraram que os pandoravírus não apresentam muitas das características distintivas dos organismos celulares, como as bactérias: não produzem as suas próprias proteínas, não produzem energia via ATP e não se reproduzem por divisão.

No entanto, apresentam alguns dos genes centrais comuns aos vírus gigantes e têm um ciclo de vida viral. Ao microscópio electrónico, os investigadores viram os vírus a penetrarem nas amebas suas hospedeiras, a libertar as suas proteínas e DNA nas células hospedeiras, a tomarem de assalto o núcleo da ameba, a produzir centenas de novas partículas virais e, finalmente, a rebentar a célula hospedeira.

Os investigadores estão agora a tentar determinar a origem dos vírus caracterizando os genes desconhecidos e as proteínas que codificam. Há muito que suspeitam que os vírus gigantes evoluíram a partir de células e, se tiverem razão, os ancestrais dos pandoravírus devem ser muito diferentes das bactérias, arqueobactérias e eucariontes actuais. “Pensamos que em dado momento, a dinastia na Terra era muito mais vasta que esses três domínios", diz Abergel. Algumas células deram origem às formas de vida modernas e outras sobreviveram parasitando-as e evoluindo para vírus.

A descoberta sugere que os cientistas podem ter que rever o seu conceito do que é um vírus. “Depois de ler o artigo, muitas pessoas vão ficar a pensar se não têm nas suas prateleiras alguma coisa que pode ser um vírus gigante", diz Abergel. “Ainda temos muito mais coisas malucas em caixa que esperamos ser possível publicar no próximo ano."

 
 

 

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