2013-07-10

Subject: Queima de carvão na China está roubar anos à esperança de vida

 

Queima de carvão na China está roubar anos à esperança de vida

 

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@ Nature/Feng Li/Getty Images

Os altos níveis de partículas devidos à queima de carvão no norte altamente poluído da China podem estar a retirar mais de cinco anos à esperança de vida dos 500 milhões de pessoas que lá viveram na década de 1990, relatam os cientistas na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences

O estudo pode ajudar a prever os efeitos sobre a saúde da poluição na China actual, onde a qualidade do ar só piorou, bem como para outros países por todo o mundo.

A poluição do ar na China fez manchetes por todo o mundo durante as olimpíadas de Pequim em 2008 e novamente durante este Inverno, quando os níveis de partículas em Pequim excederam os 700 microgramas por metro cúbico, mais de 50 vezes acima do permitido pelas directrizes sobre qualidade do ar nos Estados Unidos e Europa.

Mas os esforços anteriores para quantificar os riscos a longo prazo de viver nessas condições têm sido problemáticos, diz Michael Greenstone, economista ambiental do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge e co-autor deste último estudo. Esse facto resulta dos estudos anteriores terem tentado extrapolar efeito sobre a saúde a partir de dados americanos, onde mesmo nas cidades mais poluídas os níveis de partículas são uma ordem de magnitude inferiores aos encontrados na China. Os dados sobre os efeitos sobre a saúde de níveis elevados de poluição são escassos, diz ele.

Para preencher esse vazio, Greenstone analisou os efeitos de uma política do governo chinês, que entre 1950 e 1980 forneceu carvão para aquecimento gratuitamente aos habitantes da região a norte do rio Huai e na cordilheira Qinling, uma demarcação tradicional entre o norte e o sul da China.

O objectivo da política do rio Huai era fornecer o mínimo de recursos de aquecimento aos que deles mais precisavam mas no processo criou acidentalmente uma experiência em que as pessoas a norte do rio estavam expostas a níveis de partículas no ar 55% mais elevados do que as do sul, com níveis registados a alcançarem as 550 microgramas por metro cúbico.

Para aumentar o impacto durante este período, os chineses tinham tendência a permanecer numa cidade, respirando o mesmo ar, em vez de se afastarem. “Não houve muita migração", diz Greenstone. "De facto, era mesmo restringida por lei."  Mais, a política deixou um legado de maior utilização do carvão a norte da linha divisória, onde até hoje é mais provável as casas terem aquecimentos a gás construídos há décadas.

Comparando a poluição atmosférica chinesa com os dados de saúde, Greenstone descobriu um salto acentuado não só na taxa de mortalidade, mas no caso de uma única variável da poluição do ar, as partículas, exactamente na linha do rio Huai. Ainda mais notoriamente, o aumento na taxa de mortalidade a norte da linha era inteiramente devida a doenças cardiorrespiratórias.

 

Ainda que o estudo seja baseado em dados de há duas décadas, os investigadores dizem que pode ajudar a prever os efeitos sobre a saúde dos actuais níveis de poluição atmosférica, que são ainda mais elevados do que nos anos 90. 

A descoberta, diz Greenstone, é uma informação útil para os países em desenvolvimento que tentam encontrar um equilíbrio entre o crescimento económico e a saúde ambiental mas também pode ter o seu papel nos debates sobre alterações climáticas.

“Este estudo salienta que a redução do uso de combustíveis fósseis, especialmente o carvão, podem ter benefícios imediatos que não apenas relativos ao clima", diz Greenstone. “Este é um bom argumento para os chineses reduzirem a sua dependência do carvão, não apenas para apaziguar os americanos e os europeus, mas para melhorar a saúde e o bem-estar dos seus cidadãos."

Jonathan Samet, director do Instituto para a Saúde Global da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, aplaude o estudo como uma investigação muito directa, apesar de salientar um problema menor que é o de os dados sobre a poluição chinesa usados medirem o total de partículas em suspensão e não a actualmente preferida medida PM 2.5 de partículas que penetram nos pulmões com menos de 2,5 micrómetros.

Ainda assim, diz ele, o artigo mostra claramente que a China enfrenta “um fardo de poluição do ar gigantesco", que exige "acções vigorosas".

 

 

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