2013-07-06

Subject: Transplantes de células estaminais podem eliminar HIV

 

Transplantes de células estaminais podem eliminar HIV

 

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@ Nature/International AIDS Society/Steve Forrest/Workers' Photos

Dois homens infectados com HIV podem ter sido curados após receberem transplantes de células estaminais para tratamento linfomas, anunciaram os seus médicos na Conferência da Sociedade Internacional da SIDA em Kuala Lumpur.

Um dos homens recebeu transplantes de células estaminais para substituir as células-mães sanguíneas da medula óssea há cerca de três anos e o outro há cinco anos. Os seus regimes eram semelhantes ao usado em Timothy Ray Brown, o 'paciente de Berlim' que tem vivido livre do HIV desde há seis anos e é, até agora, o único adulto a ser declarado curado da infecção por HIV.

Em Julho último, os médicos anunciaram que os dois homens, os 'pacientes de Boston', pareciam estar a viver sem níveis detectáveis de HIV no sangue mas ainda estavam, na altura, a tomar medicação anti-retroviral .

Timothy Henrich, especialista em HIV no Hospital Feminino Brigham em Boston, Massachusetts, que ajudou a tratar os dois homens, diz que eles já pararam de tomar a medicação anti-retroviral sem qualquer efeito negativo. Um deles já não toma medicação há 15 semanas e o outro há sete. Nenhum dos dois apresenta qualquer vestígio de DNA ou RNA de HIV no sangue, reforça Henrich.

Se os dois homens se mantiverem saudáveis, serão os terceiro e quarto pacientes a ser curados de uma infecção por HIV, depois de Brown e de um bebé no Mississípi que recebeu terapia anti-retroviral log após o nascimento.

Mas Henrich e Daniel Kuritzkes, seu colega em Brigham e que também trabalhou com os dois homens, alertam para o facto de ser demasiado cedo para se saber se os pacientes de Boston estão curados. Para isso, os médicos precisarão de seguir cuidadosamente os homens pelo menos durante um ano, pois o vírus pode estar lactente em reservatórios como o cérebro ou o intestino, onde pode permanecer durante décadas.

“Estamos a ser muito cuidadosos em não dizer que estes pacientes estão curados", diz Kuritzkes. “Mas as descobertas até ao momento são muito encorajadoras."

O investigador de HIV Steven Deeks, da Universidade da Califórnia, San Francisco, diz que os médicos podem precisar de esperar pelo menos dois anos antes de declararem que a cura foi alcançada. “Qualquer evidência de que poderemos curar a infecção por HIV permanece um enorme avanço mas tem havido muitos casos de pacientes que ficaram muitas semanas sem terapia antes de o vírus regressar."

Ainda assim, os investigadores e os médicos estão entusiasmados com estas notícias, especialmente porque o tratamento dos pacientes de Boston é diferente do regime do paciente de Berlim num aspecto crucial. Brown recebeu células estaminais predispostas a resistir à infecção por HIV, pois o seu dador tinha uma versão mutada da proteína CCR5, essencial para que o HIV infecte as células. 

Assim, o transplante de Brown foi uma espécie de terapia genética com células resistentes ao HIV mas os pacientes de Boston receberam células estaminais sem a mutação protectora.

 

Portanto, as células transplantadas devem tê-los protegido da infecção através dos medicamentos anti-retrovirais recebidos durante o tratamento do cancro. Os seus médicos pensam que uma resposta imunitária conhecida por doença do enxerto contra hospedeiro, uma reacção pós-transplante em que as células doadas matam as próprias células do paciente, pode ter eliminado os reservatórios de HIV do paciente, potencialmente curando os dois homens.

A especialista em transplantes Christine Durand, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, diz que o caso dos pacientes de Boston pode mostrar que os medicamentos anti-retrovirais são suficientemente poderosos, por si só, para proteger as células transplantadas: “Se a cura tiver sido alcançada nos pacientes de Boston, então foi a terapia anti-retroviral, e não a terapia génica, que protegeu as células dadoras."

A descoberta é muito importante para pessoas com HIV que também precisem de transplantes de células sanguíneas mas é improvável que o tratamento possa ser usado de forma mais generalizada pois os riscos deste tipo de transplante são elevados. Durand diz que o Johns Hopkins está agora a rever os seus procedimentos de transplante para manter as pessoas com cancro e HIV em simultâneo a tomar os medicamentos anti-retrovirais durante o regime de transplante.

Separadamente, o Grupo Internacional de Testes Clínicos Maternos, Pediátricos e Adolescentes de SIDA (IMPAACT), sediado em Silver Spring, Maryland, está a tentar replicar a cura do paciente de Berlim fornecendo sangue com células mutadas CCR5 resistentes ao HIV provenientes de cordões umbilicais a crianças e adultos com cancro e HIV.

Todos os pacientes com infecções de HIV poderão beneficiar deste trabalho, dizem os investigadores, pois pode fornecer informação valiosa sobre a forma de eliminar os reservatórios do vírus no corpo. “Ainda estamos muito longe de uma cura que seja uma opção viável para a maioria dos pacientes", diz Durand. “Mas todos os passos contam e estes casos podem ensinar-nos lições importantes."

 

 

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