2013-07-05

Subject: Traças-esfinge atingem morcegos com disparos sónicos produzidos pelos seus ... genitais!

 

Traças-esfinge atingem morcegos com disparos sónicos produzidos pelos seus ... genitais!

 

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Eis o que se pode chamar um ferramenta multiúsos: várias espécies de traças tropicais conseguem raspar os genitais contra o abdómen para lançar fortes feixes de ultra-sons contra morcegos que se aproximem, possivelmente conseguindo com isso despistar os seus predadores.

Os morcegos e as traças estão envolvidos numa corrida às armas natural há perto de 65 milhões de anos, cada um desenvolvendo estratégias para tentar suplantar o outro. Os cientistas há muito que sabem que as traças-tigre da família Arctiidae bombardeiam os morcegos com sinais ultra-sónicos semelhantes aos usados pelos morcegos na ecolocação para a busca de presas mas assumia-se que estas traças pertenciam ao único grupo capaz de imitar os sinais dos morcegos.

O ecologista comportamental Jesse Barber, da Universidade Estadual de Boise no Idaho, e o filogeneticista Akito Kawahara, da Universidade da Florida, Gainesville, partiram para o Bornéu para tentar a sua sorte com as traças-esfinge, uma numerosa família de insectos excelentes voadores, muitos dos quais podem ser encontrados nos trópicos.

Depois de as atraírem com luzes, os investigadores apanharam cada traça espinhosa manualmente, “antes de apanharmos o jeito da coisa ficamos com muitos dedos picados", recorda Barber, e colocaram-nas em pequenos arneses feitos com linha de pesca e palhinhas de refresco.

Quando os investigadores dirigiam gravações de ultra-sons produzidos por morcegos na direcção das traças, descobriram que três espécies (Cechenena lineosa, Theretra boisduvalii e Theretra nessus) das que tinham capturado emitiam cliques de ultra-sons em resposta. 

Os machos produziam esses cliques raspando rapidamente escamas rígidas da superfície externa dos seus claspers, estruturas normalmente usadas para prender as fêmeas durante o acasalamento, contra o abdómen, relatam os investigadores. As fêmeas também parecem ser capazes de dobrar parte das escamas que cobrem a sua genitália de forma a que rocem contra o seu abdómen.

O objectivo de tudo isto não é conhecido. Talvez os ultra-sons das traças sirvam como uma aviso ao estilo bravata aos morcegos sobre as patas espinhosas e excelentes capacidades aéreas das traças-esfinge. Ou talvez as traças-esfinge estejam a perturbar o sonar dos morcegos, como se sabe que uma das espécies de traça-tigre faz. 

 

Seja qual for a resposta, o facto de as traças-esfinge também produzirem cliques ultra-sónicos significa que é provável “que existam ainda mais grupos de insectos capazes de bombardear ultra-sons contra os morcegos", diz Barber. Claramente, é “uma estratégia muito boa para os insectos usarem".

A nova descoberta é “mesmo muito gira", diz o neuroetologista John Ratcliffe, da Universidade do Sul da Dinamarca em Odense. As traças-esfinge e as traças-tigre têm ouvidos capazes de detectar o sonar dos morcegos e estruturas capazes de produzir cliques ultra-sónicos, apesar de cada uma delas ter estes órgãos em locais muito diferentes: as traças-esfinge têm os ouvidos nas faces, enquanto as traças-tigre os têm no tórax e produzem os ultra-sons com membranas também no tórax. 

Estes aspectos tornam as duas espécies soberbos exemplos de evolução convergente, com o surgimento de estruturas semelhantes em grupos separados de animais: “Em ambos os casos, ouvidos e produção de som, é uma dupla convergência, o que é mesmo espectacular", diz Ratcliffe.

 

 

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