2013-07-01

Subject: Lampreias-macho aquecem-se para o sexo

 

Lampreias-macho aquecem-se para o sexo

 

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@ BBC

As lampreias-macho aquecem depósitos especiais de gordura durante os seus encontros sexuais, descobriram os cientistas. 

Estes vertebrados bizarros são mais conhecidos pelas suas bocas redondas, cheias de dentes e com uma língua afiada que utilizam para sugar sangue dos seus hospedeiros mas os machos também apresentam uma saliência de tecidos ao longo do dorso, que esfregam contra as fêmeas durante a corte.

Investigadores americanos descobriram agora que este tecido gera calor em presença de fêmeas em ovulação e aquece mais para umas que para outras. A equipa da Universidade Estadual do Michigan, publicou os seus resultados na revista Journal of Experimental Biology.

As lampreias são animais parasitas que vivem no Atlântico norte. Semelhantes morfologicamente a enguias, estes vertebrados sem mandíbulas podem atingir, em adultos, 45 cm de comprimento.

Os investigadores começaram por investigar a saliência dorsal dos machos, baptizada pelos biólogos 'tecido corda' depois de observarem como era usada nas danças de cortejamento.

"Inicialmente pensámos que poderia ser um mecanismo mecânico", recorda Weiming Li, neurobiólogo e membro da equipa que realizou o estudo. "As fêmeas são mais passivas e os machos enrolam o seu corpo em volta da barriga das fêmeas, quase como se estivesse a arrancar os óvulos dela."

Os machos maduros libertam uma feromona para atrair as fêmeas até ao seu ninho, onde esfregam este tecido corda contra os abdómenes das fêmeas. Se as fêmeas responderem favoravelmente, os machos mordem-lhes a cabeça com o seu disco oral e enrolam-se em volta do seu corpo.

A desova termina com ambos os animais a contraírem-se para libertar os gâmetas, que se fundem e continuarão o seu desenvolvimento no ninho.

Ao microscópio, os cientistas descobriram que o tecido corda era espantosamente semelhante à gordura castanha que se encontra em alguns mamíferos e que lhes permite aquecer sem exercício.

A equipa ficou intrigada com esta semelhança pois apesar de a gordura castanha ser essencial para espécies que precisam de manter a sua temperatura corporal, as lampreias flutuam para igualar a temperatura do seu ambiente marinho.

Por essa razão, cientes de que as lampreias não precisam desta gordura especial para se manterem quentes, os investigadores resolveram investigar o papel que poderia desempenhar na reprodução.

Usando minúsculas sondas de temperatura, a equipa foi capaz de registar de que forma o tecido reagia na presença de uma fêmea. Descobriram que a temperatura do tecido corda subia imediatamente 0,3º C quando uma fêmea em ovulação estava por perto.

 

Li sugeriu que depois de atrair as fêmeas para o ninho com feromonas, os machos poderiam estar a usar o tecido aquecido para coordenar ou estimular as fêmeas a juntar-se à desova. Ele ficou fascinado com a velocidade a que este sinal era transmitido ao tecido e tenciona voltar a esta questão em estudos futuros.

As lampreias marinhas são anádromas, ou seja, nascem em água doce, migram para o mar onde passam a sua vida adulta e eventualmente regressam à água doce para desovar e morrer.

Em vários países europeus, o crescente número de avistamentos de lampreias em rios é considerado um sinal da melhoria da qualidade da água pois estes animais apenas se reproduzem em habitats de águas doces limpas.

Já na região americana dos Grandes Lagos, este predador agressivo é considerado uma praga. Nativos do Atlântico norte, estes vertebrados avançaram para os lagos depois da construção dos canais no século XIX e estão agora a ameaçar o equilíbrio ecológico da região.

Estes animais primitivos prendem-se aos peixes maiores com as suas bocas cheias de dentes e raspam-lhes a carne com a língua tipo lixa para sugar sangue e fluidos corporais, o que lhes valeu a alcunha de "peixes vampiros".

Os investigadores estão a trabalhar numa feromona sintética para ajudar a atrair as lampreias para fora dos Grandes Lagos e rios envolventes, onde desovam.

"Trabalho na biologia das lampreias há muitos anos e acredito que devemos conhecer o nosso inimigo", diz Li, cujo trabalho é apoiado pela Comissão de Pescas dos Grandes Lagos. "Como a reacção é tão aparente, suspeito que o macho está a enviar um sinal e se encontrarmos uma forma de impedir este sinal provavelmente teremos uma forma eficiente de evitar que se reproduzam."

 

 

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