2013-06-29

Subject: Amigos ajudam macacos a sobreviver em tempos difíceis

 

Amigos ajudam macacos a sobreviver em tempos difíceis

 

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Quando se fala de amizade, pode ser a quantidade, e não a qualidade, o mais importante, pelo menos para os macacos-de-Gibraltar em tempos de crise. 

Há muito que os cientistas sabem que os humanos mais sociais vivem mais tempo que os seus pares mais solitários mas será a situação igualmente verdadeira para os animais? Uma dura experiência natural pode oferecer algumas respostas mas também levanta questões intrigantes sobre o tipo de laços sociais que realmente importam.

Os ameaçados macacos-de-Gibraltar Macaca sylvanus das montanhas marroquinas estão acostumados ao frio mas o Inverno de 2008–09 foi devastadoramente duro para eles. A neve cobriu o solo durante quase quatro meses, em vez do habitual mês, e os macacos, que se alimentam de sementes e ervas no solo, começaram a morrer de fome.

Richard McFarland, ecologista comportamental na Universidade de Witwatersrand em Johannesburg, África do Sul, estava a estudar os animais no âmbito de um projecto mais alargado sobre a vida social dos macacos lançado em Janeiro de 2008. Quando fomos procurar os macacos em Janeiro de 2009 só encontrámos cadáveres, recorda McFarland.

Dos 47 adultos dos dois grupos que a equipa estudava, apenas 17 sobreviveram, o que coloca a taxa de mortalidade em 64%, relatam McFarland e o seu colega Bonaventura Majolo, da Universidade de Lincoln, Reino Unido, na revista Biology Letters

Análises mostraram que quanto mais amigos os macacos tinham, maior a probabilidade de ter sobrevivido. Indivíduos com quem um macaco tinha tido contacto corporal pelo menos uma vez durante as sessões de observação foram considerados contactos sociais.

Talvez os animais com mais amigos tivessem mais parceiros com os quais se aninhar contra o frio, sugerem os investigadores. Os macacos com redes sociais grandes também podem ter sido capazes de procurar alimento com menos interrupções por parte de membros hostis do grupo.

No entanto, o que não previa a sobrevivência era a qualidade das amizades dos macacos, medida por factores como a quantidade de tempo que dois macacos passavam juntos. Estudos anteriores em babuínos tinham mostrado que a longevidade e o sucesso reprodutivo estavam associados à qualidade dos contactos sociais, e não à sua quantidade. 

 

Mas McFarland defende que faz sentido que a pura quantidade seja importante para a sobrevivência a uma catástrofe. Num desastre, um indivíduo que perca os seus poucos amigos próximos “fica sem nada", diz ele. “Agora compare isso com alguém que tem dez relacionamentos: se um deles perecer durante o Inverno, ainda terá nove outros a quem recorrer."

Outros investigadores louvam o trabalho mas têm opiniões diversas sobre a natureza dos laços sociais que contam. 

O estudo “é uma peça de história natural muito interessante" que se vem somar às evidências de que a sociabilidade é importante, diz Joan Silk, ecologista comportamental de primatas na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que trabalho na sociabilidade entre babuínos. Mas ela está “menos convencida sobre as descobertas do estudo sobre a quantidade das relações".

Guy Cowlishaw, ecologista comportamental no Instituto de Zoologia em Londres, concorda com a descoberta de que macacos com muitos laços sociais superficiais podem dar-se melhor nesta situação do que aqueles com amizades profundas. Ele acrescenta que o artigo de McFarland é valioso por lançar luz sobre a forma como os eventos extremos trazidos pelas alterações climáticas irão afectar os primatas, perto de metade dos quais, salienta ele, já estão em risco de extinção. 

 

 

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