2013-06-27

Subject: Esforço para alcançar cura para SIDA acelera

 

Esforço para alcançar cura para SIDA acelera

 

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@ Nature/Gideon Mendel/Corbis for UNICEF

As mães HIV-positivas que seguem terapias anti-retrovirais enquanto grávidas podem ser impedidas de transmitir o vírus aos bebés 99% das vezes, uma história de sucesso retumbante na luta décadas contra o vírus.

Mas e as crianças cujas mães não recebem os medicamentos? Entusiasmados pelo caso do bebé do Mississippi, que parece estar curado do HIV depois de ter começado um tratamento agressivo no espaço de horas após o nascimento, os investigadores esperam mostrar que também essas crianças podem ter um início de vida saudável.

Num simpósio sobre investigação na cura do HIV a 29 de Junho, a realizar no encontro bienal da Sociedade Internacional da SIDA em Kuala Lumpur, Malásia, os investigadores irão descrever como estão numa corrida para conceber um teste clínico para verificar se o tratamento precoce funciona e porquê. Eles esperam tratar os primeiros bebés até ao final deste ano.

O teste, patrocinado pelo Grupo de Testes Clínicos Internacionais de SIDA Maternos, Pediátricos e Adolescentes (IMPAACT), marca uma mudança no campo: até agora a maioria da investigação mundial estava focada nos adultos. Em 2012, o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas em Bethesda, Maryland, gastou US$18 milhões na investigação da cura em adultos e adolescentes e apenas $45 mil em crianças. No entanto, 3,3 milhões de crianças em todo o mundo têm SIDA.

“As crianças têm sido deixadas para trás", diz Jeffrey Safrit, director de investigação básica e clínica na Fundação Pediátrica Elizabeth Glaser para a SIDA de Los Angeles, Califórnia. “Mas o sistema imunitário da criança pode ser mais facilmente manipulado de forma a permitir a cura."

Este facto foi salientado em Março, quando a virulogista Deborah Persaud, do Centro Pediátrico Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, anunciou que um bebé do Mississippi que recebeu tratamento contra o HIV no espaço de 31 horas após o nascimento, tinha parado a medicação aos 18 meses sem que o vírus regressasse. Os investigadores já sabiam que o tratamento precoce podia ajudar as crianças a controlar o HIV mas ficaram surpreendidos por ter conseguido basicamente elimina-lo do corpo da criança usando medicamentes já existentes.

O tratamento precoce contra o HIV é benéfico para os pacientes de qualquer idade pois impede a replicação do vírus antes que possa infectar as células T memória, o principal reservatório onde o HIV se esconde dos medicamentos. 

Mas os investigadores pensam que os bebés são melhores alvos para a cura do HIV que os adultos porque os seus sistemas imunitários imaturos respondem mais suavemente quando provocados. Como as células envolvidas nesta reacção inflamatória são as mesmas que são mais susceptíveis ao HIV, isto pode significar que as crianças são menos propensas à propagação da infecção. Mais, os bebés nascem sem células T logo terão um reservatório menor de células infectadas, diz Mike McCune, imunologista na Universidade da Califórnia, San Francisco.

O estudo do IMPAACT, a ser conduzido em alguns dos 71 locais do grupo em todo o mundo, irão analisar e tratar centenas de bebés para encontrar 20 a 30 crianças que tenham adquirido HIV de mães não tratadas ou daquelas em que o HIV não ficou bem controlado durante a gravidez. 

Como o diagnóstico do HIV demora até 7 dias, todos os bebés analisados receberão automaticamente tratamento semelhante ao do bebé do Mississippi: um cocktail de três medicamentos no espaço de 48 horas após o nascimento. Os médicos vão acrescentar um quarto medicamento se os bebés testarem positivo para o HIV. 

 

Por volta dos três anos, as 20 a 30 crianças serão testadas para verificar se os seus sistemas imunitários produzem anticorpos contra ao HIV ou se este pode ser detectado no seu sangue. Os que testarem negativo das duas vezes podem então deixar de tomar os medicamentos para que se veja se continuam livres do HIV.

Os desafios práticos e éticos do teste são significativos. Os bebés de de mulheres HIV-positivas não tratadas têm apenas 15 a 30% de hipóteses de ser infectados ao nascimento, logo o teste precisa de recrutar muitos bebés para tentar curar os poucos que são infectados. Aqueles que não contraiam HIV serão tratados na mesma, talvez expondo-os aos efeitos secundários dos medicamentos, geralmente suaves mas que ainda assim podem destruir certos tipos de células sanguíneas.

Mas as crianças nascidas de mulheres HIV-positivas não tratadas já recebem até três medicamentos após o nascimento, como precaução. O potencial para encontrar uma cura ultrapassa claramente os riscos de acrescentar outro medicamento ou de parar o tratamento para testar se a cura funcionou, diz Yvonne Bryson, médica do Hospital Pediátrico Mattel da Universidade da Califórnia, Los Angeles, e co-secretária do teste: “Há muito mais benefícios potenciais do que riscos."

Os médicos já estão a considerar alterar a forma como tratam crianças infectadas com o vírus. Bryson diz que as famílias com adolescentes HIV-positivos que são tratados logo após o nascimento e mantidos com medicação estão agora a pedir que os adolescentes sejam retirados do tratamento.

Ultimamente, as 34 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com o HIV podem também beneficiar, dizem os investigadores. Afinal as crianças são mais dispostas a curas pois têm uma resposta inflamatória menos activa, que pode encorajar os médicos a prescrever tratamentos menos propícios a desencadear a inflamação em adultos, diz McCune.

Bryson, que trabalha com o HIV desde que o primeiro caso foi detectado, pensa que o fim pode estar à vista. “Eu vi o paciente zero”, diz Bryson. “Sempre estive entusiasmado com a ideia de que também veria o dia em que chegaríamos a uma cura e penso que estamos lá."

 

 

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