2013-06-25

Subject: Tartarugas no ovo movem-se ao ritmo do calor

 

Tartarugas no ovo movem-se ao ritmo do calor

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Nature Production/naturepl.comPara as tartarugas chinesas de Reeve Chinemys reevesii, a autodeterminação começa cedo.

Um estudo agora publicado na revista Biology Letters sugere que, enquanto embriões, estes répteis se movem no interior do ovo para regular a sua temperatura corporal e, por sua vez, determinar o seu próprio sexo.

“Os nossos resultados sugerem que os animais podem seleccionar activamente o seu destino, mesmo no estádio muito precoce de embriões”, diz Wei-Guo Du, ecologista na Academia Chinesa de Ciências de Pequim e líder da equipa que realizou o estudo.

A descoberta contradiz a há muito mantida assunção de que nos répteis a temperatura dos embriões é determinada apenas pelo ambiente em que a mãe põe os ovos. Para a C. reevesii, isso é significativo pois embriões que se desenvolvem em condições mais frescas são essencialmente machos e os que se desenvolvem em condições mais quentes são essencialmente fêmeas.

Du descobriu que os embriões da tartaruga C. reevesii ajustam a sua temperatura movendo-se para zonas mais quentes ou mais frias no interior do ovo, tal como as tartarugas adultas se deslocam para o sol ou para a sombra para regular a temperatura corporal.

Estudos anteriores que examinaram uma outras espécie de tartaruga também sugeriam que os embriões se podem deslocar de zonas frias para zonas quentes no interior do ovo mas a equipa de Du foi mais longe, testando se, como os adultos, os embriões também se deslocavam para longe de zonas perigosamente quentes.

Os investigadores colocaram 125 ovos numa incubadora a 26 °C e distribuíram aleatoriamente os ovos por cinco grupos. Os embriões que não sofriam nenhum outro tratamento e os que eram aquecidos a 29 °C de um dos lados ao longo de todo o comprimento, permaneciam no meio dos ovos. Os embriões em ovos aquecidos a 29 °C ou 30 °C nas extremidades estreitas deslocavam-se para essas zonas mais quentes mas os de ovos aquecidos a 33 °C nas extremidades estreitas (expostos a uma temperatura que se sabe ser demasiado elevada para tartarugas em desenvolvimento) afastavam-se dessa zona.

Para confirmar que as minúsculas tartarugas estavam a controlar o movimento no interior dos seus ovos, a equipa incubou 41 ovos de C. reevesii de maneira a que a temperatura numa das extremidades se mantivesse a 28 °C, a temperatura óptima do seu desenvolvimento. 

Após 10 dias, os cientistas mataram aleatoriamente metade dos embriões em desenvolvimento e uma semana depois mediram as alterações, se algumas houvesse, na localização de todos os embriões, mortos e vivos. Descobriram que os embriões vivos se tinham deslocado para a extremidade quente do ovo, enquanto os embriões mortos permaneciam no lugar, o que implica que são mesmo as pequenas tartarugas que controlam o seu movimento no interior do ovo.

Este comportamento termorregulador no interior do ovo está provavelmente generalizado nos répteis e até talvez nas aves, diz Du, pelo menos nas espécies com ovos suficientemente grandes para permitirem variações apreciáveis de temperatura. Isso pode dar muito jeito às espécies neste clima em aquecimento, acrescenta ele, pois pode ajudar os embriões a evitar temperaturas perigosamente elevadas.

 

George Parsons, director sénior do Departamento de Pescas do Aquário John G. Shedd de Chicago, também espera que os resultados do estudo sejam replicáveis em muitos outros répteis, apesar de não estar optimista quanto à perspectiva de os embriões se salvarem a si próprios do aquecimento global: “O comportamento pode amenizar os efeitos das alterações climáticas mas apenas em certo grau."

Parsons também gostaria de ver mais trabalhos sobre a forma como as novas descobertas se relacionam com a determinação sexual: “Teriam embriões específicos uma predisposição para se deslocar em direcção ao calor ou no sentido oposto?"

Ainda que valorizando o estudo na sua globalidade, Fredric Janzen, ecologista na Universidade Estadual do Iowa em Ames, questiona se as descobertas conduzem os rácios sexuais das tartarugas na natureza. 

Numa grande variedade de tartarugas em que a determinação do sexo depende da temperatura, salienta ele, os rácios sexuais dos juvenis são fortemente determinados por outros factores, como o coberto vegetal sobre os ninhos, temperaturas globais e níveis de esteróides na gema. “Tudo isso não parece deixar muito espaço para este mecanismo de termorregulação embrionária, se é que é genérico nas tartarugas, ter um efeito substantivo nas determinação do sexo dos descendentes", diz Janzen.

 

 

Saber mais:

A grande evacuação de ovos de tartaruga

Poluição luminosa cria eco-armadilhas

Nascimentos virgens observados em víboras selvagens

Nascimentos virgens em boas

Nascimentos virgens de dragões espantam zoológicos

Condenados a uma vida de sexo único pelas alterações climáticas

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com