2013-06-22

Subject: Molécula simples impede ratos-toupeira de desenvolver cancro

 

Molécula simples impede ratos-toupeira de desenvolver cancro

 

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@ Nature/Brandon Vick/University of RochesterAs mesmas moléculas que permitem que os ratos-toupeira nus tenham uma pele enrugada e elástica também parecem impedir estes roedores de desenvolver cancro.

A investigação publicada online na revista Nature, identifica uma secreção celular glicídica que impede a propagação do que seriam futuros tumores.

Os ratos-toupeira nus Heterocephalus glaber, parentes mais próximos dos porcos-espinhos que dos ratos, são criaturas muito bizarras. Os animais são meio cegos e passam a vida em colónias subterrâneas ao serviço de uma única rainha reprodutora (H. glaber é uma das duas únicas espécies de mamíferos 'eusociais' de que há conhecimento). O roedor não sente a pungência dos ácidos, nem o calor dos piri-piris e parece ser o único mamífero incapaz de regular a temperatura do corpo.

No entanto, a sua longevidade e impunidade ao cancro são a razão porque o biólogo Andrei Seluanov mantém perto de 80 ratos-toupeira nus em instalações especiais perto do seu laboratório na Universidade de Rochester, no estado de Nova Iorque. Sabe-se que os animais chegam a viver 32 anos e os cientistas nunca viram um com cancro. Já os ratos, raramente vivem para além dos 4 anos e morrem frequentemente de cancro.

Em 2009, a equipa de Seluanov relatou que os ratos-toupeira nus têm fibroblastos sensíveis à presença de outras células e que, em caixa de Petri, crescem menos densamente que os fibroblastos de rato. Para inconveniência dos trabalhadores do seu laboratórios, o caldo que usavam para alimentar as células frequentemente se tornava tão viscoso que entupia os canos.

“A nossa técnica andava aborrecida porque precisava de abrir toda a tubagem para limpar aquele líquido viscoso e nojento", recorda Seluanov. “Disse ao meu estudante de graduação que tínhamos que descobrir o que era aquela substância, pois podia estar relacionada com a sua resistência ao cancro. Claro que na altura era apenas um palpite louco.”

Rapidamente a equipa descobriu que o problema dos canos era o resultado de um glícido chamado ácido hialurónico (HA). Os fibroblastos exsudam HA e, juntamente com colagénio e outros compostos químicos, forma a matriz extracelular que dá aos tecidos a sua forma e torna a pele elástica. Os ratos-toupeira nus, descobriu a equipa de Seluanov, produzem grandes quantidades de cadeias longas de HA.

 

Os investigadores suspeitaram que as longas moléculas HA formavam uma caixa justa em redor das células, impedindo a replicação das células tumorais sem limitações e essencialmente bloqueando os 'pré-cancros' antes de se desenvolverem. Em experiências de cultura de tecidos, as células dos ratos-toupeira podem ser tornadas cancerosas ao bloquear o gene que codifica o HA ou aumentando os níveis duma proteína que recicla o glícido. Essas células, quando implantadas sob a pele de ratos, formavam tumores com facilidade.

Vadim Gladyshev, biólogo molecular na Escola Médica de Harvard em Boston, Massachusetts, diz que o artigo apoia fortemente a ideia de que o HA protege os ratos-toupeira nus conctra o cancro mas acrescenta que deve haver outros mecanismos em acção. Por exemplo, quando ele sequenciou o genoma da espécie, identificou numerosos genes associados ao cancro diferentes dos encontrados noutros vertebrados.

Rochelle Buffenstein, gerontóloga na Universidade do Texas em San Antonio, que, com 2500 animais, é responsável pela maior colónia de ratos-toupeira nus do mundo, diz que não é claro de que forma o HA protege contra o cancro mas que revelar os mecanismos anti-cancro dos ratos-toupeira fornecerá pistas que poderão ser usadas contra os cancros humanos.

Mas primeiro a equipa de Seluanov tenciona transportar o seu trabalho para a prevenção do cancro em ratos de laboratório. Os investigadores esperam usar engenharia genética para fornecer aos ratos moléculas de HA como as dos ratos-toupeira nus. Medicamentos que conduzam à produção de moléculas longas de HA podem, um dia, ser benéficas na prevenção dos cancros humanos, diz ele. 

 

 

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