2013-06-21

Subject: Violência contra mulheres atinge proporções epidémicas

 

Violência contra mulheres atinge proporções epidémicas

 

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@ Nature/Susanne Borges/A.B./Corbis

Três em cada dez mulheres de todo o mundo já foram esmurradas, empurradas, arrastadas, ameaçadas com armas, violadas ou sujeitas a alguma outra forma de violência por parte do seu actual ou antigo parceiro. Cerca de uma em cada dez foi atacadas sexualmente por outro que não o seu parceiro e das mulheres assassinadas, mais de uma em cada três foram mortas por um parceiro íntimo.

Estas estatísticas negras surgem nas primeiras estimativas sistemáticas globais de violência contra as mulheres. Artigos associados publicados nas revistas The Lancet e Science avaliam, respectivamente, com que frequência as pessoas são mortas pelos seus parceiros e quantas mulheres sofrem violência às mãos dos seus parceiros.

Um relatório e directrizes associados, da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Genebra, conjuntamente com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e o Conselho Sul-africano de Investigação Médica de Pretória, estimam a frequência as mulheres sofrem violência sexual por parte de outros que não um parceiro, avaliam o impacto da violência de parceiros e não parceiros sobre a saúde das mulheres e aconselham os serviços de saúde sobre a melhor forma de apoiar as vítimas.

“Estes números devem ser um sinal de alarme, queremos salientar que se trata de um problema em todas as regiões e que surge a taxas inaceitavelmente altas", diz Claudia García-Moreno, médica da OMS e coordenadora da investigação sobre violência de género e participante em todas as publicações.

Segundo o relatório da OMS, 42% das mulheres que sofreram violência foram feridas fisicamente pelos seus parceiros mas a violência magoa as mulheres muito para além disso. Os parceiros violentos podem impedir as mulheres de ter acesso a estabelecimentos médicos, a cuidados de saúde ou a contracepção. As mulheres que sofrem violência por parte de um parceiro têm maior probabilidade de ficar infectadas com HIV ou outras doenças sexualmente transmissíveis, sofrer abortos, dar à luz bebés prematuros com de baixo peso e de tentar o suicídio. 

Também têm maior probabilidade de sofrer de alcoolismo e o dobro da probabilidade de sofrer de depressão, factores que podem ser simultaneamente a causa e o resultado da violência do parceiro. Para além disso, os autores salientam que o aumento dos níveis de stress estão implicados num leque de problemas de saúde, incluindo dores crónicas, diabetes, doenças cardíacas e perturbações gastrointestinais.

Estes números significam que a violência devia ser incluída nos riscos de saúde vulgarmente mencionados, como o tabaco ou o abuso de álcool, diz Kristin Dunkle, epidemiologista social na Universidade de Emory em Atlanta, Georgia, que não esteve envolvida nos estudos. “Este é o momento para dizer que ninguém se pode dar ao luxo de enterrar a cabeça na areia e que ninguém está realmente preocupado com a saúde das mulheres se não estiver preocupado com a violência."

Os dados surgem em resultado de um esforço concertado ao longo de vários anos para desenvolver e disseminar métodos de medição de violência de género, diz Rachel Jewkes, chefe do Conselho Sul-africano de Investigação Médica em Pretória. “Ao dizermos que vamos medi-la estamos a colocar a questão na agenda científica."

Até tão recentemente como há 15 ou 20 anos, os governos geralmente consideravam a violência doméstica como algo privado e inevitável, algo em que os governos tinham pouca possibilidade de actuação, diz ela. Ter números globais coloca a violência no radar das “entidades globais que buscam um valor para mostrar que a violência é um problema".

Para compilar as suas estimativas, cada relatório analisou a literatura revista por pares e a chamada 'literatura cinzenta', como as estatísticas e relatórios compilados por agências governamentais. Para estimar a prevalência de violência contra as mulheres por todas as regiões e faixas etárias, por exemplo, dúzias de investigadores analisaram mais de 25 mil abstractos, diz Karen Devries, epidemiologista social na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que trabalhou nos relatórios.

 

A equipa de Devries procurou estudos que avaliassem a prevalência de violência em países inteiros ou regiões no seu interior. Também fizeram ou pediram análises adicionais de quatro sensos internacionais. No total, as suas estimativas baseiam-se em dados de 141 estudos em 81 países, com 80% das estimativas baseadas no que são considerados métodos com standards de ouro, entrevistas pessoais privadas em que as mulheres descreveram actos específicos de violência, incluindo chapadas, pontapés, uso de armas e violação continuada.

Os estudos também foram ajustados para as diferenças de concepção e qualidade metodológica. As taxas mais elevadas de violência de parceiros, estimadas entre 54% e 78%, foram encontradas na África subsaariana mas mesmo em regiões com rendimentos elevados da Ásia, América do Norte e Europa ocidental revelaram taxas acima de 15%. Estas sobem consideravelmente quando se considera também a violência sexual devida a não parceiros.

Os estudos ainda contêm falhas: por exemplo, dados sobre violência dos parceiros para a África subsaariana, Ásia oriental e sul da América latina, bem como para mulheres acima dos 49 anos, são escassos. Para além disso, os estudos não avaliam a violência mental e apesar das estimativas não considerarem o género do parceiro, a maioria da investigação apenas solicita informação sobre parceiros masculinos. Mais, muitos relatórios de homicídio não incluem informação sobre a relação dos perpetradores com as suas vítimas.

Ainda assim, os dados reunidos irão permitir aos investigadores realizar comparações regionais e entre países de forma a gerar hipóteses sobre de que forma as condições sociais e as políticas podem influenciar a prevalência, diz Victoria Frye, epidemiologista social na Universidade de Columbia em Nova Iorque. “Realmente não tínhamos essa capacidade até agora."

Ao estabelecer números base para a violência, os governos e os sociólogos ficam melhor colocados para desenvolver e avaliar as suas intervenções, diz Jewkes: “Quero ver-nos numa situação em que estamos a seguir o declínio global de situações em que mulheres são atacadas e violadas pelos seus parceiros."

 

 

Saber mais:

Responding to intimate partner violence and sexual violence against women

Global and regional estimates of violence against women

Violence against women

Associação de Mulheres Contra a Violência

APAV PT

Portugal declara tolerância zero à violência doméstica

CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género

Instituições de Apoio - Fim à violência doméstica contra as mulheres

 

 

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