2013-06-19

Subject: Pesticidas desencadeiam perda generalizada de biodiversidade

 

Pesticidas desencadeiam perda generalizada de biodiversidade

 

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@ Nature/Ghislain Simard/Biosphoto/FLPAOs pesticidas agrícolas foram associados a uma perda generalizada de biodiversidade em invertebrados em dois novos artigos de investigação agora conhecidos.

A utilização de pesticidas reduziu acentuadamente a biodiversidade regional de invertebrados de ribeiros, como os tira-olhos e as libelinhas, tanto na Europa como na Austrália, revela um estudo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Pesquisas anteriores já tinham mostrado reduções semelhantes em cursos de água individuais mas o estudo de Mikhail Beketov, ecologista aquático no Centro Helmholtz de Investigação Ambiental em Leipzig, Alemanha, analisou os efeitos dos pesticidas em zonas mais amplas.

A equipa examinou 23 ribeiros nas planícies centrais alemãs, 16 nas planícies ocidentais francesas e 24 no sul do estado de Victoria, Austrália. Classificaram os ribeiros em três níveis de contaminação por pesticidas: não contaminados, ligeiramente contaminados e altamente contaminados.

Os investigadores descobriram que existiam até 42% menos espécies em ribeiros altamente contaminados do que nos não contaminados na Europa. Os ribeiros altamente contaminados australianos revelaram uma queda do número de famílias de invertebrados até 27%.

Mais, os autores referem que a diversidade diminuía a concentrações de pesticidas que as regulamentações europeias consideram amigas do ambiente. "Isto mostra que as nossas avaliações de risco não funcionam", diz Beketov. "Acho que temos que nos preocupar com esta situação pois os invertebrados são uma componente fundamental da teia alimentar."

Emma Rosi-Marshall, ecologista aquática no Instituto Cary de Estudos sobre Ecossistemas em Millbrook, Nova Iorque, considera que os resultados são muito importantes: "Estamos no momento de crise, com a perda de espécies à escala global, especialmente nos ecossistemas de água doce. Considerar os pesticidas em conjunto com outras ameaças conhecidas à biodiversidade pode ser crucial para parar o declínio de espécies."

Mas o toxicólogo Keith Solomon, da Universidade de Guelph no Ontário, Canadá, está preocupado com a dimensão da amostra do estudo. "Coloca a questão do que se passa noutros cursos de água. Se estes cursos de água são representativos dos piores casos, então os efeitos podem estar confinados a este tipo de cenário e não se aplicar a todo o ambiente."

 

O segundo artigo, do biólogo Dave Goulson, da Universidade do Sussex, Reino Unido, revê o risco ambiental dos insecticidas neonicotinóides. A sua publicação a 14 de Junho na revista The Journal of Applied Ecology surge logo após a Comissão Europeia ter anunciado em Abril uma proibição de dois anos sobre os três neonicotinóides mais comuns, devido à preocupação com o seu efeito sobre as abelhas.

O trabalho de Goulson inclui dados de companhias agroquímicas e sugere que os neonicotinóides se acumulam no solo a níveis que podem matar invertebrados do solo como a minhoca Eisenia foetida. "O grosso destes estudos sugere que a meia-vida destes químicos está entre um e quatro anos", diz ele. "Se os aplicarmos uma vez por ano nas culturas, eles tendem a acumular-se."

A análise de Goulson também cita estudos anteriores que sugerem que as aves cerealíferas, como as perdizes, podem estar a morrer depois de comer tão pouco como cinco sementes contaminadas com neonicotinóides. O insecticida mais aplicado é uma cobertura das sementes de milho e soja: "O foco tão forte sobre as abelhas talvez tenha cegado as pessoas às implicações mais vastas da situação", diz Goulson.

Ambos os artigos demonstram a importância da condução de avaliações dos ecossistemas após a utilização de pesticidas, diz o ecotoxicólogo Ken Drouillard, da Universidade de Windsor no Ontário, Canadá. "Não pudemos achar que o nosso trabalho está feito depois de uma avaliação de risco pré-aplicação. Infelizmente durante uma crise económica global, os cortes orçamentais surgem à custa da monitorização da saúde dos ecossistemas." 

 

 

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