2013-06-12

Subject: Amostras sugerem que meteoro causou a explosão de Tunguska

 

Amostras sugerem que meteoro causou a explosão de Tunguska

 

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@ Nature/Universal History Archive/Getty ImagesFragmentos de rocha recuperados de uma zona remota da Sibéria podem ajudar a resolver um mistério antigo: a causa da explosão de Tunguska.

A 30 de Junho de 1908 uma poderosa explosão rasgou o céu perto do rio Podkamennaya Tunguska na Rússia e literalmente achatou mais de 2 mil quilómetros quadrados de floresta. Testemunhas descreveram um objecto de grande dimensão a atravessar a atmosfera e a explodir antes de chegar ao solo, enviando uma vaga de calor intenso através dos campos.

Com o que se estima terem sido o equivalente a 3 a 5 megatoneladas de TNT, foi o maior impacto na história registada. Por comparação, o meteoro que atingiu a região russa russa de Chelyabinsk no início deste ano correspondeu 'apenas' a 460 quilotoneladas de TNT.

Numerosas expedições científicas falharam na tentativa de recolher fragmentos que pudessem ser atribuídos de forma conclusiva ao objecto. Centenas de esferas magnéticas microscópicas foram encontradas nas décadas de 50 e 60 em amostras do solo de Tunguska mas o debate continua sobre se serão realmente os vestígios de um meteoro vaporizado. “Não muito por lá, nada que seja decididamente Tunguska”, diz Phil Bland, perito em meteoritos na Universidade Curtin em Perth, Austrália.

A falta de amostras tem permitido especulações desenfreadas sobre a causa do evento, com explicações mais esotéricas a invocar antimatéria e buracos negros, mas a maioria dos geólogos pensa que parte de um asteróide (ou de um cometa) se partiu e caiu na Terra como um meteoro.

Agora, cientistas liderados por Victor Kvasnytsya, do Instituto de Geoquímica, Mineralogia e Formação da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia em Kiev, dizem ter encontrado a 'arma fumegante'. No que Kvasnytsya descreve como a análise mais detalhada à data de qualquer amostra do evento de Tunguska, os investigadores concluíram que os seus fragmentos de rocha (cada um com menos de 1 mm de diâmetro) provêm do meteoro ferroso que causou a explosão.

O estudo foi publicado na revista Planetary and Space Science.

“Se estes são fragmentos de Tunguska, podem terminar qualquer dúvida sobre se foi um impacto de asteróide”, diz Gareth Collins, investigador de impactos na Terra no Imperial College de Londres. “Podemos ter provas convincentes de que se tratou de um evento extraterrestre e eliminar um cometa."

Kvasnytsya referiu que o cientista ucraniano falecido no ano passado Mykola Kovalyukh recolheu os fragmentos em 1978 numa turfeira perto do epicentro da explosão. Pesquisa nos fragmentos nos anos que se seguiram revelou que continham uma forma de carbono conhecida por lonsdaleíta, que tem uma estrutura cristalina algures entre a grafite e o diamante e se forma em condições de calor e pressão extremas. Mas os grãos também continham menos do metal irídio, típico dos meteoritos logo os investigadores concluíram que se tratava de rochas terrestres alteradas pelo impacto. Estas descobertas, publicadas em russo na década de 80, passaram largamente despercebidas no ocidente à data.

 

Kvasnytsya decidiu agora olhar mais de perto para estes fragmentos usando uma bateria de técnicas analíticas modernas. Microscopia electrónica de transmissão mostrou que os grãos de carbono tinham finos veios de metais, incluindo troilite, schreibersite e a liga de ferro e níquel conhecida por tenite. Este padrão e combinação de minerais é muito semelhante ao encontrado noutros meteoritos ferrosos. “As amostras apresentam quase todo o conjunto de minerais característicos dos meteoritos contendo diamantes", diz Kvasnytsya.

“Um asteróide rochoso e rico em ferro encaixa na nossa ideia de Tunguska”, diz Collins. Nos últimos 20 anos, vários modelos concluíram que um asteróide rochoso teria sido o culpado capaz de produzir os efeitos relatados ao nível do solo. No entanto, uma pequena mas significativa minoria de cientistas ainda defende a hipótese do cometa, acrescenta ele.

“Eles têm aqui coisas muito interessantes" mas a equipa ainda não tem provas conclusivas, diz Bland. Os baixos níveis de irídio e ósmio nas amostras são um sinal de alarme que levanta dúvidas sobre a origem dos fragmentos num asteróide e o sedimento turfoso em que as amostras foram encontradas não foi datado de forma convincente a 1908. “Recebemos muito material meteórico a toda a hora", acrescenta Bland. Sem amostras das camadas de turfa adjacentes para comparação, “é difícil ter a certeza a 100% de que não estamos a olhar para esse fundo".

Confirmar a alegação de meteoro tanto tempo depois do evento não será fácil. Os geólogos terão que ser convencidos, não apenas porque o assunto atrai tanta especulação. Em Maio, um artigo colocado no servidor arXiv que alegava ter descoberto pedras do meteoro de Tunguska foi rapidamente desacreditado pelos especialistas.

A equipa de Kvasnytsya espera realizar mais testes nos grãos, incluindo medições de razão de isótopos chave de hélio e xénon, que poderão fornecer mais evidências da origem extraterrestre da rocha.

 

 

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