2013-06-10

Subject: 'Madeira de plástico' pode não ser tão amiga do ambiente como se apregoa

 

'Madeira de plástico' pode não ser tão amiga do ambiente como se apregoa

 

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@ Nature/the Freedonia GroupIshmael Tirado segue a reconstrução do pontão Steeplechase, um ícone do passeio de Coney Island em Nova Iorque que foi destruído pelo furacão Sandy.

Quando o pontão reabrir no Verão, os visitantes terão não madeira de ipê mas um pavimento de plástico reciclado apoiado em betão armado: “Acho que é uma boa ideia", diz Tirado, “é mais durável e estamos a salvar árvores."

Michael Bloomberg, presidente da câmara de Nova Iorque, certamente concordará pois já em 2008 prometeu reduzir a dependência da cidade das madeiras rijas tropicais, como o ipê, passando para materiais de construção de betão e plástico. No entanto, alguns investigadores temem que esta mudança brusca de rumo relativamente à madeira tropical possa fazer 'sair o tiro pela culatra' ao ambiente.

"Se for sustentável, o comércio de madeira é geralmente uma coisa boa", diz Duncan Brack, analista de política ambiental na Chatham House de Londres. “Há um perigo real de empurrar as pessoas para coisas que têm impactos ambientais maiores."

Os escassos dados disponíveis sugerem que a 'madeira de plástico', tipicamente feita de um compósito de resíduos de madeira e plástico, tenha um custo superior sobre as alterações climáticas que a madeira natural, que tem o benefício de retirar dióxido de carbono da atmosfera enquanto cresce. Um estudo de 2011, financiado pela indústria madeireira mas revisto de forma independente, revelou que as emissões de gases de efeito de estufa resultantes da manufactura da madeira de plástico era cerca de três vezes superiores aos resultantes da produção de cedro tratado quimicamente.

Dados do Consórcio para a Investigação sobre Materiais Industriais Renováveis, uma parceria público-privada sediada na Universidade de Washington em Seattle, sugerem que as emissões da manufactura de madeira de plástico são entre 45 e 330% superiores às da produção de pinho nórdico, dependendo se o plástico é reciclado e da quantidade de madeira que lhe é acrescentada. 

No entanto, a madeira de plástico, vendida como amiga do ambiente e de baixa manutenção, cada vez é mais popular. Nos Estados Unidos representa já cerca de 10% do mercado de decks, segundo o Freedonia Group, consultores comerciais sediados em Cleveland, Ohio.

A mudança de paradigma também foi conduzida pela oferta. Em Nova Iorque, a decisão de utilizar mais betão e plástico surgiu depois de os funcionários da autarquia terem concluído que não havia madeira natural comparável ao ipê, valorizada pela força e durabilidade, disponível em quantidade suficiente para as necessidades da cidade. Apesar dos custos iniciais de construção serem superiores, assume-se que o plástico e o betão durarão décadas com pouca ou nenhuma manutenção.

Mas, mais uma vez, as evidências da durabilidade da madeira de plástico são reduzidas, em parte porque a indústria apenas surgiu há duas décadas, diz Jim Bowyer, perito em madeira na Dovetail Partners, consultores ambientais sem fins lucrativos sediados em Minneapolis, Minnesota. A primeira geração de madeira de plástico tinha problemas de empenamento e apodrecimento. Os novos produtos são melhores mas o seu desempenho a longo prazo é difícil de prever. “Sei de um laboratório que conseguiu fazer crescer cogumelos nela e sem dados sólidos sobre a sua longevidade é difícil avaliar o seu impacto ambiental”, diz Bowyer.

A informação sobre a produção de madeira tropical é também incompleta mas sugere que a indústria tem um impacto ambiental desmesurado. Segundo a Organização Internacional da Madeira Tropical, os países tropicais fornecem cerca de 10% da madeira industrial do mundo, na sua maioria de plantações.

 

Mas dos 400 milhões de hectares (mais de metade do total mundial) da floresta tropical usada para a produção de madeira actualmente, menos de 8% é gerida de forma sustentada. Em muitos países o abate ilegal da floresta ainda representa a maior parte da produção e muitas estradas construídas legitimamente pelas companhias madeireiras tornam-se artérias para desenvolvimento agrícola ilegal. Desta forma, o abate de árvores serve frequentemente como precursor da desflorestação em larga escala.

A solução mais simples é evitar a madeira tropical mas isso mina o mercado de madeira que é produzida de forma sustentada, diz Doug Boucher, chefe do programa de silvicultura tropical da Union of Concerned Scientists de Cambridge, Massachusetts. “Este tipo de resposta rápida e relativamente não sofisticada basicamente prejudica os países tropicais à custa do mundo desenvolvido."

Indústria e governos já vêm a tomar medidas para melhorar o mercado da madeira tropical sustentável. O Forest Stewardship Council lançou em 1993 uma certificação independente para a madeira sustentável e, mais recentemente, muitos países proibiram a importação de madeira produzida ilegalmente. Na Europa, foram implementadas regulamentações que exigem às companhias importadoras que criem planos que garantam a legalidade das suas importações e no Reino Unido exige-se que toda a madeira usada pelo estado esteja certificada como sustentável.

O impacto destas medidas ainda não é claro mas há sinais de progresso. Um estudo de 2010 da Chatham House revelou que o abate ilegal de árvores tinha caído cerca de 25% na década anterior, à medida que a aplicação das regras aumentava nos países tropicais mas a corrupção permanece um problema global. Muitas exportações ilegais vão agora para a China, onde acabam na cadeia de fornecimento.

Números à parte, a questão que muitos governos e consumidores enfrentam é se o ipê está a ser gerido de forma sustentável. Algum ipê é certificado por organizações como o Forest Stewardship Council, mas o grosso da produção é incerto. “Será a utilização de ipê sustentável? Não sabemos na realidade, estamos a operar um pouco no escuro."

 

 

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