2013-06-09

Subject: Esqueletos revelam que Médici sofriam de raquitismo

 

Esqueletos revelam que Médici sofriam de raquitismo

 

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@ Nature/De Agostini Picture Library/AKGComo os ricos e poderosos governantes da Toscânia e patronos de Leonardo da Vinci e Galileu, os Médici foram a 'primeira família' do renascimento italiano.

Mas toda a sua riqueza não foi o suficiente para lhes comprar a boa saúde dos filhos. 

Um estudo dos esqueletos de nove crianças Médici nascidas no século XVI mostra que sofriam de raquitismo, uma deficiência de vitamina D que leva a ossos moles e deformados. Mais, a doença resultou em parte da infância privilegiada que as crianças tiveram, que levou a que permanecessem quase sempre dentro de portas.

O raquitismo está geralmente associado à pobreza e à vida em cidades densamente povoadas e poluídas, onde há pouca exposição à luz solar mas as crianças Médici, com idades entre os recém-nascidos e os 5 anos, “pertenciam à classe alta logo seria de esperar que estivessem bem alimentadas", diz a paleopatologista Valentina Giuffra, da Universidade de Pisa, co-autora do estudo publicado no mês passado na revista International Journal of Osteoarchaeology. Por isso, “é surpreendente encontrar esta situação", diz ela.

O local onde foram sepultadas reflecte o seu estatuto social elevado, pois foram todas encontradas na famosa basílica de San Lorenzo em Florença. Em 2004, investigadores retiraram o que pensavam ser um disco ornamental de mármore do chão da catedral e descobriram que na realidade se tratava de um alçapão que conduzia a uma cripta contendo oito dos nove esqueletos agora examinados. O nono foi encontrado numa tumba localizada perto.

@ Nature/1.Giuffra, V. et al. Int. J. Osteoarchaeol. http://dx.doi.org/10.1002/oa.2324 (2013)Um exame dos ossos, tanto visual como com a ajuda de raio-X, revelou que seis das nove crianças apresentavam sinais conclusivos de raquitismo, incluindo ossos dos braços e das penas curvados, o resultado de tentarem gatinhar ou andar com ossos anormalmente moles. Uma das crianças, Filippo (1577–1582), conhecido por don Filippino, tinha o crânio ligeiramente deformado (ver raio-X ao lado) que está representado num retrato da época (ver foto acima). O estudo indica o raquitismo como a causa desta situação.

O raquitismo é facilmente prevenido com uma alimentação contendo ovos e queijo e passando pequenos períodos de tempo exposto à luz solar, que desencadeia a formação de vitamina D. 

Para compreender por que razão as crianças Médici apresentavam esta doença tão facilmente evitável, os investigadores analisaram os isótopos de azoto encontrados no colagénio do osso, que reflectem a principal fonte de proteínas na dieta. Descobriram que a maioria das crianças não foi desmamada até aos dois anos, de acordo com o costume renascentista. 

 

Textos históricos sugerem que, na época, o leite materno era suplementado papas feitas com pão macio e maçã. Note-se que nem os cereais, nem o leite materno contêm grande quantidade de vitamina D e a fruta não contém nenhuma.

O pensamento do século XVI também ditava que as crianças deviam ser cuidadosamente abafadas, pelo que as crianças Médici, enroladas em muitas camadas de roupa e mantidas em palácios grandiosos, provavelmente não recebiam a mesma quantidade de luz solar que os seus pares menos afortunados.

Mesmo dois recém-nascidos Médici revelaram sinais de raquitismo, apesar de ser de esperar que tivessem recebido toda a vitamina D que precisavam antes do nascimento das suas mães. 

Os investigadores defendem que as próprias mães deveriam apresentar algum grau de deficiência de vitamina D devido à pesada maquilhagem usada pelas mulheres de estatuto social elevado ou em resultado das gravidezes sucessivas. Uma das mulheres da família Médici, Eleanor de Toledo, por exemplo, teve 11 crianças em 14 anos.

Este novo trabalho é "fascinante" pois os cientistas raramente têm acesso a esqueletos de crianças aristocratas, diz a antropóloga Mary Lewis, da Universidade de Reading, especialista em doenças infantis do esqueleto, que não esteve envolvida no estudo. 

Ela não está surpreendida com o facto de os Médici apresentarem uma doença associada a cidades industrializadas e cheias de smog, onde a poluição bloqueia a luz do sol: “As crianças pobres ... viviam em casas pequenas e brincavam no exterior", explica ela mas os pais da elite “não quereriam que os seus filhos ficassem bronzeados, porque isso sugeriria que eles tinham tido necessidade de ir para o exterior."

 

 

Saber mais:

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