2013-06-08

Subject: Queda acentuada das emissões no Brasil

 

Queda acentuada das emissões no Brasil

 

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@ Nature/Polaris/eyevineAs emissões de gases de efeito de estufa do Brasil caíram perto de 39% entre 2005 e 2010, de acordo com um inventário publicado pelo governo brasileiro.

O documento, há anos em preparação, mostra que o país fez progressos dramáticos na redução da desflorestação mas sublinha importantes desafios futuros.

A análise relata uma queda de 76% nas emissões cumulativas resultantes da desflorestação entre 2005 e 2010, que se reduz não só no Amazonas mas também nas savanas a ele circundantes. O Brasil produziu o equivalente a cerca de 1,25 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2010, mais de 10% abaixo do nível de 1990, ainda que as emissões totais de 2010 sejam ligeiramente superiores às registadas em 2009, um aumento que o governo brasileiro atribui à subida das emissões no sector energético.

“A redução nas emissões é significativa e mostra que o tema é levado muito a sério no Brasil", diz Carlos Nobre, climatólogo e líder dos programas de investigação no Ministério Brasileiro da Ciência, Tecnologia e Inovação em Brasília. Mas a redução futura de emissões "não será tarefa fácil", acrescenta ele.

A taxa de desflorestação brasileira tem continuado a cair desde 2010 e o país está a poucos passos de alcançar as metas com que se comprometeu internacionalmente na redução da desflorestação amazónica em 80% relativamente aos níveis de 1990 até 2020. A desflorestação representa apenas 22% das emissões totais brasileiras em 2010, muito longe do tempo em que o abate de árvores representava cerca de dois terços das emissões de gases de efeito de estufa do país. No entanto, a subida de emissões agrícolas e industriais ameaçam abafar alguns dos ganhos devidos à protecção da floresta.

A agricultura representa agora a maior fatia das emissões brasileiras. As emissões deste sector aumentaram 5,2% entre 2005 e 2010, quando os produtores emitiram o equivalente a perto de 437 milhões de toneladas de CO2. No entanto, as colheitas cresceram ainda mais rapidamente que as emissões, um sinal de que os agricultores e rancheiros brasileiros estão a produzir mais alimentos em menos área de terreno, diz Nobre.

O maior crescimento nas emissões do ano passado ocorreu no sector energético, apesar de este ainda poder ser considerado amigo do ambiente quando comparado com os mesmos sectores da maioria das grandes economias mundiais. O Brasil tem a indústria de bioetanol  mais avançada do mundo e produziu cerca de 85% da sua electricidade em barragens em 2010. 

No entanto, o Brasil tem-se virado cada vez mais para os combustíveis fósseis para alimentar o seu crescimento económico dos últimos anos. Emissões do sector energético aumentaram 21,4% entre 2005 e 2010, o que se traduz num aumento de 399 milhões de toneladas de CO2.

 

Apesar destes aumentos, o Brasil continua no bom caminho para alcançar as metas climáticas anunciadas pelo antigo presidente Luís Inácio Lula da Silva na cimeira climática das Nações Unidas em Copenhaga em 2009. Lula comprometeu o Brasil a reduzir as suas emissões de gases de efeito de estufa em 36–39% até 2020, quando comparadas com o cenário 'business-as-usual'. Este último relatório mostra que o Brasil pode aumentar as suas emissões em perto de 66% relativamente aos níveis de 2010 e ainda alcançar a sua meta de 2020.

Apesar do seu incrível sucesso na redução da desflorestação, o país ainda tem que levar mais a sério as suas metas climáticas gerais, diz David Victor, professor de lei internacional na Universidade da Califórnia, San Diego, especializado em política energética. Victor considera que o Brasil pode capitalizar o seu sucesso tornando as suas metas mais realistas e propondo voltar a subi-las se outros países o seguirem, como a União Europeia fez em Copenhaga.

“Esta é a chave para resolver a diplomacia internacional, precisamos que alguns grandes emissores demonstrem de forma credível como uma coordenação internacional levaria de forma tangível a esforços extra", diz Victor. “O Brasil, como grande emissor e país emergente, está numa posição perfeita para o fazer."

 

 

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