2013-06-07

Subject: Como as galinhas perderam o pénis

 

Como as galinhas perderam o pénis

 

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@ Nature/Damschen/ARCO/naturepl.comO caso do pénis desaparecido das aves é um mistério de longa data na biologia evolutiva mas a identificação de um mecanismo molecular que controla a perda do pénis em aves já permite ter esperança de resolver este quebra-cabeças.

Cerca de 97% das espécies de aves têm muito pouco ou mesmo nada em termos de falo, apesar de se reproduzirem através de fecundação interna. 

Um estudo publicado na última edição da revista Current Biology mostra que o desenvolvimento do pénis em galos é encurtado por sinais que promovem a morte celular.

“Este artigo estaria na revista Nature ou na revista Science se fosse sobre pessoas", diz Richard Prum, ornitólogo evolutivo na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. “Todos os resultados são completamente novos."

Os galos, que possuem apenas um toco fálico rudimentar, bombeiam o seu esperma para o interior das fêmeas através do chamado 'beijo cloacal', um movimento pressiona as cloacas feminina e masculina. Ao contrário, os patos apresentam pénis grandes e elaboradamente encaracolados, que chegam a medir metade do comprimento dos seus corpos.

Para melhor compreender os sinais que controlam o crescimento do pénis, a equipa de investigadores liderada por Martin Cohn, biólogo do desenvolvimento na Universidade da Florida em Gainesville, analisou as diferenças entre o desenvolvimento de embriões de pato e de galinha.

Os cientistas observaram o desenvolvimento do pénis através de minúsculas janelas cortadas nas cascas dos ovos de pato e galinha e descobriram que inicialmente as galinhas formam pénis semelhantes aos dos patos mas, a partir do nono dia, o tubérculo genital pára de crescer e começa a mirrar.

“Esperávamos encontrar algum factor de crescimento crítico em falta", explica Cohn, mas a equipa descobriu que muitos dos mesmos genes que conduzem o crescimento do pénis nos patos continuam a ser fortemente expressos nas galinhas. No entanto, há uma diferença chave entre as duas espécies: as galinhas revelaram níveis superiores da proteína promotora da morte celular Bmp4 perto da extremidade do tubérculo. “Ficámos muito surpresos", diz Cohn.

 

Os investigadores foram capazes de bloquear a morte celular genital em galinhas tratando um dos lados do tubérculo com Noggin, uma proteína que bloqueia a actividade da Bmp. Após um dia, o lado tratado com Noggin cresceu cerca de 6,5 vezes mais que o lado não tratado. Tratar um dos lado dos tubérculos em crescimento de pato com Bmp4 resultou em morte celular localizada e em redução do pénis, imitando o desenvolvimento genital normal dos galos.

Os resultados sugerem que o crescimento genital em aves é controlado por um programa comum que foi adaptado por modificações evolutivas na sinalização pela Bmp, dizem os autores.

Ainda assim, os dados não explicam por que razão os galos perderam os seus pénis. Cohn sugere que os falos podem ter sido perdidos como consequência secundária da evolução de outras partes do corpo, como os membros ou os dentes, cujo desenvolvimento também é afectado pela pelas proteínas Bmp.

Bob Montgomerie, biólogo evolutivo na Universidade Queen em Ontário, Canadá, discorda. Ele e outros sugeriram que como o beijo cloacal exige cooperação e consentimento entre parceiros, as galinhas fêmea, e outras espécies de aves, podem ter seleccionado machos com pénis menores em parte para escapar à cópula forçada. Ao longo do tempo, essa preferência teria moldado de forma diferente a genitália das aves macho.

 

 

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