2013-06-02

Subject: Mosquitos mutantes perdem apetência pelo cheiro humano

 

Mosquitos mutantes perdem apetência pelo cheiro humano

 

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@Nature/Zach Veilleux/Rockefeller UniversityOs mosquitos geneticamente modificados para perderem parte do seu sentido do olfacto não conseguem distinguir o Homem de outros animais e deixam de evitar a aproximação a pessoas que colocaram repelente de insectos.

Estas descobertas, publicadas online na revista Nature, podem ajudar os cientistas a conceber repelentes de insectos para combater a malária, o dengue e até pragas agrícolas.

Algumas espécies de mosquito alimentam-se de praticamente qualquer animal que encontrem. O Aedes aegypti, o mosquito vector do dengue e da febre amarela, e o Anopheles gambiae, vector do parasita da malária, são mais específicos: preferem os humanos.

“Eles adoram tudo em nós”, diz Leslie Vosshall, neurobióloga a Universidade Rockefeller em Nova Iorque, que liderou este último estudo. “Eles adoram o nosso maravilhoso odor corporal, adoram o dióxido de carbono que exalamos e adoram o nosso calor corporal."

Os mosquitos têm sistemas sensoriais especializados na detecção de dióxido de carbono e calor corporal mas o odor corporal é o único destes aspectos que distingue os humanos de outros animais de sangue quente.

A equipa de Vosshall modificou geneticamente mosquitos A. aegypti para que não tivessem o gene orco, que codifica uma proteína que ajuda a construir as moléculas de um receptor de odores.

Uma série de experiências mostraram que sem a proteína Orco, os mosquitos tinham dificuldade em distinguir o cheiro do mel do glicerol (um líquido sem odor de consistência semelhante), nem humanos de outros animais. “É como um concurso em que os mosquitos são libertados numa caixa e lhes pedimos que escolham a porta um, onde há um braço humano, ou a porta dois, onde estão os nossos queridos porquinhos-da-índia", diz Vosshall.

Os mosquitos mutantes que conseguiram detectar o odor do braço humano, no entanto, não hesitaram em dirigir-se. Vosshall diz que o orco e os receptores odoríficos que produz são importantes para distinguir hospedeiros mas não para os descobrir e se alimentar deles.

os mosquitos geneticamente modificados também foram incapazes de cheirar o repelente de insectos DEET (N,N-dietil-meta-toluamida) à distância. Um mosquito normal evitaria o DEET mas os mutantes pousavam num braço humano besuntado com o repelente. No entanto, após pousarem, em vez de se instalarem para uma refeição de sangue, fugiam, sugerindo que o DEET consegue deter os mosquitos não por via do odor mas também por contacto directo.

 

A equipa de Vosshall está agora a tentar determinar que outras sensações repelem os mosquitos. “É inacreditável para mim que se use o spray DEET na pele há mais de 60 anos. Não temos nenhuma ideia clara da forma ou do porquê que funciona e isso, como cientista deixa-me doida", diz ela.

Laurence Zwiebel, entomólogo molecular na Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee, diz que o estudo de Vosshall mostra que o DEET não funciona simplesmente por bloquear os odores que a proteína Orco detecta, pois os mosquitos sem o gene ainda são atraídos para os humanos. Um cenário mais provável é que o DEET bloqueia o sistema sensorial do mosquito, diz ele. “Todos sabemos que estar numa sala com demasiados estímulos sensoriais é muito adverso."

Os mosquitos macho geneticamente modificados para produzir descendência inviável revelaram promessa em testes de campo na redução das populações de A. aegypti mas Vosshall e Zwiebel descartam a ideia de libertar mosquitos que não consigam discriminar entre humanos e outros animais.

Em vez disso, o trabalho salienta o gene orco como um possível alvo para uma nova geração de repelentes de insectos. A equipa de Zwiebel está a desenvolver moléculas que activem a proteína em excesso, numa tentativa de ver se baralha o sentido do olfacto do animal. Quase todos os insectos têm o orco, logo um composto que tenha como alvo o gene pode ajudar a afastar as pragas de culturas economicamente importantes. “Não estamos a tentar matar estes insectos, per se, apenas queremos que se alimentem de outros", diz Zwiebel.

 

 

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