2013-05-30

Subject: Revelado terrível impacto das redes de pesca sobre aves marinhas

 

Revelado terrível impacto das redes de pesca sobre aves marinhas

 

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@ Nature/Brandon Cole Marine Photography / AlamyEvidências do horripilante impacto dos equipamentos de pesca sobre as aves marinhas foi revelado pelo encerramento das pescas canadianas após o colapso dos stocks pesqueiros no início da década de 90.

Há muito que os biólogos se mostram preocupados com a possibilidade das aves que mergulham no mar ficarem enredadas nas redes de emalhar, um tipo de cortina de rede que pende de flutuadores na coluna de água e permanece fixa por pesos num local onde se sabe haver cardumes. Desenhadas para capturar os peixes pelas guelras, este tipo de rede também prende e afoga aves.

Esta situação foi graficamente demonstrada pela descoberta de aves emaranhadas nas redes mas uma avaliação quantitativa dos efeitos destas capturas secundárias sobre as populações de aves estava a ser difícil de obter.

Agora, essas provas fortes chegaram através de um estudo cuidadoso das populações de aves marinhas ao largo da costa leste do Canadá, onde a pesca do bacalhau e do salmão foi encerrada e as redes de emalhar removidas em 1992. Este trabalho surge semanas depois de outro relatório ter estimado que centenas de milhares de aves morrem todos os anos em redes de emalhar por todo o mundo.

Os ecologistas Paul Regular e William Montevecchi, da Universidade Memorial de Newfoundland em St John’s, examinaram dados sobre várias aves marinhas em cinco reservas de aves marinhas canadianas na zona da Newfoundland e do Labrador entre 1968 e 2012. De seguida compararam as tendências populacionais das aves com os dados sobre redes de emalhar usadas entre 1987 e 2009.

A equipa descobriu que as populações de aves que mergulham, como os araus-comuns Uria aalge e os gansos-patola Morus bassanus, que são vulneráveis a ficarem presas nas redes, aumentaram o seu efectivo após a proibição. Mas, no mesmo período, o número de gaivotas e de outras aves necrófagas que se alimentam à superfície e beneficiam do peixe sem interesse comercial que é deitado ao mar pelos pescadores diminuiu, relatam os investigadores na revista Biology Letters

Apesar do declínio nas populações de gaivotas, estas espécies não estão em risco de extinção e é provável que o seu número esteja a regressar a níveis mais naturais com a redução da influência da actividade humana.

“Com base em estimativas anteriores de dezenas de milhar de araus mortos todos os anos em pesca regional com redes de emalhar, é claro que sobreviveu um número significativo de araus reprodutores que de outra forma não teria lá chegado”, dizem Regular e Montevecchi. Os dados ”apoiam a largamente mantida mas raramente documentada argumentação de que a mortalidade devida às capturas secundárias afecta as populações de aves marinhas".

Os autores dizem que a pressão das pescas ao largo da costa atlântica canadiana é agora bem menor do que foi antes do encerramento das capturas mas as mortes de aves devidas a capturas secundárias continuam a ser um problema pois certo tipo de capturas ainda é permitida. 

 

Eles sugerem que se passe a métodos alternativos de captura do pescado, como as armadilhas em pote que permitem aos peixes entrar mas não sair e que representam uma ameaça mínima para as aves marinhas mergulhadoras. Também recomendam a criação de reservas chamadas áreas marinhas protegidas, situação em que o Canadá está actualmente “tristemente em falta".

Cleo Small, que trabalha com temas relacionados com aves marinhas na Royal Society for the Protection of Birds em Sandy, Reino Unido, salienta que os dados sobre capturas secundárias em redes de emalhar são escassos, pelo que o artigo de Regular e Montevecchi será “uma referência muito importante para trabalhos futuros".

Já este mês, Small e os seus colegas tinham relatado uma análise global das aves marinhas capturadas em redes de emalhar na revista Biological Conservation. Olhando para todas as estimativas publicadas que conseguiram encontrar, concluíram que 400 mil aves morriam desta forma todos os anos.

“Fiquei sem palavras pela escala dos números, depois que os somámos", diz Small. “Espero que esta análise canadiana, juntamente com a análise global, ajudem a estimular a investigação e a acção política que nos ajude a encontrar algumas soluções."

 

 

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