2013-05-28

Subject: Pacientes deixam marca microbiana nos hospitais

 

Pacientes deixam marca microbiana nos hospitais

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Matt Wood/Univ. Chicago Medicine & Biological SciencesQuando as pessoas são internadas num hospital, as comunidades microbianas que cobrem o seu corpo rapidamente colonizam as zonas de tratamento, revela um consórcio de pesquisa sediado na Universidade de Chicago no Illinois.  

A descoberta é a primeira feita pelo Projecto Microbioma Hospitalar, um esforço de um ano para monitorizar o ecossistema microbiano de um novo hospital da Universidade de Chicago de forma a compreender de que forma os microrganismos, incluindo os patogénicos, se deslocam no seu interior.

A investigação começou antes de o hospital ter aberto as portas. Desde Janeiro de 2013, os investigadores recolheram semanalmente esfregaços de interruptores, chão, corrimões das camas e sistemas de ventilação e de água no Centro de Cuidados e Descobertas em Chicago, para recolher material genético que identifique os seus habitantes microbianos.

Quando o hospital abriu as portas aos pacientes e pessoal, em Fevereiro, os investigadores começaram também a recolher deles esfregaços, obtendo amostras dos seus narizes, sovacos, fezes e mãos, testando alguns dos indivíduos diariamente. A amostragem irá continuar até ao final do ano, altura em que os cientistas esperam ter recolhido mais de 15 mil esfregaços.

A equipa recolheu mais de 4500 amostras até à data mas apenas conseguiu analisar 600 delas. No entanto, os resultados preliminares já mostram que a comunidade microbiana se alterou no espaço de dias após a abertura do hospital. “Os humanos estão a ter um grande impacto rapidamente", diz o investigador principal Jack Gilbert, microbiólogo ambiental na Universidade de Chicago, que apresentou os resultados na Conferência de Microbiologia do Ambiente Construído em Boulder, Colorado.

Após a sequenciação do DNA recolhido nos esfregaços, Gilbert e a sua equipa puderam identificar cerca de 70 mil tipos de microrganismos que se tinham instalado durante a construção, provavelmente transportados pelo ar, água, materiais de construção e pelos próprios trabalhadores. Depois de o hospital abrir ao público, pacientes e pessoal contribuíram com novas estirpes de microrganismos das suas peles e sapatos, alterando este ecossistema invisível.

Gilbert e a sua equipa descobriram diferenças significativas entre as comunidades microbianas presentes em cada quarto do hospital. Os pacientes que permaneciam internados durante pouco tempo, como os que sofriam pequenas cirurgias, tinham uma influência temporária nas comunidades microbianas dos seus quartos. Depois da limpeza, os quartos revertiam ao seu estado anterior ao paciente. 

 

Já os microrganismos de doentes internados períodos longos, incluindo pacientes com cancro ou os que recebiam transplantes de órgãos, tinham tempo para se instalarem nos quartos. As impressões digitais microbianas dos pacientes permaneciam após a sua alta e após a limpeza. Mas mesmo em áreas com internamentos a longo prazo, a equipa de Gilbert não encontrou microrganismos patogénicos que permanecessem: “Ao longo dos primeiros quatro meses de observações, não vimos nada de preocupante", diz ele.

Ainda assim, cerca de 1,7 milhões de infecções associadas aos hospitais são descritas todos os anos nos Estados Unidos e os microrganismos patogénicos que as causam têm que vir de algum lado. É possível que os microrganismos perigosos eventualmente consigam estabelecer-se no hospital de Chicago, diz Mark Hernandez, engenheiro ambiental na Universidade do Colorado, Boulder. 

Os resultados do projecto fornecem um vislumbre inicial da forma como o microbioma hospital funciona mas Thomas Schmidt, ecologista microbiano na Universidade do Michigan em Ann Arbor, alerta para a necessidade de mais pesquisas serem feitas sobre o significado destes padrões para os doentes.

Algumas dessas pesquisas é natural que provenham da equipa de Gilbert. O consórcio espera conduzir estudos sobre os microbiomas em mais hospitais recém-inaugurados, bem como em instalações mais antigas.

 

 

Saber mais:

Vírus do intestino protegem de infecções

Cientistas criam gripe híbrida transmissível por via aérea

Riscos e benefícios da publicação de estudos sobre gripe mutante

A ressurreição de um gene associado a uma doença

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com