2013-05-22

Subject: Testes de gravidez trouxeram fungo mortal para os Estados Unidos

 

Testes de gravidez trouxeram fungo mortal para os Estados Unidos

 

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@ Nature/Heidi & Hans-Juergen Koch/Minden Pictures/FLPAQuando os testes de gravidez mais eficazes foram desenvolvidos na década de 60, o avanço veio acompanhado de um efeito colateral inesperado: um papel na propagação da quitridiomicose, uma doença fúngica letal que já dizimou centenas de espécies de rãs.

Um estudo publicado esta semana na revista PLoS ONE segue o fungo que causa a doença, o Batrachochytrium dendrobatidis, até um importante reservatório nas Américas, a rã-de-unhas-africana Xenopus laevis.

As rãs eram usadas nos testes de gravidez até ao início da década de 70, pois era sabido que as fêmeas ovulavam quando expostas à urina de uma mulher grávida. “A minha mãe disse-me que tinha feito o teste da rã", diz Vance Vredenburg, ecologista de anfíbios na Universidade Estadual de San Francisco, Califórnia, que liderou este último estudo. Quando o teste se tornou obsoleto, os hospitais libertaram as rãs, muitas das quais seriam portadoras do fungo, na natureza.

Apesar dos investigadores terem descoberto B. dendrobatidis em rãs do género Xenopus em África na década de 1930, ninguém tinha realmente testado a presença do fungo em rãs Xenopus libertadas na América do Norte. Vredenburg testou 23 amostras museológicas de Xenopus recolhidas na Califórnia entre 2001 e 2010 e encontrou três rãs infectadas de 2001 e 2003.

O trabalho apoia a ideia de que o Homem é responsável pela propagação da doença na América do Norte, ao introduzir uma espécie invasora portadora, pois ao contrário da maioria dos anfíbios, as rãs Xenopus não morrem depois de contrair a doença. "Se fosse uma propagação natural, um biólogo conservacionista poderia dizer que não devemos fazer nada mas isto mostra que temos que impedir a natureza de seguir o seu curso", diz Vredenburg.

Tem havido múltiplas espécies e eventos que propagaram a doença por todo o mundo, salienta Allan Pessier, patologista nos Laboratórios de Doenças da Vida Selvagem do Zoológico de San Diego na Califórnia. É preciso uma análise genética detalhada para localizar a rota exacta, diz ele.

As rãs Xenopus a ser usadas na investigação em todo o mundo: entre 1998 e 2004, por exemplo, mais de 71500 delas foram exportadas de África como animais de laboratório. De acordo com as regulamentações internacionais emitidas pela Organização Mundial para a Saúde Animal em Paris, todas as rãs têm que ser testadas para o B. dendrobatidis antes de serem embarcadas, seja como alimento, animal de laboratório ou animal de estimação, e os animais infectados devem ser tratados ou colocados em quarentena para impedir o contágio mas o cumprimento destas regras é muito variável. “Não me parece que o Departamento de Agricultura americano esteja realmente a aplicá-las", diz Pessier. “Nem sequer todos os locais de embarque têm capacidade para isso."

 

Apesar do B. dendrobatidis estar completamente descontrolado na natureza, a introdução de novas estirpes do fungo pode, em teoria, produzir uma doença mais virulenta. “É uma incógnita", diz Pessier. Ele está a favor de reproduzir em cativeiro as rãs destinadas ao comércio de animais de estimação, e não apenas das rãs Xenopus, como forma de garantir que estão livres de infecções antes da venda.

Quanto à utilização das rãs Xenopus em laboratório, “a parte ecologista de mim quer que sejam fortemente regulamentadas", diz Vredenburg. Alguns querem que a União Europeia introduza legislação de comércio de animais como forma de conter a propagação da doença e está em consideração nos Estados Unidos uma regra que apenas permita as importações de rãs Xenopus com autorização e exclusivamente com objectivos zoológicos, educativos, médicos ou científicos. Mas Vredenburg reconhece que alguns cientistas estão preocupados com regulamentações restritivas.

Actualmente, não há formas eficazes de tratar a quitridiomicose na natureza. O programa Arca dos Anfíbios ajuda a capturar populações ameaçadas e a mantê-las vivas em cativeiro, enquanto investigadores em todo o mundo estão a trabalhar no desenvolvimento de vacinas e probióticos tópicos, bem como na reprodução de animais naturalmente resistentes. No entanto, todas estas estratégias têm problemas práticos que têm impedido a sua implementação.

 

 

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