2013-05-11

Subject: Dieta marinha está a matar raposas do árctico em ilha russa

 

Dieta marinha está a matar raposas do árctico em ilha russa

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/PLOS ONE

Uma população isolada de raposas do árctico que se alimenta exclusivamente de animais marinhos parece estar a sucumbir lentamente ao envenenamento por mercúrio.

As raposas da ilha Mednyi, uma das ilhas do arquipélago russo Commander no Mar de Bering, são uma subespécie de raposas do árctico Vulpes lagopus que permaneceu isolada por milhares de anos. Em tempos foram suficientemente numerosas para suportar um pequeno mas florescente de caçadores de peles. Depois de a colónia humana ter sido abandonada na década de 70, a população de raposas começou a entrar em declínio, caindo de mais de mil animais para menos de 100 indivíduos actualmente.

Investigadores da Universidade Estadual de Moscovo quiseram descobrir se o colapso populacional teria sido causado por doenças introduzidas pelos caçadores e seus cães, pelo que se juntaram a Alex Greenwood, chefe do departamento de doenças da ida selvagem no Instituto Leibniz para a Investigação Zoológica e da Vida Selvagem em Berlim, bem como com outros colegas alemães e islandeses. 

A equipa foi em busca de quatro agentes patogénicos caninos vulgares em raposas capturadas na ilha Mednyi e em peles conservadas de espécimes museulógicos das raposas das ilhas Commander. Tudo o que descobriram foi um punhado de casos de infecção por Toxoplasma gondii, que causa a toxoplasmose, mas que por si só não seria responsável pelo colapso populacional.

Assim, os investigadores viraram-se para a dieta das raposas. As raposas da ilha Mednyi subsistem caçando aves marinhas e aproveitando as ocasionais carcaças de foca. Como poluentes como o mercúrio se acumulam nos animais marinhos, particularmente no Árctico, testaram as raposas e encontraram elevados níveis deste metal pesado. O pelo das raposas tinha 10 miligramas de mercúrio por quilograma, em média, com picos de 30 mg.kg–1. Em comparação, as raposas que vivem longe da costa na Islândia tinham níveis bem menores, de cerca de 3,5 mg.kg–1.

A equipa de Greenwood também comparou os níveis de mercúrio das raposas de Mednyi com os da população da vizinha ilha de Bering e os de populações costeiras de raposas islandesas. Os níveis de mercúrio também eram altos nessas populações mas a população da ilha de Bering e da Islândia costeira não sofreram o mesmo colapso populacional que a de Mednyi. Os resultados foram publicados na última edição da revista PLoS ONE.

 

A diferença, pensam os investigadores, é que as raposas de Mednyi não têm outra opção de alimento. A ilha Bering é maior que Mednyi, com pequenos mamíferos como lemingues e musaranhos, para além de população humana que cria lixo que as raposas aproveitam. As raposas costeiras na Islândia, da mesma forma, têm a opção de se dirigir para o interior e variar a sua dieta.

“Não é tanto o que elas comem, mas sim onde o comem”, diz Greenwood. “As raposas de Mednyi podem ser mais susceptíveis ao aumento global dos níveis de mercúrio."

Mas Dominique Berteaux, ecologista árctico na Universidade do Quebeque em Rimouski, Canadá, alerta para o facto de a equipa não ter provado definitivamente a ligação entre a contaminação por mercúrio e o declínio populacional neste estudo: “Tem sido sempre essa a hipótese mas é muito difícil de provar."

A co-autora do estudo Ester Rut Unnsteinsdóttir, da Universidade da Islândia em Reykjavik e directora do Centro da Raposa do Árctico em Sú∂avík, Islândia, espera que os resultados tornem as pessoas mais atentas à poluição em águas árcticas. “Nós também comemos organismos marinhos, talvez as pessoas parem para pensar 'o que podemos fazer para manter os oceanos limpos?'”

 

 

Saber mais:

Penas contam história de um século de poluição com mercúrio

Mercúrio causa homossexualidade em íbis machos

Nações unidas para cortar as emissões de mercúrio

Cor dos ovos indica DDT

Aves marinhas levam poluição para o Árctico

Droga veterinária mata abutres indianos

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com