2013-05-10

Subject: Mosquitos adoentados limitam propagação da malária

 

Mosquitos adoentados limitam propagação da malária

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/CDCOs cientistas modificaram mosquitos para transportarem uma bactéria que confere resistência ao parasita da malária, um avanço há muito esperado que poderá eventualmente reduzir o número de casos de malária em humanos.

Uma equipa liderada por Zhiyong Xi, entomólogo médico na Universidade Estadual do Michigan em East Lansing, infectou mosquitos Anopheles stephensi com bactérias do género Wolbachia para produzir insectos que pudessem passar a infecção à sua descendência. Mosquitos fêmea que transportavam a Wolbachia também se reproduziram com machos não infectados, relatam os cientistas Science, espalhando rapidamente a bactéria bloqueadora da malária a populações inteiras de insectos no espaço de oito gerações.

“Este é o primeiro artigo a relatar que é realmente possível usar a Wolbachia para controlar a malária", diz o geneticista Steven Sinkins, da Universidade de Oxford. Mas ele alerta que os testes de campo serão o verdadeiro teste deste avanço.

A Wolbachia já se sabia que bloqueava a capacidade dos mosquitos para transmitir outros agentes patogénicos humanos. Por exemplo, os cientistas tinham desenvolvido infecções herdáveis em mosquitos Aedes aegypti que impediram que os insectos de transmitir o vírus do dengue mas a manipulação dos mosquitos que transmitem exclusivamente o parasita da malária, do género Anopheles, tem-se revelado mais complicada.

Os mosquitos anofelinos são altamente sensíveis ao seu ambiente e preferem condições que podem ser difíceis de reproduzir em laboratório. Mais, os cientistas tiveram grande dificuldade em identificar que estirpes de Wolbachia produziriam uma infecção estável nessas espécies de mosquito.

“Os investigadores questionavam-se se os mosquitos anofelinos eram fisiologicamente capazes de suportar a Wolbachia”, diz Scott O’Neill, deão de ciência da Universidade Monash em Melbourne, Austrália, que dirigiu a equipa que descobriu que a Wolbachia poderia ajudar a bloquear a transmissão da febre de dengue.

A combinação bem sucedida encontrada por Xi emparelha a espécie anofelina que funciona melhor em laboratório, A. stephensi, vector da malária no Médio Oriente e sul da Ásia, com a estirpe de Wolbachia conhecida por infectar o mosquito Aedes. Os investigadores injectaram bactérias em centenas de embriões de mosquito antes de identificar uma fêmea que sobreviveu para passar a sua infecção às gerações futuras criadas no laboratório de Xi.

Os descendentes dessa fêmea sobrepuseram-se a populações que não estavam infectadas com Wolbachia quando os investigadores introduziram algumas fêmeas infectadas e grande número de machos infectados em populações não infectadas de mosquitos. As fêmeas de mosquito puseram ovos infectados, enquanto os machos infectados com Wolbachia apenas se reproduziam com sucesso com fêmeas infectadas (se acasalassem com fêmeas não infectadas, a descendência morria antes dos ovos chocarem).

 

Esses mosquitos também são capazes de manter ao largo o Plasmodium falciparum, o parasita causador da malária, descobriram os investigadores. Os mosquitos infectados com Wolbachia que foram alimentados com sangue de rato contendo P. falciparum transportaram níves 3,4 vezes inferiores do parasita nas suas glândulas salivares, quando comparados com os mosquitos não infectados com a mesma dieta.

Em conjunto, estas descobertas sugerem que na natureza os mosquitos infectados com Wolbachia resistentes à malária podiam potencialmente substituir as populações naturais de mosquitos vectores do parasita. Eventualmente, isto pode mesmo reduzir a transmissão da malária a humanos.

 Os investigadores não têm a certeza de que forma a Wolbachia consegue expulsar outros agentes patogénicos mas suspeitam que a bactéria cria um ambiente tóxico no mosquito, possivelmente ao activar a resposta imunitária do insecto. De facto, Xi descobriu que os tecidos dos seus mosquitos infectados continham mais espécies de oxigénio reactivo (que inibem agentes patogénicos como o P. falciparum) que os insectos não infectados com Wolbachia.

Agora, com a esperança que a linha de mosquitos estavelmente infectados possa controlar a propagação da malária, Xi e a sua equipa estão a trabalhar em testá-los em locais devastados pela malária. A melhor parte desta estratégia de controlo, diz Xi, é que “uma vez lançada numa área, todos beneficiarão, sejam ricos ou pobres".

 

 

Saber mais:

Parasita da malária humana provém de gorilas

Mosquitos herdam resistência a repelente

Protecção natural contra formas graves de malária

Vacina contra malária pronta para fase III de testes

Mosquitos anti-malária são mais aptos

Maioria da malária afecta uns poucos azarados

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com