2013-05-09

Subject: Oceanos sob vigilância

 

Oceanos sob vigilância

 

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@ Nature/Rapid: NERC; SAMOC: NOAA; OSNAP: S. LozierUm ‘tapete rolante' global agita os oceanos de cima a baixo, com as correntes superficiais a transportar água quente para os pólos, enquanto a água fria das profundezas flui de volta para os trópicos.

No entanto, este tapete rolante não é fluido, funciona aos arranques com a força das correntes a variar grandemente.

Ansiosos por compreender melhor a forma como os solavancos do tapete rolante moldam o tempo e o clima, os oceanógrafos estão a planear dois projectos em larga escala para monitorizar as correntes do Atlântico.

Um conjunto de instrumentos localizados entre a Florida e as Ilhas Canárias tem vindo a monitorizar continuamente a força da porção norte atlântica do tapete rolante desde 2004. Em Dezembro, se tudo correr bem, um projecto internacional liderado pelos Estados Unidos iniciará outro conjunto de medições contínuas da Circulação de Retorno do Atlântico Meridional (CRAM), usando um conjunto de sensores desde a África do Sul à Argentina e, este mês, agências americanas e britânicas devem decidir se apoiarão um novo conjunto de monitorização superfície-fundo entre o Labrador e a Escócia. O Reino Unido também irá decidir se continuará a operar o conjunto de sensores existente.

Expandir este tipo de monitorização é crucial se os cientistas pretendem melhorar as previsões sazonais do tempo e do clima, diz Harry Bryden, oceanógrafo na Universidade de Southampton. Os componentes da CRAM, como a Corrente do Golfo, movem enormes quantidades de calor dos trópicos para as latitudes mais elevadas, aquecendo os ventos que mantêm o clima europeu ameno. Em resultado disso, alterações anuais e a longo prazo da força dessas correntes pode afectar as condições sazonais por toda a Europa, África e Américas.

Observações da rede de sensores financiada pelo Reino Unido, designada rede de monitorização de Alterações Climáticas Rápidas (RAPID), a linha existente de equipamentos ancorados que mede a velocidade e a direcção da corrente, temperatura da água, salinidade e pressão a várias profundidades ao longo da latitude 26,5° norte, sugerem que a força da corrente da circulação de retorno pode variar enormemente. Em Abril de 2009, os sensores registaram uma queda de 30% em média da força da corrente que persistiu durante um ano, reduzindo o calor transportado para o Atlântico norte em cerca de 200 triliões de watts (o equivalente à produção de mais de 100 mil grandes centrais térmicas).

A anomalia, muito maior do que os modelos sugeriam que poderia acontecer, foi conduzida por padrões de vento invulgares, fortalecendo as correntes quentes de superfície e enfraquecendo os fluxos frios em profundidade. Foi associada ao Inverno invulgarmente agreste de 2009–10 na Europa. Bryden interroga-se sobre se a anomalia também terá sido responsável pelo tempo invulgarmente húmido no Reino Unido: “Tivemos seis Verões desgraçados seguidos, o que se passará?"

Para o investigar, os cientistas estão agora a focar-se num componente crucial do tapete rolante: a região do Atlântico norte onde a água superficial que se dirige para norte vinda dos trópicos arrefece e afunda, antes de voltar para trás em direcção ao equador. Os modelos climáticos sugerem que a taxa desta formação de água profunda deverá diminuir pelo final do século, o que é problemático pois essa formação é o motor da circulação oceânica mas também porque transporta enormes quantidades de dióxido de carbono para as profundezas, sequestrando-o na atmosfera.

 

“Precisamos de descobrir de que forma as massas de água nas latitudes elevadas estão associadas à circulação atlântica maior", diz Susan Lozier, oceanógrafa física na Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte. “Isso não é apenas importante para os oceanógrafos, o oceano desloca tais quantidades de calor e carbono que deve interessar a todos."

Para compreender de que forma a formação da água profunda funciona, e porque varia, Lozier propôs a instalação de uma rede de sensores ancorados e flutuadores autónomos chamada Programa de Retorno no Atlântico Norte Subpolar (OSNAP). Esta rede consiste em dois ramos: uma linha ocidental estendendo-se desde o sul do Labrador à ponta sudoeste da Groenlândia e uma linha oriental da Groenlândia à Escócia. Se a Fundação Nacional para a Ciência americana e o inglês Conselho de Investigação do Ambiente Natural aprovarem o projecto de US$24 milhões, as medições de calor e correntes na região de formação das águas profundas podem começar em Julho de 2014. 

Os cientistas também estão a tentar seguir a água fria profunda à medida que esta flui para o turbulento Atlântico sul, que também recebe o influxo de água quente superficial do oceano Índico. África do Sul, Brasil, França, Argentina e Estados Unidos estão a contribuir para uma rede de monitorização que está a ser construída a 34,5° sul, entre a África do Sul e a Argentina, como parte do programa Circulação de Retorno do Atlântico Sul Meridional (SAMOC) de US$5 milhões.

A maioria dos cientistas considera extremamente improvável que o aquecimento global desencadeie um colapso da circulação oceânica, o cenário apocalíptico que inspirou o filme de acção de 2004 O dia depois de amanhã, mas Bryden refere que o soluço da circulação atlântica em 2009 é uma indicação de até que ponto o comportamento dos oceanos pode ser surpreendente: “O próximo pode ter o dobro da dimensão."

 

 

Saber mais:

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