2013-05-08

Subject: Descoberta de nova espécie de planta na Amazónia pode ser 'mina de ouro verde'

 

Descoberta de nova espécie de planta na Amazónia pode ser 'mina de ouro verde'

 

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@ Nature/Rainer W. Bussmann, MBG-WLBCNo jardim de um agricultor no interior da Amazónia peruana, Rainer Bussmann e Carlos Vega descobriram uma mina de ouro em Agosto de 2012: os dois homens viram uma planta que não reconheceram.

As suas sementes verdes e rechonchudas assemelhavam-se às de uma família de plantas conhecidas no Peru por sacha inchi, que produzem óleo rico em ácidos gordos omega-3 mas as vagens da nova planta, mais tarde baptizada Plukenetia carolis-vegae, eram maiores que as das espécies de sacha inchi conhecidas, Plukenetia volubilis e Plukenetia huayllabambana.

Bussmann, etnobotânico do Jardim Botânico do Missouri em St Louis, e Vega, chefe do Instituto para o Desenvolvimento Local Sustentado e Conservação Biológica e Cultural da Amazónia Andina (INBIAPERU) em Trujillo, Peru, tinham tropeçado numa espécie desconhecida para a ciência. Agora, esperam transformá-la numa 'cultura conservacionista' que pode ser cultivada comercialmente à sombra da copa da floresta amazónica, sem que seja necessário abater árvores.

Um agricultor que se apresentou apenas como Rodriguez tinha descoberto a planta na floresta perto do seu depósito de lenha. Familiarizado com a sacha inchi e impressionado com as enormes sementes da sua descoberta, transplantou-a para o seu jardim. Quando Bussmann e Vega conheceram Rodriguez, ele e a sua família já tinham adquirido um gosto pelas sementes tostadas e vendido alguma da sua colheita.

Bussmann, cujo grupo descobriu a P. huayllabambana na mesma área em 2008, diz que a P. carolis-vegae é mais robusta, produzindo sementes maiores e folhas mais carnudas mas prefere focar-se nas semelhanças potenciais entre as duas plantas.

Se os resultados laboratoriais da P. huayllabambana são alguma indicação, as sementes da P. carolis-vegae estarão carregadas de um ácido gordo essencial omega-3, o ácido α-linolénico (ALA). Bussmann espera que a reputação de saudável do óleo da sacha dê ímpeto ao cultivo das duas espécies em larga escala. Se as plantas amantes da sombra puderem ser cultivadas debaixo da copa da floresta, podem salvar árvores que de outra forma seriam abatidas para abrir espaço para agricultura e pastagens.

 

Estudos mostram que o tipo de ácidos gordos omega-3 encontrados nos óleos de peixe ajudam a proteger contra doenças cardíacas, artrite, Alzheimer e até depressão mas as evidências de que o ALA tem o mesmo efeito são “mistas e inconclusivas", diz Dariush Mozaffarian, epidemiologista na Escola de Saúde Pública de Harvard em Boston, Massachusetts. “Não houve experiências que testassem apenas os omega-3 vegetais e tivessem mostrado benefícios."

Mas mesmo que o óleo de sacha inchi acabe por não ser algo que possa ser vendido como suplemento dietético, pode ser comercializado como óleo alimentar. Bussmann, que até tem uma garrafa de óleo de P. huayllabambana no seu gabinete, diz que é excelente em saladas: o sabor faz-lhe lembrar amendoim e pepino.

O trabalho de Bussmann para obter culturas agrícolas de espécies de Plukenetia parece ir além do papel tradicional de um cientista mas Ina Vandebroek, etnobotânica no Jardim Botânico de Nova Iorque, considera a situação típica do campo. “Os etnobotânicos também devem ter uma responsabilidade social. A nossa tarefa não é apenas registar conhecimento e publicar artigos científicos mas também dar algo de volta às pessoas com quem trabalha." O desenvolvimento de culturas pode ser uma forma de o fazer.

Bussmann acredita que o cultivo em larga escala de P. carolis-vegae ainda está a alguns anos de distância. A planta recém-descoberta ainda é rara, “existem apenas algumas dezenas de arbustos", diz ele. As sementes negras e do tamanho de uma cereja grande "podem ser torradas e esmagadas para fazer hummus”, diz ele, como um verdadeiro vendedor. “São muito saborosas."

 

 

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