2013-05-05

Subject: Cientistas criam gripe híbrida transmissível por via aérea

 

Cientistas criam gripe híbrida transmissível por via aérea

 

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Enquanto o mundo se transfigura por uma nova estirpe de vírus da gripe das aves, o H7N9, que se vai espalhando pela China, um estudo recorda-nos que outra estirpe da gripe das aves, o H5N1, ainda representa uma ameaça pandémica.

Uma equipa de cientistas chineses criou vírus híbridos misturando genes das estirpes H5N1 e H1N1, esta última responsável pela gripe pandémica de 2009, e demonstrou que alguns dos híbridos podem propagar-se pelo ar entre porquinhos-da-índia. Os resultados foram publicados na última edição da revista Science.

Os vírus híbridos podem surgir naturalmente quando duas estirpes virais infectam a mesma célula e trocam genes. Esta processo, conhecido por recombinação, produziu as estirpes responsáveis pelas últimas três pandemias de gripe, pelo menos, incluindo a de 2009.

Não há evidências que o H5N1 e o H1N1 se tenham recombinado naturalmente, até agora, mas têm muitas oportunidades para o fazer. Os vírus sobrepõem-se tanto em localização geográfica como nas espécies que infectam e, apesar do H5N1 ter maior tendência para trocar genes com a sua própria linhagem, o H1N1 pandémico parece especialmente dado à recombinação.

“Se estes vírus H5N1 transmissíveis entre mamíferos forem gerados na natureza, é altamente provável que surja uma pandemia”, diz Hualan Chen, viróloga no Instituto de Investigação Veterinária Harbin da Academia Chinesa de Ciências, que liderou o estudo.

“É um trabalho extraordinário e mostra claramente de que forma a circulação contínua das estirpes H5N1 na Ásia e no Egipto continua a representar uma real ameaça para a saúde humana e animal", diz Jeremy Farrar, director da Unidade de Investigação Clínica da Universidade de Oxford na Cidade Ho Chi Minh, Vietname.

Os resultados de Chen devem reacender a controvérsia que perseguiu a comunidade da gripe no ano passado, quando dois grupos descobriram que o H5N1 poderia transmitir-se pelo ar se contivesse certas mutações num gene que codifica a proteína hemaglutinina (HA). No seguimento de aceso debate sobre questões de biossegurança, a comunidade da gripe instigou uma moratória voluntária de um ano sobre a pesquisa que produzisse mais estirpes transmissíveis. As experiências de Chen estavam todas concluídas antes deste período mas é de esperar que mais trabalhos surjam após este hiato.

“Acredito que este tipo de pesquisa é crucial para a nossa compreensão da influenza”, diz Farrar. “Mas este tipo de trabalho, seja onde for no mundo, precisa de ser fortemente regulamentado e conduzido em instalações seguras, que estão registadas e certificadas de acordo com um standard internacional comum."

Os virologistas já criaram H5N1 recombinados anteriormente. Um estudo descobriu que o H5N1 não produzia híbridos transmissíveis quanto recombina com a estirpe de gripe H3N2. Mas em 2011, Stacey Schultz-Cherry, viróloga no Hospital de Investigação Pediátrica St. Jude em Memphis, Tennessee, demonstrou que o H1N1 pandémico se torna mais virulento se transportar o gene HA do H5N1.

A equipa de Chen misturou sete segmentos de genes das estirpes H5N1 e H1N1 em todas as combinações possíveis, criando 127 vírus recombinados, todos com o gene HA do H5N1. Alguns destes híbridos conseguiam propagar-se pelo ar entre porquinhos-da-índia em gaiolas adjacentes, desde que contivessem um dos, ou os dois, genes PA e NS do H1N1. Dois outros genes do H1N1, o NA e o M, promoviam a transmissão pelo ar em menor grau e um outro, o gene NP, só o fazia quando em combinação com o gene PA.

 

“É um artigo muito extenso", diz Schultz-Cherry. “Realmente mostra que se trata de mais do que o gene HA. Outras proteínas são igualmente importantes e podem ser o motor da transmissão.” Chen considera, por isso, que as organizações de saúde deveriam monitorizar os vírus selvagens em busca das combinações génicas que a sua equipa identificou no último estudo.

Não é claro de que forma os resultados se aplicam aos humanos. Os porquinhos-da-índia têm receptores proteicos semelhantes aos das aves nas suas vias respiratórias, para além dos de mamífero, pelo que os vírus recombinantes podem ligar-se a eles com maior facilidade do que aconteceria com o Homem.

Para além disso, os cientistas não sabem se os vírus híbridos são tão mortíferos como o seu progenitor H5N1. Os híbridos não mataram qualquer porquinho-da-índia mas Chen considera que estes roedores não são bons modelos de patogenicidade em humanos.

Também existe a possibilidade de que a exposição mundial que já ocorreu com a estirpe pandémico do H1N1 mitigue o risco de pandemia futura ao fornecer às pessoas alguma imunidade contra recombinantes com o H5N1. Num estudo anterior, Chen e os seus colegas já tinham mostrado que a vacina feita com o H1N1 pandémico fornecia alguma protecção contra infecções por H5N1 em ratos.

“Se retirarmos esses anticorpos de pessoas que foram vacinadas ou infectadas naturalmente, irão reagir com estes vírus", pergunta Schultz-Cherry. “É um estudo importante e que precisa de ser feito."

Ironicamente, a equipa de Chen está agora demasiado ocupada a reagir à emergente ameaça de uma estirpe diferente de gripe das aves, a H7N9, pelo que novas investigações sobre o H5N1 terão que esperar.

 

 

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