2013-04-28

Subject: Homem não é o único 'macaco de imitação'

 

Homem não é o único 'macaco de imitação'

 

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Aves com plumagem semelhante juntam-se no mesmo bando diz o ditado anglo-saxónico mas será que as aves que se juntam no mesmo bando desenvolvem uma cultura distinta? Dois estudos publicados na revista Science encontraram fortes evidências de que pelo menos com macacos e baleias que fazem parte do mesmo grupo é mesmo assim e que a situação surge da mesma forma que com o Homem: os indivíduos imitam-se e aprendem uns com os outros.

A equipa liderada por Erica van de Waal, psicóloga de primatas na Universidade de St Andrews, criou duas culturas distintas, a azul e a cor-de-rosa, entre grupos de macacos-verdes Chlorocebus aethiops selvagens na África do Sul. Os investigadores treinaram dois conjuntos de macacos a comer milho tingido com uma das duas cores mas apresentavam milho misturado com as duas cores. Seguidamente esperaram para ver de que forma os grupos se comportavam quando recém-chegados, bebés e machos migrantes, apareciam.

Ambos os conjuntos de recém-chegados pareciam seguir pistas sociais quando seleccionavam os seus petiscos. Os macacos bebés comiam milho da mesma cor que as suas mães e sete dos dez machos que migraram de uma cultura de cor para a outra adoptaram a cor local na primeira vez que comeram milho. A tendência foi ainda mais forte quando se alimentaram pela primeira vez em presença de macacos hierarquicamente superiores, com nove dos dez machos a escolherem a variedade preferida localmente. O único migrante que ignorou a tendência foi um macaco que assumiu a liderança do seu novo grupo logo que chegou, pelo que não se deve ter preocupado nada com o que os outros comiam por lá.

“A mensagem que temos de daqui retirar é que a aprendizagem social, aprender a partir da experiência de outros e não por tentativa e erro individual, é uma força mais potente a moldar o comportamento de animais selvagens do que tinha sido reconhecido até agora”, diz Andrew Whiten, psicólogo evolutivo e do desenvolvimento também em St Andrews e co-autor do artigo.

O estudo é marcante porque é uma das muito poucas experiências controladas de sucesso na natureza, diz Frans de Waal, director do Centro Living Links no Centro Nacional de Investigação de Primatas Yerkes na Universidade Emory de Atlanta, Georgia: “Indicia um nível de conformismo que a maioria de nós, até agora, não considerava possível."

No segundo estudo, uma equipa liderada pela estudante de ciência de mamíferos marinhos em St Andrews Jenny Allen examinou 27 anos de dados de observações de baleias no Golfo do Maine, ao largo da costa leste dos Estados Unidos, para determinar se as dicas sociais ajudavam um método inovador de alimentação a proliferar entre baleias de bossa Megaptera novaeangliae.

As baleias de bossa geralmente alimentam-se soprando bolhas de ar sob cardumes de peixe, levando a que estes se condensem para fugir às bolhas. Quando as baleias se lançam para cima no meio do círculo de bolhas, abocanham de uma só vez o cardume quase todo. 

Mas em 1980 observadores no golfo viram algo novo: uma baleia de bossa a bater na superfície da água com a cauda antes de prosseguir com a tradicional coluna de bolhas. Nesse ano a situação ocorreu apenas uma vez numa amostra de 150 eventos de alimentação mas em 2007, 37% das baleias de bossa no Golfo do Maine usavam esta técnica, desde então baptizada como alimentação barbatana caudal.

 

Para determinar de que forma a alimentação barbatana caudal se tornou tão popular tão rapidamente, Allen e a sua colega aplicaram um método chamado análise de difusão de rede às observações do comportamento das baleias de bossa recolhidas pelo Centro de Baleias da Nova Inglaterra em Gloucester, Massachusetts, entre 1980 e 2007. A técnica assume que indivíduos que passam mais tempo juntos têm maior probabilidade de transmitir comportamentos uns aos outros. A análise de Allen revelou que até 87% das baleias que adoptaram a técnica de alimentação barbatana caudal a tinham aprendido a partir de outras baleias de bossa.

“Sabemos que as canções das baleias de bossa também são transmitidas culturalmente", diz Luke Rendell, biólogo em St Andrews e co-autor do estudo sobre as baleias, “por isso temos aqui uma população com duas tradições a evoluírem independentemente, uma cultura."

David Wiley, coordenador de investigação do Santuário Marinho Nacional de Stellwagen Bank da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos em Scituate, Massachusetts, diz que o trabalho é importante e inovador: “Vem somar-se a um crescente corpo de informação que demonstra a complexidade do comportamento das baleias de bossa e as suas aparentes raízes na aprendizagem social."

 

 

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