2013-04-26

Subject: Criação da Europa desvendada pelo DNA

 

Criação da Europa desvendada pelo DNA

 

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@ BBC

DNA sequenciado a partir de amostras obtidas de perto de 40 esqueletos antigos lançou luz sobre os complexos eventos pré-históricos que moldaram as populações europeias modernas.

Um estudo de vestígios da Europa central sugere que as fundações do fundo genético moderno do Homem foram lançadas há 4 a 2 mil antes a.C., nos tempos neolíticos. Estas alterações foram provavelmente causadas pelo crescimento e movimento rápidos de algumas populações.

O estudo, realizado por uma equipa internacional de investigadores, foi publicado na última edição da revista Nature Communications.

Décadas de estudo dos padrões de DNA dos europeus modernos sugerem que dois grandes eventos na pré-história afectaram significativamente a paisagem genética do continente: a sua colonização inicial por caçadores-recolectores no Paleolítico (há 35 mil anos) e uma vaga de migração de agricultores do próximo oriente no início do Neolítico (há 6 mil anos).

A análise do DNA de esqueletos antigos da Europa central e do norte parece mostrar que o legado genético dos caçadores-recolectores foi praticamente apagado por migrações posteriores, incluindo a dos agricultores pioneiros do Neolítico mas provavelmente também por outras posteriores.

Este último estudo revela que os acontecimento que ocorreram algum tempo depois da migração inicial de agricultores para a Europa tiveram um enorme impacto no fundo genético moderno. 

No estudo, uma equipa internacional de investigadores focou-se no DNA mitocondrial (mtDNA), material genético que é transmitido praticamente inalterado de mãe para filhos. Ao estudar as mutações do mtDNA, os investigadores foram capazes de sondar as histórias maternas das diferentes populações humanas, permitindo-lhes construir uma árvore genealógica da ancestralidade materna e agrupar as diferentes linhagens de mtDNA com base nas mutações partilhadas.

Depois, os autores optaram por se centrarem num desses agrupamentos, conhecido por haplogrupo H, que domina as varações de mtDNA na Europa. Actualmente, mais de 40% dos europeus pertence a este clã genético, com frequências muito superiores na Europa ocidental que na do leste.

A equipa seleccionou 37 esqueletos humanos da região de Mitelelbe Saale da Alemanha e de Itália, todos pertencendo ao clã H. Esta zona tem uma colecção de esqueletos humanos muito bem preservados que formam um registo contínuo de colonização através de diferentes culturas arqueológicas desde os tempos paleolíticos.

Os esqueletos investigados abrangem 3500 anos de pré-história europeia, do Neolítico inicial à Idade do Bronze.

A sequenciação do genoma mitocondrial destes 39 esqueletos revelou alterações dinâmicas nos padrões do DNA ao longo do tempo. A equipa descobriu que as assinaturas genéticas dos humanos do Neolítico inicial eram raras ou totalmente ausentes nas populações modernas e apenas cerca de 19% dos esqueletos desse período na Europa central pertencem ao haplogrupo H.

 

Mas, a partir do Neolítico médio, os padrões de DNA assemelham-se mais aos dos humanos que vivem na zona actualmente, apontando para uma importante, e até aqui desconhecida, reviravolta populacional por volta de há 4 mil anos a.C.

O co-autor do estudo Alan Cooper, da Universidade de Adelaide, Austrália, refere: "O que é intrigante é que os marcadores genéticos desta primeira cultura pan-europeia, que foi claramente muito bem sucedida, foram subitamente substituídos há cerca de 4500 anos e não sabemos porquê. Algo grande deve ter acontecido e a tarefa agora é descobrir o que foi."

O crescimento populacional e as migrações da Europa ocidental podem ter aumentado a frequência de pessoas com o haplogrupo H. Uma contribuição significativa parece ter sido feita no final do Neolítico por populações da apelidada cultura arqueológica do Vaso Campaniforme. Subtipos do haplogrupo H vulgares na actualidade surgiram pela primeira vez com o povo do vaso campaniforme e a percentagem total de indivíduos pertencentes o clã H dispara abruptamente por volta dessa altura.

As origens do povo do vaso campaniforme têm sido alvo de aceso debate. Apesar de terem sido escavados da região de Mittelelbe Saale da Alemanha, os indivíduos do vaso campaniforme usados neste estudo revelam fortes semelhanças genéticas com os portugueses e espanhóis actuais. Outros esqueletos pertencentes à cultura do Neolítico tardio dos Unetice comprovam ligações com populações mais a leste.

"Estabelecemos que as fundações genéticas da Europa moderna apenas ficaram definidas em meados do Neolítico, depois desta enorme transição genética há cerca de 4 mil anos", explica o co-autor do estudo Wolfgang Haak. "Esta diversidade genética foi depois ainda mais modificada por uma série de culturas que se expandiram da Ibéria e da Europa de leste, durante o Neolítico tardio."

Spencer Wells, director do Projecto Genográfico, que esteve por trás do estudo, comentou: "Estudos como este com esqueletos antigos são preciosas ajudas para o trabalho que estamos a fazer com as populações modernas no Projecto Genográfico. Ainda que o DNA de pessoas vivas possa revelar o resultado final dos movimentos dos seus ancestrais, para realmente compreender a dinâmica de como os padrões genéticos modernos se formaram precisamos de material antigo."

 

 

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