2013-04-25

Subject: Europa debate proibições para salvar abelhas

 

Europa debate proibições para salvar abelhas

 

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@ Nature/Mark Bowler /naturepl.comPor todo o globo as colmeias de abelhas melíferas estão a morrer, um fenómeno conhecido por doença do colapso das colónias.

Entre os culpados avançados estão os pesticidas do tipo neonicotinóides, que supostamente são menos danosos para insectos úteis e para mamíferos que a anterior geração de químicos.

O debate sobre os neonicotinóides tem sido aceso. Grupos conservacionistas e políticos europeus apelaram a uma proibição do seu uso mas as organizações agrícolas consideram que os agricultores sofrerão muito com isso. Na próxima segunda-feira, os governos europeus irão ter um voto crucial sobre se restringem fortemente ou proíbem totalmente o uso de três neonicotinóides.

Entretanto, os cientistas debatem vigorosamente se os estudos sobre os neonicotinóides e a saúde das abelhas e abelhões, na maioria realizados em ambiente laboratorial, reflectem com rigor o que se passa com os insectos no campo.

Os neonicotinóides, que matam os insectos ao ligar-se a receptores no seu sistema nervoso, estão em uso desde o final da década de 90. São aplicados a culturas como o milho ou a soja e impregnam as plantas, protegendo-as de pragas de insectos. Mas um corpo crescente de evidências sugerem que a exposição subletal aos pesticidas no néctar e pólen pode estar a envenenar as abelhas também, perturbando a sua capacidade de recolher pólen, regressar à colmeia e reproduzir-se.

Em Janeiro, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar concluiu que três neonicotinóides de uso corrente (clotianidina, imidacloprida e tiametoxam) não deviam ser usados onde pudessem acabar em culturas que atraiam abelhas, como o milho. A Comissão Europeia propôs uma proibição de dois anos à sua utilização mas a proposta não teve apoio suficiente e foi chumbada. Agora, a 29 de Abril, será novamente votada.

Muitos investigadores, no entanto, consideram que os estudos não bastam para emitir a proibição pois usam doses muito altas dos pesticidas. David Goulson, perito em abelhas na Universidade do Sussex, pensa que a maior parte dos estudos feitos até agora usaram doses realistas: “Não posso dizer que tenho a certeza que estes impactos existem mesmo na natureza mas parece-me provável que sim."

Mesmo que os neonicotinóides não sejam directamente responsáveis pela doença do colapso das colónias, podem desempenhar um papel em tornar as abelhas mais susceptíveis ao ácaro parasita Varroa destructor e ao fungo parasita Nosema apis, ambos suspeitos principais, acrescenta Christian Krupke, entomólogo na Universidade Purdue em West Lafayette, Indiana. Segundo ele, com base nas evidências actuais, os neonicotinóides deviam ser restringidos imediatamente, como precaução.

 

Um dos poucos estudos de campo apenas serviu para atiçar a controvérsia depois da sua publicação em Março. Realizado pela DEFRA inglesa, expôs 20 colónias de abelhões em três locais a culturas não tratadas, tratadas com clotianidina e tratadas com imidacloprida. Não encontrou relações consistentes entre os níveis de pesticida e danos para os insectos.

A DEFRA também reviu o corpo de evidências sobre os neonicotinóides e concluiu que, apesar de poderem existir “raros efeitos dos neonicotinóides sobre as abelhas no campo", estes não acontecem em circunstâncias normais.

Os peritos fizeram fila para criticar o estudo de campo. O neurocientista Christopher Connolly, da Universidade de Dundee, que estudou o efeito dos neonicotinóides no cérebro das abelhas, diz que as próprias colónias controlo estavam contaminadas com os pesticidas e que o tiametoxam foi detectado em dois dos três grupos testados, mesmo de não ter sido usado na experiência. Goulson concorda, dizendo do estudo: “De muitas formas, foi chocante."

Goulson e outros consideram que uma monitorização intensiva dos neonicotinóides e estudos de campo a longo prazo dos seus efeitos são desesperadamente necessários. Ele recorda um estudo de 2012 que descobriu neonicotinóides em dentes-de-leão que cresciam perto de culturas tratadas, sugerindo que os pesticidas se espalham para além do seu alvo inicial. "Este debate está demasiado focado nas abelhas, talvez estejamos a falhar o cenário mais amplo. Estamos a usar neonicotinóides há 20 anos sem realmente avaliar o impacto que podem ter no ambiente."

 

 

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