2013-04-15

Subject: Prevenção da tuberculose pode acelerar resistência aos medicamentos

 

Prevenção da tuberculose pode acelerar resistência aos medicamentos

 

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@ Nature/Um estudo publicado na revista Science Translational Medicine ilustra a escolha perversa que os peritos em saúde pública por vezes têm que fazer entre prevenir uma doença e preservar a eficácia do seu tratamento.

Quando se trata da tuberculose, o relatório revela que a profilaxia tem um custo muito superior ao que anteriormente se reconhecia.

O principal ingrediente do cocktail de medicamentos para o tratamento da tuberculose, o isoniazid, também pode proteger as pessoas da infecção inicial. Esta segunda função é particularmente importante para aqueles com sistemas imunitários frágeis, que frequentemente são infectados e acabam por morrer de tuberculose.

Na África subsaariana, a tuberculose é a principal causa de morte dos indivíduos infectados com HIV, pelo que, para corrigir este problema, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a terapia preventiva com isoniazid para estes pacientes, ainda que não revelem qualquer sinal de tuberculose activa.

No entanto, de acordo com este novo estudo, liderado por Harriet Mills da Universidade de Bristol, em comunidades que implementaram a terapia preventiva com isoniazid (IPT), a incidência de novos casos resistentes ao isoniazid por ano deverá duplicar nos próximos 40 anos.

O tratamento típico da tuberculose, que inclui o isoniazid, dura seis meses mas quando este composto não pode ser usado o paciente tem que suportar um tratamento mais longo, incluindo injecções e uma dúzia de comprimidos por dia durante dois anos. Estes medicamentos têm efeitos secundários importantes, como perda permanente da audição.

Os tratamentos para a tuberculose multirresistente também são mais caros. “A África do Sul gasta metade do seu orçamento para a tuberculose com casos de multirresistência, apesar destes casos corresponderem apenas a 3% do total", diz Ramanan Laxminarayan, director do Centro de Dinâmica, Economia e Política da Doença em Washington DC.

“Do ponto de vista de política, trata-se de um artigo extremamente importante", diz Laxminarayan, que não participou no estudo mais recente. Quando forem decidir se devem ou não seguir as recomendações da OMS sobre a IPT, os países que ainda não a implementaram devem ter em mente este alerta, diz ele.

No entanto, Karin Weyer, coordenadora do departamento Stop Tuberculosis da OMS, considera que “não é preciso entrar em pânico". Segundo ela, o estudo é “interessante" mas salienta que se baseia em modelos matemáticos e não em observações em pessoas reais: “Da perspectiva da OMS, procuramos provas de campo quando decidimos políticas."

 

A resistência é sabido que sobe quando pacientes com tuberculose activa foram tratados apenas com isoniazid, sem qualquer outro medicamento presente como terapia de primeira linha para a tuberculose. Este estudo acrescenta que os tratamentos preventivos também poderão ajudar as estirpes resistentes a propagar-se entre os pacientes a IPT e nas suas comunidades. Segundo os modelos matemáticos, as estirpes resistentes aos medicamentos deverão aumentar relativamente às estirpes normais, pois teriam mais hospedeiros humanos disponíveis quando alguns dos membros da comunidade receberem IPT.

No espaço de uma década, um aumento nos casos de resistência ao isoniazid pode não ser catastrófico se os novos cocktails de medicamentos de primeira linha, agora em estudo, chegarem às clínicas. Pelo menos dois regimes agora em testes clínicos não utilizam isonazid e, apesar dos temores de resistências, os autores do estudo mantêm-se a favor da IPT, desde que os médicos estejam atentos ao desenvolvimento de resistências.

Mas poucos dos países sobrecarregados com a tuberculose têm os fundos necessários à realização de diagnósticos de resistência eficazes. Por essa razão, Laxminarayan considera que, por enquanto, a IPT pode fazer sentido na África do Sul, onde existem os recursos necessários, mas não na Índia: “Temos sempre que ter o cuidado de não fazer mais mal que bem."

 

 

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