2013-04-13

Subject: Poluentes orgânicos envenenam o tecto do mundo

 

Poluentes orgânicos envenenam o tecto do mundo

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Jerome Lorieau Photography/Getty ImagesCompostos químicos tóxicos estão a acumular-se nos ecossistemas dos Himalaias e do planalto Tibetano, alertam os investigadores no primeiro estudo exaustivo de avaliação dos níveis de certos poluentes orgânicos nessa zona do mundo.

“O rigor e a qualidade do trabalho são impressionantes”, diz Surendra Singh, ecologista no Instituto de Investigação Florestal de Dehradun. “É o primeiro estudo a quantificar a acumulação de poluentes orgânicos persistentes nos ecossistemas da região."

Os poluentes orgânicos persistentes (POP) são compostos de carbono resistentes à degradação. Alguns têm origem na queima de combustíveis fósseis ou no processamento de resíduos electrónicos e outros são usados como pesticidas, herbicidas ou na manufactura de solventes, plásticos e produtos farmacêuticos. Alguns POP, como o pesticida diclorodifeniltricloroetano (DDT) e o herbicida Agente Laranja, podem causar doenças como cancros, perturbações neurológicas, disfunções reprodutivas e deformações fetais.

Muitos POP são voláteis e insolúveis, podendo viajar grandes distâncias. “Têm tendência a evaporar em locais quentes, apanhar boleia do dento e condensar em regiões frias", diz Xu Baiqing, ecologista no Instituto de Investigação do Planalto Tibetano em Pequim.

Em 2008, Xu relatou pela primeira vez a presença de DDT, hexaclorociclo-hexanos (HCH) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH) no leste do glaciar Rongbuk, perto do Evereste. “Os seus níveis correlacionam-se bem com a utilização humana desses compostos químicos", diz Wang Xiaoping, ecologista do Instituto de Investigação do Planalto Tibetano e autor principal desse estudo. Por exemplo, a quantidade de DDT caiu abruptamente durante a década de 70, quando muitos países europeus começaram a proibir a sua utilização, mas voltou a subir fortemente na década de 90, quando a sua utilização aumentou fortemente no subcontinente indiano. Outros POP continuam a ser de uso corrente em muitos países em desenvolvimento.

Esse não foi um incidente isolado. No quarto Workshop Ambiente do Terceiro Pólo, realizado entre 1 e 3 de Abril em Dehradun, Índia, Xu relatou que núcleo de gelo recolhidos por todos os Himalaias e planalto Tibetano estão repletos destes compostos tóxicos.

Para determinar a origem destes poluentes, Xu e os seus colegas correlacionaram medições meteorológicas com a composição química de parcelas de ar recolhidas em 16 localizações por toda a região. Descobriram que os POP na zona ocidental do planalto Tibetano eram transportados por ventos vindos da Europa e da África, enquanto os presentes nas regiões sul e sudeste eram trazidos pelas monções indianas do sul da Ásia.

 

Ainda mais alarmante, os investigadores também detectaram grandes quantidades de POP em vários componentes dos ecossistemas, como no solo, ervas, árvores e peixe, tanto nos Himalaias, como no planalto Tibetano, especialmente nas zonas mais elevadas. “Os seus níveis aumentam várias ordens de magnitude à medida que sobem a cadeia alimentar", diz Xu. A quantidade de DDT nas folhas é até quatro vezes superior que a presente nas florestas boreais do Árctico. “Se esta tendência continua, as florestas podem atingir um limiar crítico nas próximas décadas", diz ele.

Os resultados “são outro alerta para a forma como usamos os produtos químicos", diz David Molden, director do Centro para o Desenvolvimento Integrado da Montanha em Kathmandu.

Dado que alguns compostos persistentes se acumulam no topo da cadeia alimentar, os humanos podem ser expostos aos POP ao alimentar-se de carne e peixe e as comunidades da montanha são as mais fortemente atingidas, dizem os investigadores: “Eles não emitem estes compostos tóxicos mas são forçados a arcar com o seu impacto."

 

 

Saber mais:

Aerossóis tornam o metano mais potente

Aves marinhas levam poluição para o Árctico

Poluentes estão a alterar o comportamento dos animais

Ansiolíticos nos rios tornam peixes mais agressivos

Pontos vermelhos no bico das gaivotas podem indicar envenenamento

Declínio da natureza está a prejudicar as pessoas

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com