2013-04-07

Subject: Trabalho de detective revela pesca excessiva não relatada

 

Trabalho de detective revela pesca excessiva não relatada

 

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@ Nature/PEW Charitable trusts

É uma captura espantosa, em mais de uma maneira: a China está a subestimar as suas pescas no estrangeiro em mais de uma ordem de magnitude, segundo um estudo recentemente publicado. O problema é particularmente agudo nas ricas pescas da África ocidental, onde a falta de transparência nos relatórios está a ameaçar os esforços para avaliar a saúde ecológicas dessas águas.

“Não conseguimos avaliar o estado dos oceanos sem saber o que está a ser retirado deles", diz Daniel Pauly, investigador de pescas na Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver, Canadá, que liderou o estudo. As capturas não relatadas estão a arrasar a pesca artesanal que ajuda a alimentar as populações da África ocidental, diz ele.

Os peritos em pescas há muito que suspeitam que as capturas relatadas pela China à Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) em Roma são demasiado baixas. De 2000 a 2011, o país relatou capturas médias no estrangeiro de 368 mil toneladas por ano mas a China alega ter a maior frota mundial de pesca longínqua, o que implica capturas muito maiores, diz o estudo, que foi financiado pela União Europeia (UE).

Pauly e os seus colegas estima que a captura média na década de 2000 a 2011 seja, na realidade, de 4,6 milhões de toneladas por ano, mais de 12 vezes o número relatado. Desse total, 2,9 milhões de toneladas por ano provêm da África ocidental, uma das zonas pesqueiras mais produtivas do mundo.

Liu Xiaobing, director da divisão de cooperação internacional do gabinete de pescas da China, colocou as capturas anuais em 1,15 milhões de toneladas num discurso na UE em Junho passado. Pauly diz que esse número pode ser correcto se refere ao que é trazido para a China e não às capturas totais. Liu não respondeu a um pedido de comentário a esta acusação.

Os peritos em pescas consideram assustadora a última avaliação: “Afinal é para aí que o meu peixe vai!”, diz Didier Gascuel, da Universidade Europeia da Bretanha em Rennes, França, membro do comité científico que aconselha a Mauritânia e a UE sobre acordos de pesca. Ano após ano, as populações mauritanas de espécies de fundo como polvo e garoupa têm-se mantido perigosamente baixas, um sinal de pesca excessiva por arrastões, diz ele. “Não tínhamos ideia que as capturas chinesas fossem tão volumosas e, claro, que nunca as incluímos nos nossos modelos."

Os contratos de pesca entre companhias chinesas e países africanos são secretos, logo para estimar as capturas, Pauly e a sua equipa tiveram que ser detectives. A imagem estava ainda mais desfocada porque as companhias chinesas por vezes operam navios que navegam sob pavilhão local. 

Assim, pelo menos dez investigadores combinaram pistas de diversas entrevistas de campo, artigos especializados e relatórios online em 14 linguagens para estimar quantos navios chineses estavam a operar em 93 países e territórios. Descobriram muitos países em que os chineses nem relatavam qualquer captura e fizeram a média das estimativas para chegar à conclusão: a China tinha pelo menos 900 navios de pesca longínqua, 345 dos quais na África ocidental, incluindo 256 arrastões de fundo.

Os cientistas estimaram as capturas por país com base numa captura média presumida para cada tipo de navio. “Estes números podem não ser absolutamente exactos mas dão-nos a primeira pista da magnitude do problema", diz Boris Worm, ecologista marinho na Universidade Dalhousie em Halifax, Canadá, que não esteve envolvido no estudo.

 

Outros peritos estão cépticos. “As novas estimativas parecem demasiado altas”, diz Richard Grainger, chefe das estatísticas e serviços de informação de pescas da FAO. Ele salienta que uma avaliação prévia estimava o total das capturas não relatadas (por todos os países) na África ocidental era de 300 a 560 mil toneladas por ano. Esse estudo tentou identificar o que estava a faltar aos números oficiais de capturas com uma análise dos estudos científicos em língua inglesa.

Se os novos números forem confirmados, a renovação dos contractos de pesca com países da África ocidental pode ser afectada. Na década de 2000, sob pressão pública, as frotas da UE acabaram com a pesca em águas costeiras ao largo da África ocidental, com excepção da Mauritânia e Marrocos. Foram substituídas por navios chineses, na sua maioria enormes arrastões de fundo, cujas violações de zonas de pesca costeira proibida têm provocado protestos.

Gascuel, que ajuda a determinar que quantidade de peixe pode ser capturada de forma a impedir o colapso populacional, diz que os números de polvo e camarão disponíveis para contratos da UE com a Mauritânia, principalmente navios espanhóis, já eram baixos mas se se tiver em conta as capturas chinesas actuais “temos que eliminar as capturas espanholas".

Ironicamente, foi a equipa de Pauly que, há 12 anos descobriu que a China tinha relatado valores acima dos reais para as suas capturas domésticas em cerca de 6 milhões de toneladas. Pauly diz que os burocratas médios do país frequentemente exageram os seus feitos.

Ainda assim, ele considera que o esconder a real dimensão das capturas de águas longínquas é o problema mais importante. “Mostra a extensão do saque a África, onde tantas pessoas dependem o mar para o fornecimento básico de proteínas."

 

 

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