2013-04-02

Subject: Fungos e raízes sequestram quantidade espantosa de carbono

 

Fungos e raízes sequestram quantidade espantosa de carbono

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Karina Clemmensen

A maior fracção do carbono aprisionado nos solos das floresta nórdicas pode derivar das raízes vivas e em decomposição de árvores e arbustos, bem como dos fungos que sobre elas vivem.

De acordo com algumas estimativas, os solos da Terra contêm mais do dobro do carbono presente na atmosfera e as florestas boreais, que cobrem cerca de 11% da superfície terrestre do planeta, contêm perto de 16% do total do carbono do solo.

Mais ou menos até à última década, a maioria dos cientistas presumia que a matéria orgânica em decomposição (húmus) que faz parte do solo nessas florestas era proveniente das agulhas e ramos caídos, diz Björn Lindahl, ecologista de fungos na Universidade de Ciências Agrícolas da Suécia em Uppsala. Isso era especialmente verdade no caso de solo de pequenas ilhas nos lagos nórdicos, onde os fogos florestais são raros e o húmus se pode acumular a profundidades de mais de um metro.

Mas quando Lindahl e os seus colegas dataram por carbono amostras retiradas a várias profundidades ao longo do perfil do solo de 30 ilhas em dois lagos suecos localizados perto do círculo polar árctico, descobriram a acumulação de material orgânico sobre o solo não podia explicar completamente a taxa de acumulação de carbono no solo. Em ilhas maiores que 1 hectare, cada metro quadrado de solo acumulado nos últimos 100 anos contém cerca de 6,2 quilogramas de carbono mas em ilhas com menos de 0,1 hectare, o último século de solo contém uns espectaculares 22,5 quilogramas de carbono por metro quadrado.

A diferença na taxa de sequestração de carbono, relatam os investigadores na última edição da revista Science, pode ser totalmente explicada por carbono derivado das raízes das plantas e dos seus fungos simbióticos. Os fungos ectomicorrízicos colonizam as raízes das plantas, obtendo delas alimento, e ajudam os seus hospedeiros na absorção de água e nutrientes do solo. Cerca de 47% do carbono do solo nas ilhas grandes provém das raízes e das ectomicorrizas mas nas ilhas pequenas essa percentagem atinge os 70%, diz Lindahl.

Não é claro porque razão as ilhas pequenas acumularam uma maior fracção de carbono derivado das raízes e ectomicorrizas no último século mas este facto pode estar relacionado com menores taxas de decomposição nos solos da zona, especulam os investigadores.

 

As descobertas da equipa “são entusiasmantes e uma grande surpresa", diz Sandra Holden, ecologista de ecossistemas na Universidade da Califórnia, Irvine. Os fungos simbióticos são uma componente dominante da comunidade microbiana do solo, salienta ela num artigo que acompanha a investigação da equipa: “Há muito que sabemos que as árvores desviam carbono para os seus fungos simbióticos das ectomicorrizas mas ter 70% do carbono do solo derivado deles é muito mais do que teríamos esperado."

Benjamin Turner, pedologista no Instituto Smithsonian de Investigação Tropical em Balboa, Panamá, considera as descobertas “um grande exemplo da forma como a análise de sequências de solo com diferentes idades pode contribuir para a compreensão de processos que não seria possível com experimentação convencional".

Não é claro de que forma os resultados podem afectar as estimativas de como funciona a sequestração de carbono num clima em aquecimento, diz Johan Bergh, ecologista florestal na Universidade de Ciências Agrícolas da Suécia, que não esteve envolvido no estudo. Um aumento da temperatura provavelmente estimulará a actividade microbiana no solo, dessa forma aumentando a decomposição e a perda de carbono do solo para a forma de dióxido de carbono para a atmosfera. Mas ao mesmo tempo, sugere ele, um clima mais quente pode conduzir a maior crescimento das árvores e arbustos da floresta boreal, tal como das suas raízes e fungos simbióticos, levando a uma sequestração global de carbono superior.

 

 

Saber mais:

Fertilização do oceano ajuda na redução do carbono atmosférico

Voam faíscas com estudo sobre fogos florestais

Agricultura intensiva pode aliviar alterações climáticas

Impactos da agricultura no aquecimento global

Florestas antigas capturam mais carbono

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com