2013-03-16

Subject: Sequenciada a célula humana mais famosa da ciência

 

Sequenciada a célula humana mais famosa da ciência

 

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@ Nature/OBSTETRICS & GYNAECOLOGY/SCIENCE PHOTO LIBRARYA célula humana mais famosa do mundo da investigação teve finalmente o seu genoma descodificado e é uma trapalhada.

Investigadores alemães relataram esta semana ter obtido a sequência genética do genoma da linhagem celular HeLa, criada a partir de um tumor cervical mortífero de uma paciente chamada Henrietta Lacks.

Estabelecida depois da morte de Lacks em 1951, as células HeLa foram as primeiras células humanas a crescer bem em laboratório e contribuíram para mais de 60 mil artigos de investigação, para o desenvolvimento da vacina da pólio na década de 50 e, mais recentemente, para o esforço internacional para caracterizar o genoma baptizado ENCODE.

Trabalhos anteriores já tinham mostrado que as células HeLa, como muitos tumores, tinham genomas bizarros e cheios de erros, com uma ou mais cópias extra de muitos cromossomas.

Para olhar mais de perto para estas alterações, uma equipa liderada por Lars Steinmetz, geneticista no Laboratório Europeu de Biologia Molecular em Heidelberg, Alemanha, sequenciou a popular versão 'Kyoto' da linhagem celular e comparou a sequência com uma de referência do genoma humano. Os resultados da equipa foram publicados na revista G3.

A equipa de Steinmetz confirmou que as células HeLa contêm pelo menos uma cópia extra da maioria dos cromossomas, com até cinco cópias extra de alguns deles. Muitos genes estavam duplicados de forma ainda mais extensa, com quatro, cinco ou seis cópias por vezes presentes, em vez das habituais duas. Mais, grandes segmentos do cromossoma 11 e de vários outros foram baralhados como cartas, alterando drasticamente o arranjo dos genes.

Sem a sequência genómica das células saudáveis de Lacks, ou mesmo das do seu tumor original, é difícil traçar a origem destas alterações. Steinmetz salienta que outros tumores cervicais apresentam rearranjos maciços no cromossoma 11, pelo que as alterações nas células HeLa podem ter contribuído para o surgimento do tumor de Lacks.

Tendo sido replicadas em laboratórios por todo o mundo desde há seis décadas, as células HeLa também foram acumulando erros que não estavam presentes no DNA do tumor original. Mais ainda, nem todas as células HeLa são idênticas e Steinmetz considera que seria interessante mapear a evolução das células.

Seja qual for a sua origem, as alterações genéticas levantam questões sobre a utilização generalizada das células HeLa como modelos de biologia celular humana, diz Steinmetz. 

 

Por exemplo, a sua equipa descobriu que cerca de 2000 genes são expressos a níveis superiores aos de tecidos humanos normais, devido às duplicações. Linhagens celulares alternativas, como as células estaminais pluripotentes induzidas geradas a partir de células da pele dos pacientes, oferecem uma visão mais rigorosa da biologia humana, considera ele.

Mathew Garnett, biólogo do cancro no Instituto Wellcome Trust Sanger de Cambridge, Reino Unido, refere que as células HeLa podem revelar-se úteis no estudo de aspectos da biologia dos tumores cervicais, como a sua resposta aos medicamentos anti-tumorais. Nos últimos anos, o genoma de muitos tumores cervicais têm sido sequenciados logo deverá ser possível compará-los com o das HeLa.

@ Nature/THOMAS DEERINCK, NCMIR/SCIENCE PHOTO LIBRARYSteinmetz também salienta que os milhares de artigos de investigação baseados nas células HeLa, bem como os recursos HeLa como as linhagens geneticamente manipuladas e agora o genoma, garantem que os laboratórios irão continuar a manter as células, mesmo que não sejam o modelo perfeito da biologia humana: “Estas células não vão passar de moda nos próximos 10 anos, nem sei se não será antes 20 anos."

 

 

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