2013-03-15

Subject: Investigadores colocam em risco península antárctica intocada

 

Investigadores colocam em risco península antárctica intocada

 

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Precisa-se de homens e mulheres para trabalho perigoso. Salário reduzido, frio debilitante e longos meses de escuridão total. Compensação inclui condução fora da estrada, observação de pinguins e tratamento de lixo sem preocupações.

Este podia ser o anúncio de contratação de pessoal para as estações de investigação da península antárctica de Fildes. Não é tão nobre como o apócrifo anúncio do explorador Ernest Shackleton para a sua expedição no início do século XX, que prometia honra e reconhecimento, mas também é verdade que alguns dos actuais ocupantes do local não merecem nenhuma dessas recompensas, pelo menos de acordo com um relatório publicado pela Agência Alemã do Ambiente.

A península de Fildes fica na ilha Rei George, 120 quilómetros ao largo da costa da península antárctica e mesmo em frente da passagem Drake vinda da Terra do Fogo, Argentina. Como a ilha está tão a norte, quando comparada com o resto da região, alberga uma das mais diversas colecções de vida da Antárctica.

Seis estações de pesquisa acotovelam-se na península de Fildes, geridas pelo Chile, China, Rússia e Uruguai. Os autores do relatório analisaram a península de Fildes e a sua actividade humana entre 2003–06 e novamente em 2008–12 e identificaram numerosas e sistemáticas violações do Protocolo Ambiental da Antárctica, que  estabelece os princípios básicos para todas as actividades humanas na região.

Apesar de cerca de 27 mil turistas terem visitado a região no ano passado, o relatório estima que os cientistas têm um impacto maior sobre a península de Fildes.

“Captou a minha atenção o facto de serem os cientistas", diz o toxicologista ambiental Gustavo Chiang, da Universidade de Concepción, Chile, que realiza trabalho de campo na península de Fildes. A maioria dos investigadores são cuidadosos de forma a não danificar o frágil ambiente em que trabalham, diz Chiang, mas também já assistiu a alguns deles deixarem lixo no chão ou os estudantes ficarem sem supervisão.

Esse tipo de comportamento descuidado mina o próprio objecto de estudo, diz o relatório. Actividades danosas citadas no relatório incluem recolha de rochas de praias antigas ao longo de mais de 5 hectares (locais que podem conter fósseis ou pistas sobre alterações climáticas anteriores) e actividades de construção que destroem locais de nidificação de aves.

Uma das autoras do relatório, a ecologista Christina Braun, da Universidade Friedrich Schiller em Jena, Alemanha, salientou num estudo anterior como a alta densidade de estações de pesquisa e as actividades descoordenadas na península interferiam com a recolha de dados e com o ambiente.

Os cientistas alemães têm defendido que parte da península deve ser incluída na Área de Gestão Especial da Antárctica (ASMA), o que significaria que qualquer tipo de nova actividade humana no local exigiria aprovação prévia por parte de todos os signatários do Tratado Antárctico.

 

De acordo com o protocolo ambiental antárctico, os países já acordaram realizar avaliações ambientais antes de novas construções na Antárctica mas não precisam de consultar os seus parceiros antes de construírem e o anexo de responsabilização do protocolo, que estabelece penalizações por violações, permanece por ratificar. O Chile tem planos para expandir o seu aeroporto na península, por exemplo, o que exigiria aprovação de outros se a península passasse a ASMA.

A próxima oportunidade para lidar com o problema dos resíduos será no encontro em Bruxelas do Tratado Antárctico a decorrer em Maio, quando a Alemanha pode converter o relatório em artigo de discussão.

Victor Pomelov, o delegado das expedições antárcticas russas no Comité de Protecção Ambiental, diz que o relatório alemão “será útil no desenvolvimento de acções conjuntas na protecção do ambiente". 

Ele explica que as estações antárcticas que foram construídas antes da assinatura do protocolo ambiental em 1991 têm dificuldades com aterros e tratamento de resíduos antigos: “É importante que o processo de tratamento de resíduos seja feito sistematicamente", diz ele, acrescentando que o governo russo tem intenção de usar navios para remover os resíduos da região.

A homóloga chilena de Pomelov, Verónica Vallejos, diz que o Chile já baniu pelo menos três cientistas das suas instalações antárcticas, incluindo um por conduzir fora das estradas. Há uma rotação elevada de pessoal nas bases, diz ela, e apesar das recomendações prévias, “é muito difícil para os trabalhadores internalizarem toda a informação de protecção ambiental antárctica".

 

 

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