2013-02-24

Subject: Abelhões detectam campos eléctricos nas flores

 

Abelhões detectam campos eléctricos nas flores

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Dominic Clarke

À medida que se aproximam da sua recompensa açucarada, os abelhões em busca de alimento seguem uma pista invisível: campos eléctricos. Apesar de alguns animais, incluindo os tubarões, serem conhecidos por terem sentidos eléctricos, esta é a primeira vez que a capacidade foi documentada em insectos.

Os insectos polinizadores usam um grande número pistas sensoriais, desde cores a fragrâncias, texturas das pétalas e humidade do ar. Ser capaz de julgar que flores podem fornecer mais néctar e quais as que já foram despojadas por outros polinizadores, ajuda-os a usar a sua energia de forma mais eficiente.

Há muito se sabe que os abelhões criam uma carga eléctrica positiva ao bater rapidamente as asas e quando pousam nas flores esta carga ajuda o pólen a aderir aos seus pêlos. Daniel Robert, biólogo na Universidade de Bristol, sabia que essas interacções eléctricas alterariam temporariamente o estado eléctrico das flores mas não sabia se os abelhões o detectariam.

Ansioso por descobrir, ele e uma equipa de colegas mediu as cargas eléctricas de vários indivíduos Bombus terrestris, uma espécie vulgar de abelhão, usando sacarose para os atrair para um painel Faraday, uma espécie de balde protegido que reage às cargas do que está no seu interior. Como esperado, a maioria dos abelhões transportavam cargas positivas.

De seguida, a equipa colocou os insectos numa arena com petúnias Petunia integrifolia e mediu os potenciais eléctricos das flores. Como seria de esperar, quando os abelhões pousaram, as flores ficaram um pouco mais carregadas positivamente.

Finalmente, a equipa libertou abelhões numa arena com flores artificiais, metade das quais estavam carregadas positivamente e continham uma recompensa de sacarose. A outra metade estavam ligadas à terra e continham uma solução amarga. Ao longo do tempo, os abelhões visitavam cada vez mais as flores carregadas e com recompensa.

 

Mas quando os investigadores desligaram o campo eléctrico das flores e voltaram a libertar os abelhões treinados, os insectos só visitavam as flores com recompensa cerca de metade das vezes, como se as escolhessem ao acaso. Isso sugeriu que os abelhões estavam a detectar os campos eléctricos e a usá-los para guiar as suas actividades, em vez de depender de outras pistas, como a fragrância. Os resultados da equipa foram publicados na edição desta semana da revista Science.

“Pensamos que os abelhões estão a usar esta capacidade de detectar os campos eléctricos para determinar se as flores foram recentemente visitadas por outros abelhões e, portanto, se vale a pena visitá-las", diz Robert.

“Não tínhamos ideia de que este sentido sequer existia", diz Thomas Seeley, biólogo comportamental na Universidade Cornell em Ithaca, Nova Iorque. "Partindo do princípio que podemos replicar estas descobertas, isto vai abrir uma nova janela de estudo dos sistemas sensoriais dos insectos."

Alguns peritos sugerem que o estudo tem implicações noutros insectos, para além das abelhas e afins. “Se pensarmos nisto, estas descobertas também se pode aplicar às traças e às libelinhas", diz Robert Raguso, ecologista químico em Cornell. "Não sabemos se conseguem detectar diferenciais de cargas mas consomem muita energia a planar em busca de pólen ou néctar, logo faz sentido que estejam atentos a estas pistas."

 

 

Saber mais:

Relatórios desencadeiam controvérsia sobre insecticidas perigosos para abelhas

Aves 'vêm' pólo magnético?

Bússola interna ajuda morcegos a encontrar o caminho para casa

Alterações genéticas na vida das abelhas

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com