2013-02-22

Subject: Sequenciação da salamandra pode fazer recuar esforços de fazer crescer membros em humanos

 

Sequenciação da salamandra pode fazer recuar esforços de fazer crescer membros em humanos

 

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A capacidade de alguns animais para regenerar tecidos é geralmente considerada como sendo uma qualidade ancestral de todos os animais multicelulares.

A análise genética de tritões, no entanto, vem agora sugerir que essa capacidade terá evoluído muito mais recentemente.

Minúsculo e delicado poderá ser mas o tritão de pintas vermelhas Notophthalmus viridescens tem capacidade de engenharia de tecidos que até agora ultrapassam os maiores e mais avançados laboratórios de biotecnologia. O tritão pode regenerar tecido perdido, incluindo tecido muscular, componentes do sistema nervoso central e mesmo o cristalino.

Os médicos esperam que esta capacidade dependa de um programa genético básico que seja comum, ainda que frequentemente numa forma latente, a todos os animais, incluindo mamíferos, para que eles possam usá-la na medicina regenerativa. Os ratos, por exemplo, são capazes de gerar novas células cardíacas após danos ao miocárdio.

O novo estudo, realizado por Thomas Braun, do Instituto Max Planck de Investigação Cardiorrespiratória em Bad Nauheim, Alemanha, sugere, no entanto, isso pode não ser possível.

Tentativas para analisar a genética dos tritões da mesma forma que a dos humanos, ratos e moscas tem sido, até agora, bloqueada pela enorme dimensão do genoma do tritão, que é dez vezes maior que o nosso. Braun e os seus colegas, por isso, olharam antes para o RNA produzido quando os genes se expressam (o transcriptoma) e usaram três técnicas analíticas para compilar os seus dados.

A equipa compilou o primeiro catálogo de todos os transcritos de RNA expressos de N. viridescens, olhando tanto para tecido primário e regenerado no coração, membros e olhos de embriões e larvas.

Os investigadores descobriram mais de 120 mil RNA transcritos, dos quais estimam que 15 mil codificam proteínas. Desses, 826 eram únicos do tritão. Mais ainda, várias dessas sequências eram expressas a diferentes níveis nos tecidos regenerados e primários. Os seus resultados foram publicados na última edição da revista Genome Biology.

As descobertas somam-se às evidências existentes de que a capacidade de regeneração evoluiu recentemente, diz Jeremy Brockes, do University College de Londres, cuja pesquisa forneceu as primeiras provas de que a regeneração de tecidos em salamandras expressava proteínas que não eram encontradas noutros vertebrados.

 

“Eu já não acredito que haja um programa ancestral à espera de ser reacordado", diz Brockes. “No entanto, acredito absolutamente ser possível coagir células de mamífero a regenerar-se num maior grau com as lições que aprendemos dos tritões.”

Mas dizer que a característica é ancestral ou recente é demasiado “preto e branco”, diz Elly Tanaka, do Centro de Terapias de Regeneração em Dresden, Alemanha. A verdade, diz ela, pode estar algures no meio. “Pode, de facto, ser verdade que a regeneração seja ancestral mas que os tritões tenham adaptações específicas da espécie que lhe permitem ter estas espectaculares capacidades regenerativas quando comparadas com outros vertebrados."

Mais ainda, acrescenta Tanaka, os cientistas fariam bem em olhar mais para as zonas cinzentas no potencial de usar as capacidades regenerativas dos tritões (e de outros animais, como os peixes). Em vez de se focarem em cenários espectaculares, mas talvez improváveis, em que os amputados conseguem fazer crescer novos membros inteiros, os investigadores deviam focar-se em opções mais plausíveis, como a melhoria da cicatrização de ferimentos e queimaduras ou o aumento da velocidade na regeneração de órgãos.

 

 

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